Doações Eleitorais e Dinheiro de Crime

HSBC-Aécio

Face à acusação de que a oposição está envolvida em golpismo para usar atalhos parlamentares e eventual condenação por tecnicidades como “pedaladas fiscais” – que sempre o TCU aprovou para outros governos – para tentar chegar ao poder, em vez de aceitar que “a legitimidade do voto é a base da democracia”, o derrotado senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que “golpe e atalho para se chegar ao poder é se utilizar do dinheiro do crime ou de irresponsabilidade fiscal para obter votos”, em seminário com economistas ligados ao PSDB.

Intrigado com tal cinismo, fui consultar ao Dr. Google se os doadores de sua campanha foram diferentes dos da campanha da vencedora da eleição, a Presidenta Dilma Rousseff. Valeu a pesquisa também para encontrar uma amostra de doadores Pessoas Físicas, agora que aquele juiz que pratica pré-julgamento contra o PT foi derrotado por seus pares no STF, após seu longo (a perder de vista) “pedido de vista” sobre as doações de Pessoas Jurídicas.

Apurei que “ao menos 16 pessoas que doaram mais de R$ 50 mil na campanha eleitoral de 2014 também aparecem na lista dos brasileiros que eram correntistas com “dinheiro-frio” (“caixa-2”) no HSBC na Suíça em 2006/2007. Juntas, elas deram R$ 5,824 milhões para políticos de 12 partidos. Esta é a conclusão do cruzamento entre as pessoas físicas que mais dinheiro doaram às campanhas com os registros do HSBC vazados por um ex-técnico de informática do banco. 

As doações eleitorais foram para candidatos de vários partidos: PSDB, PT, PSDC, PV, PMDB, PSC, DEM, PROS, PTB, PSB, PRB E PP. Receberam dinheiro desse grupo de 16 financiadores relacionados a contas na Suíça as campanhas presidenciais de Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos e Marina Silva (PSB). O comitê de Dilma Rousseff não ganhou recursos diretamente, mas o PT está na lista por meio de diretórios estaduais da legenda.

Ao todo, os tucanos foram os que mais receberam do grupo analisado. Aécio, outros candidatos do PSDB e diretórios do partido foram beneficiados como R$ 2,925 milhões. Já o PT e seus candidatos tiveram R$ 1,505 milhão de doações, isto é, a metade…

Ao todo, 142.568 pessoas físicas fizeram doações para campanhas políticas no ano passado — nem sempre na forma de dinheiro, mas também como serviços ou produtos, que foram precificados na prestação de contas à Justiça Eleitoral. Um total de 976 doaram R$ 50 mil ou mais, somando uma ajuda de R$ 170,6 milhões para a disputa eleitoral de 2014.

Neste grupo, O GLOBO, em parceria com o UOL, encontrou 16 nomes que também aparecem nas planilhas do SwissLeaks. Os 16 nomes encontrados foram os de:

  1. Alceu Elias Feldmann (Grupo Fertipar);
  2. Arminio Fraga Neto (ex-Banco Central e atual Gávea Investimentos);
  3. Benjamin Steinbruch (CSN);
  4. Carlos Roberto Massa (o apresentador Ratinho, do SBT); Cesar Ades (Banco Rendimento);
  5. Cláudio Szajman (Grupo VR);
  6. Edmundo Rossi Cuppoloni (da incorporadora 5S);
  7. Fábio Roberto Chimenti Auriemo (empreiteira JHSF);
  8. Francisco Humberto Bezerra (ex-sócio do BicBanco);
  9. Gabriel Gananian (Steco Construtora);
  10. Hilda Diruhy Burmaian (Banco Sofisa);
  11. Jacks Rabinovich (CSN);
  12. José Antonio de Magalhães Lins (Axelpar);
  13. Miguel Ricardo Gatti Calmon Nogueira da Gama (advogado, OAB-SP);
  14. Paulo Roberto Cesso (Colégio Torricelli) e
  15. Roberto Balls Sallouti (BTG Pactual).

Consultados, os doadores negaram irregularidades. Dois deles apresentaram provas de que declararam suas contas às autoridades brasileiras. Ter uma conta na Suíça ou em qualquer outro país não é ilegal, desde que seja uma operação declarada à Receita Federal e informada ao Banco Central.

As planilhas do HSBC revelam que 10 dos 16 doadores analisados têm relação com empresas abertas em paraísos fiscais. Há uma preferência por Panamá e Ilhas Virgens Britânicas, mas também aparecem Uruguai e Bahamas.”

Leia mais sobre doadores PJ à campanha do Aecinho:

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/veja-as-doacoes-feitas-a-campanha-de-aecio-neves/

Prestação de contas da candidata Dilma Rousseff e do Partido dos Trabalhadores

Prestação de contas do candidato Aécio Neves e do Partido da Social Democracia Brasileira

3 thoughts on “Doações Eleitorais e Dinheiro de Crime

  1. E o candidato que já está no governo, não tem vantagem? O uso unilateral da máquina pública não gera desigualdades de condições de campanha?
    Em 2001, morreu Mário Covas e assumia o vice, Geraldo Alckmin, um desconhecido. Em 2002, quando haveria eleições, Alckimin herdaria um estoque de 5.000 obras para inaugurar. Resultado:ele ganha sempre no 1º turno e governa SP até hoje.

    1. Prezado Wilson,
      concordo a respeito da vantagem da reeleição. A aprovação dela o FHC conseguiu no Congresso, utilizando-se de meios excusos.

      Neste ano corrente, parece-me que o Congresso aprovou a interrupção da reeleição. Não sei se já foi aprovada a medida de esticar um mandato para 5 anos. Sem reeleição, acho que um governante não implementarão projetos de médio ou longo prazo, ou seja, que vão além dos 4 anos.
      att.

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