O Petróleo é nosso! E a Petrobras é de quem?

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Se eu não me engano, foi Lula que enfrentou a questão: toda vez que a cotação internacional do petróleo passasse por uma volatilidade, automaticamente, repassar-se-ia a oscilação para os preços dos combustíveis no País, como era feito na Era Neoliberal (1990-2002)? Ele teria feito a pergunta-chave: afinal, a Petrobras é para servir ao Brasil ou o Brasil é para servir à Petrobras — seus acionistas minoritários, seus funcionários e seus dirigentes?!

Com a Operação Lava-Jato, investigação que antes não era feita, descobriu-se as falcatruas de alguns de seus dirigentes cúmplices com o cartel do petróleo, i.é, as grandes empreiteiras de obras públicas que, historicamente, corrompiam e fraudavam as licitações públicas. Para o avanço da cidadania brasileira — a tomada de consciência de que não se pode tratar a coisa pública como propriedade privada e é obrigatório o cumprimento com honestidade dos ritos legais — vigiar e punir são ações fundamentais (assim como feito nos EUA na virada do século XIX para o XX), embora esse lento processo judicial possa atrasar muito o avanço econômico brasileiro…

Será que os desonestos adquirirão consciência do mal que fizeram à Nação e ao seu povo? Por exemplo, um exemplo do mal é a condenação a priori, em pré-julgamento por parte dos boçais, de todos os eleitores, simpatizantes e militantes do Partido dos Trabalhadores.

Provocar sua derrocada é um crime político hediondo! Todos aqueles que dedicaram parte de sua vida à construção do PT e de uma sociedade democrática não mereciam isso!

Pior, todos nós — que lutamos contra a ditadura e para construir um partido representante dos trabalhadores organizados — estamos sendo, cotidianamente, agredidos, insultados e substituídos no debate público por golpistas inveterados ou novos golpistas! Estes rasgam suas biografias do tempo de luta contra a ditadura em nome da oportunidade de, via um golpe parlamentar, assumir o poder sem o apoio do voto popular. Judas e Calabares são tanto os criminosos da corrupção na Petrobras quanto os golpistas oportunistas! A história futura os deplorará…

Porém, os seres humanos não se emendam sem a eterna vigilância — e permanente autocontrole.

André Ramalho e Cláudia Schuffner (Valor, 15/09/15) informam que a decisão da Petrobras de promover mais de 39 mil empregados por desempenho, em agosto de 2015, é apontada como mais um fator que motivou a saída de Murilo Ferreira da presidência do Conselho de Administração da estatal, segundo fontes ouvidas pelo Valor. Ele defendia uma gestão da estatal mais focada em resultados, com profundos cortes de custos neste momento de crise que a petrolífera enfrenta.

A notícia de mais aumento de gasto com funcionários, quando o câmbio pressiona a alavancagem da empresa, não foi bem recebida. Outra razão: não foi pago dividendos aos acionistas. Além disso, vai na contramão da necessidade de cortar custos, observaram fontes ligadas ao conselho que preferiram não se identificar.

No comunicado ao qual o Valor teve acesso, o programa “Avanço de Nível e Promoção por Desempenho (ANPR) 2015” contemplou promoções via avanço de nível, promoção ou concessão de valor monetário a 39.227 funcionários, elevando as remunerações a partir de 25 de agosto. O ANPR, segundo o comunicado, representa 83% dos empregados sem função gratificada. Já funcionários com cargos de gerência, consultores ou supervisores e aqueles com função gratificada concorrem às promoções em um processo em separado.

Neste ano, a petroleira tem um plano de redução das despesas administrativas da ordem de US$ 12 bilhões até 2019.

De acordo com fontes, Ferreira pediu licença do cargo por divergências sobre a reestruturação da estatal. Ele, desde que tomou posse na presidência do Conselho da estatal, estaria pedindo a aceleração de mudanças estruturais e na gestão dos gastos da companhia.

No primeiro semestre, os gastos com pessoal já somaram R$ 15,3 bilhões, 4% menor que os R$ 16 bilhões registrados em igual período do ano passado.

A dificuldade em controlar as despesas com pessoal é antiga. Elas vêm crescendo na casa dos dois dígitos ao longo dos últimos anos e atingiram os R$ 31 bilhões em 2014. O pagamento de salários — funcionários receberam aumentos acima da inflação nos últimos 10 anos — é o elemento que mais pesa nas despesas com seus empregados – 60% dos gastos, ou cerca de R$ 20 bilhões, em 2014, incluindo participação nos resultados.

