Eco-nomista e Narciso

Ranking 1 a 10Ranking 11 a 25Ranking 26 a 293Havia um ortodoxo chamado Narciso. Sua Academia, ansiosa por saber o destino profissional do estudante, consultou à deusa Capes, que emitiu um parecer via double-blind peer review:

Será ele reconhecido por revisão paritária ou arbitragem (refereeing em inglês)?

Desde que não leia a si mesmo, respondeu Capes. Assim, a Academia providenciou que o estudante dileto nunca lesse seu texto publicado em português.

O jovem acreditou ter uma inteligência única – e sua Academia cuidou de divulgar essa auto validação ilusória. Ele passou a ser admirado por todos ortodoxos quantos encontrava. Embora nunca tivesse lido o próprio texto, pressentia, pelas reações dos seus pares, que era inteligente; mas não conseguia ter certeza, e dependia que lhe dissessem quão inteligente era para se sentir confiante e seguro. Assim, tornou-se um profissional muito voltado para si mesmo.

Narciso adotou a ideia do isolamento acadêmico em relação aos seus conterrâneos tapuias. Passou dez anos fazendo doutorado em Yale e exercendo docência na London School of Economics, quando só aprendeu ser esnobe. A essa altura, já recebera tantos elogios de seus colegas ortodoxos sobre sua inteligência que tinha começado a achar que ninguém, em sua terra natal, era digno de lê-lo em língua pátria.

No entanto, na Academia brasileira vivia uma heterodoxa chamada Eco-nomista. Ela desagradara a poderosa deusa Qualis por falar e escrever demais, em “blogs imundos”, para tupiniquins, e, exasperada, Qualis determinou que ela só poderia escrever em resposta a texto de outra pessoa ortodoxa, e, mesmo assim, só podia repetir as últimas palavras que fossem ditas.

Eco-nomista, então, passou a admirar, compulsoriamente, Narciso e o seguia pela Academia, na esperança de que ele lhe escrevesse alguma coisa – pois, de outro modo, não podia escrever em revistas ranqueadas. Mas Narciso estava tão absorto em si mesmo que não percebia que ela o seguia.

Um dia, por fim, o narcisista teve um seu artigo mais bem publicado – no “Top 5” (leia-se five, não “cinco”). Depois de muito estudar e pesquisar, arduamente, defendeu que o ajuste de preços é de fato mais lento do que os dados parecem indicar!

Era uma típica descoberta do óbvio. Quem lê e relê sempre os mesmos pares ortodoxos acaba por sofrer um certo retardamento em perceber as mudanças. Quando as percebe, crê ter feito uma descoberta. Mas é a descoberta do óbvio, ou seja, é uma redescoberta de coisas que o heterodoxo conhecia há muito tempo e se pasmava que os ortodoxos não as soubessem…

Eco-nomista aproveitou a rara oportunidade para lê-lo, de modo a atrair sua atenção.

— Quem está me lendo?, perguntou Narciso.

— … lendo?, foi a resposta da Eco-nomista.

— Vai-te embora!, gritou Narciso, zangado. Não pode haver nenhum diálogo entre os de sua laia e o inteligente Narciso!

— Narciso!, ecoou a heterodoxa, e se afastou envergonhada, murmurando à deusa Capes uma prece silenciosa para que aquele ortodoxo orgulhoso soubesse, um dia, o que era escrever em vão. E Ela a ouviu.

Narciso voltou à Academia brasileira com a finalidade de divulgar seus feitos entre alienígenas e, lendo-se, se achou diante do mais inteligente texto, tanto que jamais tinha lido outro igual. Apaixonou-se à primeira vista pelo deslumbrante autor que estava a sua frente. Buscou repeti-lo, mas o texto não ressurgiu. A página ficou em branco. Tão logo se relia, em inglês, a bela autoimagem ressurgia. Quando tentava pensar e exprimir-se em português, para os tapuias, desaparecia.

— Não me desprezes assim!, suplicou Narciso aos heterodoxos. Sou aquele a quem todos admiram em vão.

— Em vão…, lamentou-se Eco-nomista na rede social.

Inúmeras vezes Narciso se releu e tentou escrever, para recuperar a autoimagem encantadora, e em todas elas, como que a zombar dele, a autoimagem não reapareceu. Narciso passou horas, dias, semanas, fitando a página em branco, sem ensinar nem debater, apenas cantarolando: – “Deus é um cara gozador, adora brincadeira, Pois pra me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro, Mas achou muito engraçado me botar cabreiro, Na barriga da miséria, eu nasci economista brasileiro”. Mas seus lamentos apenas lhe eram devolvidos pela heterodoxa Eco-nomista: – brasileiro

Por fim, seu coração magoado parou de bater e ele jazeu, improdutivo, entre os tapuias da rede social. Os deuses Capes e Qualis comoveram-se diante da visão de tão inteligente cadáver e o transformaram na flor que hoje leva seu nome.

