Métodos de Ensino e de Aprendizagem: Uma Análise Histórica e Educacional do Trabalho Didático

metodos de ensinoDiante do tema exposto no post anterior – Métodos de Ensino –, Luciana Figueiredo Lacanallo, Sandra Salete de Camargo Silva, Diene Eire de Mello Bortotti de Oliveira, João Luiz Gasparin e Teresa Kazuko Teruya, em “Métodos de Ensino e de Aprendizagem: Uma Análise Histórica e Educacional do Trabalho Didático”, percebem que a discussão sobre os métodos de ensino e de aprendizagem não é algo tão simples como alguns educadores podem pensar. Para que se possa compreender o trabalho didático torna-se essencial uma análise histórica e educacional desses métodos.

Para entendê-los de maneira mais objetiva pode-se agrupar as diferentes concepções de educação em duas grandes tendências:

  • a primeira composta pelas concepções pedagógicas que dão prioridade à teoria sobre a prática e
  • a segunda tendência, inversamente, compõe-se das concepções que subordinam a teoria à prática e, no limite, dissolvem a teoria na prática.

No primeiro grupo estariam as diversas modalidades de pedagogia tradicional, sejam elas situadas nas vertentes religiosas ou não, cuja ênfase estaria voltada às Teorias de Ensino. No segundo grupo, as diferentes modalidades de pedagogia nova, voltando sua ênfase nas Teorias de Aprendizagem.

Se nos séculos XVII, XVIII e XIX a ênfase nas proposições educacionais se dirigia aos métodos de ensino formulados a partir de fundamentos filosóficos e didáticos, no século XX a ênfase se desloca para os métodos de aprendizagem, estabelecendo o primado dos fundamentos psicológicos da Educação.

As mudanças e transformações precisam ser analisadas no contexto histórico em que foram produzidas, pois atendem as necessidades e aos interesses vigentes no momento, dentre os quais o processo de apropriação do conhecimento. Portanto, os métodos de ensino e de aprendizagem não devem ser lidos e compreendidos de maneira superficial a partir de leituras descontextualizadas e aligeiradas, pois cada método procurou dar conta de promover aos educandos a apropriação do conhecimento necessária a cada momento histórico.

Importante salientar que a passagem de um momento histórico para outro, incorpora o velho, fazendo uma releitura para criação do novo. Ao se tentar fazer rupturas entre os métodos, redesenha-se o antigo no sentido de refutá-lo ou de aceitá-lo.

Assim, para que se discutam as Teorias Educacionais e os Métodos de Ensino, é preciso compreender o espírito de cada época, a fim de evitar o risco de fragmentações, leituras equivocadas e por vezes práticas reducionistas que não levam em conta as especificidades da organização didática de cada método, de acordo com as teorias a eles vinculadas.

Sabe-se que, muitas vezes, estas releituras não são feitas e isso pode fazer com que se perca o “potencial de fertilidade para o avanço do conhecimento” que cada tendência traz em si. Desse modo, percebe-se que alguns trabalhos trazem uma ideia de que o método proposto bastaria por si só, sem buscar as raízes explicativas em contextos historicamente situados. Isto seria um “individualismo” propiciado por uma reflexão que giraria em torno de si mesma. O professor pretenderia uma “hegemonia autoritária”, como se somente sua perspectiva desse conta dos problemas. Na realidade, ele ficaria refém de um “modismo”, ou seja, uma apropriação acrítica e indiscriminada dos conceitos.

Ignorar estas raízes e esses contextos acreditando que o novo em si seria o suficiente para estruturar o trabalho didático seria ingenuidade. Tendências que instauram modismos pedagógicos desprezam a construção histórica e educacional. Os conceitos e métodos de ensino e de aprendizagem, assim como os homens, são históricos e circunstanciais.

Secundarizar estas dimensões representaria uma superficialidade teórica que, indiscutivelmente, representaria um obstáculo à formação do espírito científico crítico.

Escolher uma metodologia de ensino de acordo com as necessidades do aluno e as expectativas dos professores é importante, mas nem sempre é uma tarefa fácil. É preciso que haja uma sintonia entre o aluno e a maneira com que a Faculdade trabalha, mas essa escolha pode representar um desafio para os candidatos. A maioria das práticas pedagógicas, hoje, está baseada na Teoria Interacionista, que é reconhecida como mais “moderna”, mas nem sempre funcionam tanto na prática quanto no papel.

