Intolerância

Preconceito e Intolerância

O nível de ignorância, intolerância e má fé humana é ilimitada. Se os ignorantes, intolerantes e direitistas perdem o pudor de se revelarem, publicamente, coitada da sociedade democrática se ela não controlar esses animais humanos com instintos selvagens e violentos à solta..

Reproduzo abaixo a Nota Oficial da Associação de Docentes da UNICAMP. Este modesto blog Cidadania e Cultura se solidariza com os agredidos por neofascistas.

“A ADunicamp tem acompanhado com preocupação e debatido em seus fóruns internos o crescente processo de intolerância que se manifesta em importantes setores de nossa sociedade e que está refletido diariamente no noticiário da mídia de todo o país.

A intolerânciaseja ela política, religiosa, ideológica, de raça, de gênero, de comportamento, de ideias – foi sempre, ao longo da civilização humana, um dos principais fatores responsáveis pela violência e por desequilíbrios e descontroles sociais. E esteve presente em alguns dos piores episódios de atraso na história do conhecimento e da evolução das sociedades humanas.

A partir destas reflexões, a ADunicamp vem, por meio desta nota, solidarizar-se com todas as vítimas recentes da intolerância e colocar a sua estrutura e seu departamento jurídico à disposição dos associados e associadas que tenham sido vitimados por abusos desta natureza, como ocorreu recente com dois professores aposentados da Unicamp no prédio onde residem, em São Paulo (leia a notícia abaixo). E também colocar à disposição dos associados os canais de comunicação institucional de nossa associação para denunciar, debater e relatar a ocorrência da intolerância no ambiente acadêmico, como mostra a carta aberta do professor Renato Ortiz aos seus colegas do IFCH (leia abaixo).

1. Professores da Unicamp processarão vizinho que os agrediu

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

O casal Walkiria Domingues Leão Rego e Rubem Leão Rego foi objeto de matérias recentes na blogosfera política devido a agressão violenta de que foi alvo no último dia 11 de agosto. O agressor foi o vizinho do apartamento de baixo do deles no condomínio localizado no bairro paulistano de perdizes no qual o casal reside há 29 anos.
Walkiria e Rubem são professores aposentados da Unicamp. Ela é autora do livro Vozes do Bolsa Família – Autonomia, dinheiro e cidadania (editora Unesp). A obra versa sobre os impactos do programa Bolsa Família na vida de seus beneficiários, principalmente das mulheres, titulares do benefício.

O Blog da Cidadania (link abaixo) foi ouvir o casal de acadêmicos sobre o que vem acontecendo no local em que reside. Segundo essas pessoas, há cerca de um ano – desde as eleições de 2014 – o vizinho em questão vem fazendo agressões verbais e cometendo atos de retaliação por conta de suas opiniões políticas favoráveis ao governo Dilma Rousseff.
No último dia 11, porém, o tal vizinho cometeu um ato de descontrole que poderia ter resultado em uma tragédia.

Ao encontrar a filha do casal na garagem do condomínio, o agressor, após insultá-la pesadamente, entrou em seu veículo e deu ré em alta velocidade em direção a ela, assumindo o risco de atingi-la e/ou a alguém mais que estivesse passando pela calçada dentro ou em frente ao edifício.

O episódio foi captado pelas câmeras de segurança da garagem do condomínio e também foi testemunhado pelo porteiro que trabalhava naquele momento. No último sábado, o Blog esteve na residência do casal e gravou um vídeo com o depoimento dele sobre o que ocorreu e também foi informado de que foi feita uma denúncia à delegacia de polícia do bairro e um advogado já se prepara para entrar com ações cível e criminal contra o agressor, pois além do ato de violência ele também vem insultando essas pessoas em público, chamando-as de “ladrões” e outros mimos por terem opinião política diferente da dele.

Walkiria e Rubem são pessoas extremamente intelectualizadas, tranquilas e de reputação acima de qualquer suspeita. Este blogueiro passou a tarde de sábado inteirinha com eles, almoçou com eles e pode conhecer bem suas ideias. São pessoas que não têm a menor tendência aparente para esse tipo de conflito.