Quanto à infeliz heterodoxa Eco-nomista, que invocara tamanho castigo para a ortodoxia, não ganhou nada senão tristeza com o atendimento de sua prece. Definhou até não restar nada senão sua voz, e até hoje ainda lhe é concedida a última palavra.

Moral da História: O diálogo só pode florescer em um ambiente em que o mais importante seja ter empatia, e não só escrever, e isso só acontece quando ambos os indivíduos – o ortodoxo e o heterodoxo – têm consciência de si e estão aptos e dispostos a se comunicar. O termo “narcisismo” é usado na Psicologia para descrever a pessoa que é incapaz de se relacionar com outra pessoa que não ela mesma. Entre os economistas, isso se agrava com um ranking Qualis em que a ortodoxia é mimada e paparicada, portanto, nunca aprende a se ver como é alienada em relação ao que de fato importa. Quando não se avalia como uma pessoa real, jamais consegue confiar em pessoa diferente e menos ainda oferecer e receber sabedoria.

 

Fonte Bibliográfica: GREENE, Liz & SHARMAN-BURKE, Juliet. Uma Viagem Através dos Mitos. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor; 2001.

Fonte de inspiração:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/10/1689357-brasil-se-perde-no-debate-hetero-x-ortodoxos.shtml

Observação:

Economia é muito, mas muito mais que publicar “papers” em revista ranqueada. Narcisos, perguntem-se:

  1. caso sejam professores, se são bem avaliados por seus alunos,
  2. se já publicaram livros que são obras mais perenes (e acessíveis a outras gerações) do que artigos,
  3. por quantos leitores são lidos, costumeiramente,
  4. se tem audiência por parte de colegas que pensam diferente de vocês,
  5. se são, habitualmente, convidados para palestras fora de campus ou congressos,
  6. se não vivem de troca-de-favor com seus colegas estrangeiros,
  7. se já deram alguma contribuição à vida pública, ocupando cargos governamentais,
  8. se contribuem para o debate público, em mídia ou rede social, sobre o desenvolvimento socioeconômico brasileiro,
  9. se retribuem à sociedade que lhes pagou os estudos, seja em Universidades públicas, seja com bolsas de estudos no exterior, com trabalho gratuito de voluntariado social,
  10. se são apenas individualistas egocêntricos.

10 thoughts on “Eco-nomista e Narciso

  1. Ah!!! Fernando, é isto mesmo… Fazem eco ao que lá fora publicam e repetem à exaustão, até tornar-se verdade. Infelizmente, parte das universidades brasileiras esqueceu-se do compromisso que deveria ter com o desenvolvimento socioeconômico do pais e conduzem suas carreiras unica e exclusivamente por interesses pessoais. lastimável. Bjs, Gloria Moraes.

  2. Não é um tanto vergonhoso você criticar um dos poucos pesquisadores brasileiros que consegue ser um destaque internacional em pesquisa em economia? Ou de outra forma, um dos poucos que cumpre a obrigação de fazer pesquisa acadêmica de qualidade mundial?
    Reconheço a validade de todos os pontos que você colocou no final do seu texto, mas também é uma obrigação de cada acadêmico realizar pesquisa de importância. Isso define um acadêmico – produzir novo conhecimento. A sociedade realiza um gasto enorme com o financiamento da pesquisa, e cada pesquisador tem a obrigação de devolver esses valores em pesquisa e ensino de alto nível. A boa notícia é que essa cobrança sobre padrões de pesquisa está finalmente sendo efetivada nas universidades públicas e privadas no Brasil.
    Nas áreas que o Brasil consegue destaque em pesquisa (biologia, física, matemática, etc) existe uma valorização adequada da pesquisa internacional de alto nível nas avaliações de produtividade. Esse é o ponto que o Bernardo defende, e é bastante justo e correto. Chega a ser absurdo dizer que existe alguma vantagem em escrever textos apenas em português, já que isso restringe muito o público possível para o trabalho, e também é vergonhoso assumir que um pesquisador ou aluno de pós não consegue se comunicar ou escrever artigos em inglês.
    De passagem o Bernardo é um excelente professor, já formou uma nova geração de pesquisadores e é extremamente cordial, seja com pesquisadores ortodoxos ou heterodoxos, em começo ou topo de carreira. Já publicou vários livros, inclusive de divulgação científica, e tem contribuído de forma valiosa para o debate econômico nacional. Além disso, o trabalho dele sobre rigidez de preços é reconhecido mundialmente como inovador na análise de preços agregados, sendo citado como uma das principais referências sobre esse tema.