Muitas Faculdades sequer adotam uma única metodologia. Cada professor fica por si, baseando-se no princípio de “liberdade de cátedra”. Ele acaba adotando o que acha de melhor em cada um dos métodos. O processo educacional fica mesclado com múltiplos métodos.

Por isso, além de pesquisar como o professor aborda o ensino no projeto pedagógico, é importante saber se esses conceitos são aplicados na prática. A melhor coisa é assistir uma aula, pedindo para conhecer o projeto pedagógico de cada professor, e cruzar essas informações. Para isso, vale fazer perguntas no sentido de investigar a relação do cotidiano da sala de aula com o prometido nos Programas de Cursos.

Cada aluno também deve cuidar para perceber se está adaptado ao método adotado pelo professor. Nem sempre uma boa instituição escolar possui uma proposta consistente vai atingir todo mundo. É preciso ver como está a adaptação. Quando ela não acontece, os estudantes devem pensar em trocar de instituição.

Ao contrário dos métodos tradicionais que valorizam o conteúdo, a proposta da metodologia Waldorf é incentivar o conhecimento aliado ao sentimento do aluno. O conteúdo é apresentado de forma artística, por meio de filmes e histórias. O professor quer que o aluno desperte suas potencialidades e que se sinta confortável no mundo.

Outra questão a ser pensada pelos alunos e professores no momento de avaliar a metodologia adotada é a diferença entre o uso de livros didáticos e a leitura de obras originais de grandes autores. Em geral, livros-textos ou manuais têm uma capacidade de sintetizar mais o conteúdo, enquanto as grandes obras são mais densas, contextualizadas e aprofundadas.

Essa capacidade de sintetizar e organizar o conteúdo para facilitar a memorização dos livros-textos pode ser muito interessante para alunos de ensino médio, mas talvez seja um ponto negativo para os alunos universitários, que ainda não têm uma visão abrangente do conteúdo. Por outro lado, os “grandes livros de autores” são abrangentes, mas podem ser confusos para alunos que tenham dificuldades de organização mental na hora de estudar.

Os manuais são sucintos, mas podem ser aprofundadas na experiência da sala de aula. Mas, assim como livros, que são mais reflexivos, podem ser pouco trabalhados e perder essa característica de aprofundamento na matéria.

Os diversos métodos de ensino comumente adotados por professores distribuem-se entre:

  1. Conteudista: preocupa-se mais com conteúdos formais, sem focar tanto na individualidade do aluno ou no desenvolvimento de raciocínio lógico. A avaliação é feita principalmente por meio de provas.
  2. Construtivista: incentiva a construção do conhecimento pelo próprio aluno e valoriza o pensamento racional-dedutivo. A avaliação também é feita principalmente com provas, mas essas têm um caráter de diagnóstico do aprendizado do aluno, apontando o que pode ser melhorado.
  3. Interacionista: aborda o ensino com ênfase no desenvolvimento social ou método histórico-indutivo. O aprendizado decorre da compreensão do homem como um ser em contato com a sociedade. Os estudantes são incentivados a realizar trabalhos em grupo e o desenvolvimento é derivado da linguagem, podendo ser combinada com a construtivista. Apesar de também usar provas, conta com métodos de avaliação mais livres, como trabalhos em grupo.
  4. Waldorf: valoriza o bem estar do estudante no mundo e passa o conteúdo de maneira mais lúdica, por meio de filmes ou artes visuais. Adota como material didático, p.ex., posts-resenhas do blog do professor, mas propõe que o aluno construa o seu próprio material de consulta, no caderno pessoal, através de resenhas de livros e elaboração de PowerPoint de apresentações para sua turma. As avaliações dos alunos e dos cursos são contínuas e diversificadas, em diferentes formatos – como participação ativa em debates na sala-de-aula –, que são usados também como diagnóstico e base para os futuros trabalhos.

Saiba mais sobre método de ensino consultando:

http://www.ufrgs.br/psicoeduc/wiki/M%C3%A9todos_de_ensino-

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