Vale dizer que ambos afirmaram que não são filiados ao PT e que não têm qualquer tipo de negócios ou ligações com o governo. Têm, apenas, suas opiniões políticas e isso está lhes rendendo uma situação “insustentável”, pois o indivíduo que os agride, apesar de idoso (70 anos), tem porte físico avantajado e seria bastante truculento.

Essas pessoas parecem assustadas, pois acreditam que seriam “imprevisíveis” as atitudes que o agressor pode tomar em sua escalada de inconformismo com a opinião política alheia.

O Blog conversou com um dos porteiros do prédio e este relatou que o casal é tranquilo e jamais se envolveu em qualquer tipo de confronto com vizinhos ou qualquer outra pessoa que frequenta o local. Não quis opinar sobre o episódio, mas deu a entender que tudo ocorreu como foi relatado por Walkiria e Rubem.

Um fato interessante em todo esse caso é que quando o casal foi à delegacia fazer o Boletim de Ocorrência encontrou o agressor lá. Ele não fez nenhum tipo de queixa, mas reclamou da opinião política dos vizinhos para escrivã que estava de plantão, como se esperasse que pelo simples fato de eles serem “petistas” sua atitude tresloucada estaria justificada.

O casal foi questionado pelo blogueiro sobre o que pensa sobre esse tipo de agressão, que vem se repetindo com quem tem opinião política favorável ao governo ou que aparente ter – se as vítimas devem reagir ou “deixar para lá”. Rubem foi taxativo ao dizer que é preciso reagir: “Há que dar um basta!”.

Acesse o Blog da Cidadania, no link abaixo, e veja o vídeo com trechos da conversa que o blogueiro manteve com Walkiria:

http://www.blogdacidadania.com.br/2015/09/professores-da-unicamp-processarao-vizinho-antipetista-que-os-agrediu/

2. Carta aos Colegas do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas

Por Renato Ortiz -10 setembro de 2015

“Morte aos comunistas do IFCH”. A frase estava escrita na parede de entrada do prédio da direção do Instituto de Filosofia. O lugar escolhido era estratégico, ao subir as escadas a mensagem podia ser vista no seu brilho ofuscante. Minha reação foi de espanto, permaneci imóvel diante do texto, nunca havia visto algo assim em minha vida universitária. No dia seguinte, ao chegar no Instituto, os dizeres tinham sido apagados.

“Morte aos comunistas”. A segunda parte da frase é genérica não tem intenção de ser precisa. Dificilmente, após o colapso da União Soviética, ela poderia dirigir-se àqueles que se consideram “comunistas”. Não, o termo possui uma conotação polissêmica: “esquerda”, “canalha”, “safado”, “petista”, “corrupto”. A denominação deve ser suficientemente ampla para dar a impressão que a pessoa que escreve situa-se na condição fictícia de que é possível falar “contra todos”. Ela estaria indefesa, ameaçada pelas forças estranhas que a rodeiam. A primeira parte da sentença é, no entanto, clara, límpida, lembra a palavra de ordem do fascismo: morte. Não há nenhuma dubiedade no que é dito: os adversários devem ser aniquilados. Creio que foi precipitado apagar o grafitti. Ele deveria, temporariamente, permanecer no muro, vestígio e testemunho da estupidez que nos cerca. Temos a ilusão que a universidade, um lugar de liberdade e debate, estaria ao abrigo dessas coisas. Engano. As fissuras sociais nos atingem diretamente. Existe atualmente na sociedade brasileira um clima explícito de cretinice, ela não se envergonha de si mesmo, orgulhosa, torna-se pública, revelando sua face distorcida. Pior, não se contenta em circunscrever-se aos espaços dos partidos ou dos movimentos políticos, invade o quotidiano, as conversas, amizades, relações de trabalho. A intolerância sente-se confortável, à vontade para se apresentar como um código moral duvidoso. “Morte”, “Comunista”. As palavras não nos machucam diretamente, mas contém uma potencialidade inquietante, a passagem da intenção ao ato, da agressão verbal à violência física. Resta-nos a indignação, dizer não a esta deriva autoritária, expor sua arrogância e falsidade. A indignação é um sentimento de repulsa, retira-nos da passividade, recorda-nos que o presente é frágil e as conquistas que conhecemos nada têm de perenes, permanentes.

2 thoughts on “Intolerância

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