    1. Prezado Fábio,
      você vestiu uma carapuça alheia. Não nominei ninguém, pois acho a postura de colonizado cultural muito universal. Critiquei os narcisistas em geral.

      Mas, com honestidade intelectual, reconheci que a fonte de inspiração para meu post foi a leitura do texto do autor citado.

      O debate sobre o tema demonstra muita intolerância e falta de empatia entre os membros das diversas correntes de pensamento. Para começar, é necessário superar o monismo metodológico, i.é, a ideia de que os critérios de avaliação de Ciências Exatas e Naturais são os mesmos de que das Ciências Humanas e Sociais.

      No caso da Ciência Econômica, há uma longa tradição de pensamento latino-americano que rechaça a Tese Monoeconômica. Os países subdesenvolvidos possuem características econômicas distintas dos países industrializados avançados. A análise econômica tradicional, inspirada nestes últimos países, tem de ser modificada, em alguns aspectos importantes, quando se aplica aos países subdesenvolvidos. Graças em parte a esse pensamento autônomo, o Brasil se tornou um país com grande economia emergente.

      Essa tradição dialoga com toda a sociedade, i.é, lideranças empresariais, sindicais e políticas que representam os diversos interesses. Isto exige a língua pátria. Escrever e publicar em português de maneira alguma exclui publicar também em inglês para a divulgação internacional. Porém, impor a internacionalização à força, tipo só aceitando-se como passíveis de viabilizar verbas e bolsas, aulas e textos em inglês, levará apenas a maior colonização cultural dessa elite que dispensa a autonomia nacional.

      Discordo dessas “regras do jogo com cartas marcadas”. Só tem pontuação extra os autores e as revistas que se enquadram no pensamento mainstream e não tratam de problemas socioeconômicos locais. Não pode se avaliar com uma régua que só mede a produção ortodoxa. Os heterodoxos não têm nenhuma chance se não se subordinarem ao lado oposto e antagônico!

      Quanto ao Bernardo, não o conheço pessoalmente e não duvido de suas ótimas referências. Se minha modesta releitura do mito do Eco e Narciso servir para superar o narcisismo imperante nos que sofrem com a Síndrome do Regresso já terá cumprido seu papel.
      att.

  3. Eu discordo do seu comentário sobre “regras do jogo com cartas marcadas”. A avaliação atual no Brasil favorece enormemente as escolas heterodoxas, já que relativamente as revistas nacionais estão superavaliadas. A única revista nacional com fator de impacto é a RBE, com um fator de impacto quase zero (0.102 ou algo assim), enquanto que as demais nem fator de impacto têm. E os raros journals puramente heterodoxos tem notas A1 e A2, sendo que internacionalmente tem impacto quase nulo também. O comitê do qualis é dominado por heterodoxos.
    Mas tirando essa questão, não existe limitação de temas “heterodoxos” em revistas top. Um bom exemplo é o Stiglitz, que declaradamente sempre teve uma agenda heterodoxa – como ele mesmo escreveu um dos objetivos dele era formalizar adequadamente as idéias do Kalecki. Da mesma forma toda a teoria de decisão do Kahneman foge do aqui é chamado de neoclássico, mas sempre foi publicada em períodicos top.
    Racionalidade limitada, problemas de coordenação, ineficiências de mercado, ausência de equilíbrio, tudo isso é tema comum de pesquisa.
    Se você olhar a pesquisa recente existem vários artigos com temas e problemas brasileiros em revistas top. Um exemplo recente é sobre o impacto positivo da votação eletrônica sobre acesso a saúde e redução da desigualdade no Brasil que foi publicado na Econometrica.
    Existe pesquisa boa e pesquisa ruim. A boa é publicada em bons journals, e a ruim sobrevive devido a essa proteção de mercado. Só que felizmente isso está mudando. Quando você olha para o próprio encontro da Anpec a maioria dos trabalhos está convergindo para o uso de métodos padrão em economia.

    1. Prezado Fábio,
      só algumas poucas observações, embora eu sinta que você não tem a menor empatia com a posição de colegas que pensam distintamente de você.