Recentemente, a Petrobras apresentou uma proposta de acordo coletivo prevendo cortes no valor pago pelas horas extras e de 25% na remuneração de funcionários administrativos.

Ao todo, a Petrobras possui cerca de 80 mil funcionários próprios, incluindo as áreas administrativa e operacional e subsidiárias e atividades no exterior. A remuneração mensal média na estatal é de R$ 15 mil, segundo dados do Relatório de Sustentabilidade da empresa.

Já os benefícios e gastos com aposentadoria e planos de saúde e pensão representam 32% das despesas com pessoal. Chama a atenção, nesse quesito, a coleção de benefícios concedidos aos empregados da companhia.

A lista de vantagens aos funcionários da empresa é ampla, pois inclui:

  1. auxílio-creche e auxílio-ensino (que prevê ajuda de custos de 70% a 90% das despesas com pré-escola ao ensino médio dos filhos dos empregados);
  2. auxílio de 60% das despesas com ensino universitário dos filhos dos funcionários;
  3. custeio de 90% dos gastos com educação básica de empregados que desejem se complementar seus estudos; o programa de Assistência Médica Suplementar (a Petrobras cobre até 70% dos gastos dos empregados com saúde);
  4. benefício-farmácia (o beneficiário paga mensalmente de R$ 2,36 a R$ 14,17, em troca do custeio integral de medicamentos) e
  5. auxílio Cuidador da Pessoa Idosa (para beneficiários com mais de 60 anos e com capacidade funcional comprometida, no valor máximo de um salário mínimo).
  6. Glicofitas (a companhia concede até 100 glicofitas por mês para pacientes diabéticos);
  7. auxílio-almoço (superior a R$ 760,00);
  8. gratificação de Campo Terrestre de Produção (R$ 900,00), para os empregados administrativos que atuam em áreas remotas de exploração.

Na proposta do acordo coletivo, a Petrobras manteve uma série desses benefícios, mas pretende negociar alguns dessa série de custeios com os sindicatos. Os petroleiros argumentam que os benefícios pouco pesam sobre os custos da companhia.

No ano passado, foram concedidos R$ 1,2 bilhão em benefícios a trabalhadores, além dos custeios de R$ 3 bilhões com planos de saúde e R$ 3,2 bilhões com aposentadoria e planos de pensão. Despesas com pessoal são uma das principais fontes de gastos da estatal, ao lado de gastos com matéria-prima, bens e serviços e pagamento de participações governamentais.

Em compensação, a boa notícia é que dados da produção nacional de petróleo da Petrobras, em agosto de 2015, que cresceu 3% em relação a julho, para 2,205 milhões de barris ao dia, a segunda melhor média histórica da companhia.

O aumento da produção, aliado à valorização do preço da commodity no mercado internacional, fez com que os papéis ON da empresa fechassem o pregão da BM&FBovespa com alta de 8,6%, a R$ 9,48. Já as ações PN fecharam o dia cotadas a R$ 8,14, com alta de 6,4%.

Os preços internacionais do petróleo fecharam em alta, recentemente, após a sinalização de que os estoques americanos estão reduzindo. Na bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex), o contrato do petróleo WTI para entrega em outubro subiu 5,7% (US$ 47,15 o barril). Já o contrato para novembro do Brent avançou 4,2% – a US$ 49,75.

Segundo a Petrobras, o crescimento da produção em agosto foi impulsionado pela entrada em operação, em 31 de julho de 2015, da plataforma Cidade de Itaguaí, na área de Iracema Norte, no pré-sal de Santos. “Adicionalmente, a retomada da operação de plataformas que estavam com paradas programadas para manutenção também foi um fator que contribuiu com o bom desempenho do mês”, completou a estatal, em nota.

Com os dados de agosto, a média de produção de petróleo nacional da Petrobras em 2015 subiu para 2,14 milhões de barris diários. O volume é 8,2% superior na comparação com igual período ano passado e 5,3% maior que a média completa de 2014.

Com isso, firma-se a tendência de que a estatal irá superar a meta de crescimento da produção este ano, estabelecida em 4,5% sobre a média produzida no ano passado. Se mantiver os níveis de produção de agosto, pode superar em quase dois pontos percentuais a meta.

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