      1. depois de muito tempo, finalmente, foi reconhecido por um comitê de mais bom senso que algumas boas revistas classificadas como “heterodoxas” — fora do mainstream — são também merecedoras de avaliações superiores.

      2. uma mente colonizada só aceita o padrão monoeconômico de origem norte-americana e não aceita diferenças de métodos de análise econômica, equivocando-se em termos epistemológicos.

      3. a epistemologia é o estudo dos postulados, conclusões e métodos dos diferentes ramos do saber científico, ou das teorias e práticas em geral, avaliadas em sua validade cognitiva, ou descritas em suas trajetórias evolutivas, seus paradigmas estruturais ou suas relações com a sociedade e a história, ou seja, a Teoria da Ciência reconhece o pluralismo metodológico e critica a “convergência para o uso de método-padrão em Economia”.

      4. o argumento em termos de etiquetas ou nomes de ganhadores de Prêmio Nobel de Economia é meio frágil, não? Algum deles teria um artigo negado em qualquer revista?!

      5. confesso que há muito tempo deixei de ter saco de ler o que você considera “bons journals” e seus artigos academicistas, isto é, de autores que acreditam que chatice é precisão.

      6. tendo acumulado conhecimento teórico e capacidade analítica, prefiro ler boas reportagens econômicas e relatórios estatísticos do que essa produção academicista, pouco me importando com os chamados “argumentos de autoridades”.

      7. acho uma bobagem essa medição de “fator de impacto”: citação de (poucos) colegas que trocam favor entre si?! Pasme, mas prefiro saber o impacto do meu modesto blog, que recebe cerca de 5.000 leitores/dia útil e já acumulou mais de 4.000.000 visitas. Confesso que nunca vi nenhum registro de número de leitores — ou mesmo de assinaturas — dessas revistas que você acha que são depositárias de “o máximo de saber econômico acumulado”…

      8- ah, o artigo citado demonstra que o fato do curso de graduação do IE-UNICAMP ter sido classificado em primeiro lugar no Ranking Universitário da Folha, em 2015, incomodou muito professores intolerantes dos demais cursos “brasileiros” que se imaginam “internacionais”. Não reconhecem o valor alheio e acham que o problema está no critério de avaliação não ser somente favorável a eles.
      att.

  4. Fernando

    É claro que você pode ter seus pontos de vista. Mas o problema é que cada professor universitário em RDIDP tem a obrigação de pesquisar e publicar. Parte do salário corresponde explicitamente a isso. Se você não publica está apenas se apropriando do dinheiro público. São igualmente importantes as atividades de ensino, extensão, pesquisa e comunicação científica. Tanto que diversos professores na Usp e Unicamp estão sendo colocados em regime de dedicação parcial por não cumprirem o compromisso de pesquisa, inclusive alguns professores titulares.
    Quanto as revistas heterodoxas, não tenho nada contra elas. Mas uma avaliação tem que ser feita pelo consenso geral da comunidade acadêmica, e não apenas favorecer os interesses da própria comissão. Mesmo porque revistas de alto nível com artigos heterodoxos, como o Journal of Economic Behaviour and Organization tem classificação pior que coisas como o “New Left Review”, que nem é um periódico acadêmico.
    Os rankings de pesquisa são muito similares, seja nos EUA, Reino Unido, França, etc. Existe um consenso do que é importante. Um exemplo atual é o Piketty – olhe a lista de publicações e veja se ele divulgou o trabalho dele em revistas heterodoxas.
    O Stiglitz foi laureado pelos trabalhos que publicou, não pelas opiniões da mídia. E só chegou nesse nível devido ao trabalho acadêmico, senão seria apenas mais um palpiteiro no mercado. Prẽmios Nobel tem frequentemente artigos rejeitados depois da premiação. Há um trabalho sobre isso muito bom:
    https://www.aeaweb.org/articles.php?doi=10.1257/jep.8.1.165

    Gans, Joshua S., and George B. Shepherd. 1994. “How Are the Mighty Fallen: Rejected Classic Articles by Leading Economists.” Journal of Economic Perspectives, 8(1): 165-179.
    DOI: 10.1257/jep.8.1.165

    Abstract

    The authors asked the world’s leading economists to describe instances in which journals rejected their articles. More than sixty essays, by a broadly diverse group that includes fifteen Nobel Prize winners, indicate that most have suffered publication rejection, often frequently. Indeed, journals have rejected many papers that later became classics. The authors discuss the prize-winners’ experiences, other notable cases, and rejections by John Maynard Keynes when he edited the Economic Journal. Finally, they search in economists’ almost universal experience of rejection for patterns and lessons about the publication process.

    Inclusive acho que tem um comentário do Roberto Solow dizendo que o trabalho dele foi rejeitado por ser claramente de um autor sem experiência em pesquisa. O artigo do Black and Scholes foi rejeitado 7 vezes e demorou 5 anos para ser publicado. A competição é brutal, e o que vc chama de troca de favores raramente acontece em journals de alto nível.
    Obviamente é muito mais prazeiroso escrever em um blog. Em primeiro lugar porque você não é rejeitado e pode escrever qualquer coisa. Se o número de acessos for uma medida de qualidade então o Rodrigo Constantino deveria ganhar o prêmio Nobel de Economia.

    1. Prezado Fábio,
      só duas coisas:

      1. Cuidado com falsas informações e/ou falsas aparências: trabalho na UNICAMP há 30 anos e não tenho conhecimento de nenhum caso desses narrados por ti, pelo contrário, há Relatórios de Atividade quadrienal obrigatórios de serem julgados por avaliadores externos. Assim, embora eu exerça “a atividade muito mais prazeirosa de escrever em um blog” — nem sempre, pois aparecem alguns chatos em Comentários –, eu não deixo de pesquisar e escrever em outros veículos, principalmente, gosto de escrever livros e textos para discussão em que não tenho de esperar 2 anos para serem publicados. Para registrar, meu memorial para Concurso Titular, com todas as atividades, desde o concurso de livre-docência ultrapassou 100 páginas contabilizando todas minhas atividades. E mereceu 10 da banca julgadora.

      2. Se meu blog não tem qualidade, você não deveria estar aqui perdendo seu tempo nele. Estaria talvez se sentindo melhor lendo o citado que, por sinal, nunca visitei…
      att.

  5. Fernando

    Não citei nenhum nome em particular. Mas efetivamente estão sendo realizadas mudanças de dedicação integral para dedicação parcial nas estaduais, em parte devido ao problema de orçamento, mas motivadas por produtividade. Se tiver alguma dúvida olhe o diário oficial do estado com comunicados das reitorias de mudança de regime.
    Também não falei nada sobre a qualidade do seu blog, o que seria estranho já que estou comentando aqui. Só acho que é preciso discutir algumas questões com cuidado. Acho que felizmente há uma mudança de mentalidade na academia brasileira, e isso é uma coisa boa.

  6. Prezado Prof. Fernando,

    Não sei se você tem ciência do capítulo que se desenrola na França há alguns meses a respeito deste debate sobre o ensino da nossa disciplina. Em sendo você um dos representantes de peso entre os heterodoxos no Brasil, tomo a liberdade de sugerir que este tema seja novamente objeto de reflexão sua neste blog, que vem cada vez mais se consolidando como uma excelente alternativa ao “mais do mesmo” no debate sobre economia no nosso país. Enfim, o “resumo da ópera”:

    Economistas heterodoxos franceses, insatisfeitos com o viés dos critérios de avaliação e tudo o mais, tentaram criar uma divisão no Comitê Nacional de Universidades (CNU). Pleitearam sair da categoria “Ciências Econômicas” para uma nova, “Economia e Sociedade”. Jean Tirole, ortodoxo e prêmio Nobel, com toda a empáfia peculiar aos neoclássicos et caterva, enviou uma carta ao Ministério da Educação contra a divisão: ( http://assoeconomiepolitique.org/wp-content/uploads/Lettre-de-jean-Tirole.pdf.)

    Nesta carta, alegando que seria uma catástrofe, ele sugere o embargo à iniciativa. Sem o menor pudor, oferece-se para coordenar uma “amostra representativa de pesquisadores de renome internacional (vencedores de prêmios Nobel – sic)”, para julgar o mérito deste pleito. Pois é, “um economista liberal pedindo ajuda ao Estado para o monopólio na ordem universitária”.

    A carta teve uma resposta contundente e provocadora dos economistas heterodoxos, que expõem brevemente algumas razões para o dissenso. (http://assoeconomiepolitique.org/lettre-ouverte-jean-tirole-la-diversite-intellectuelle-nest-pas-source-dobscurantisme-et-de-relativisme-mais-dinnovations-et-de-decouvertes/#more-3386)

    Além disso, elaboraram um documento intitulado “Para que servem os economistas se eles dizem todos a mesma coisa? – Manifesto por uma Economia Pluralista”, que explora mais detalhadamente: (http://assoeconomiepolitique.org/wp-content/uploads/manifeste_pour_une_economie_pluraliste-AFEP.pdf. )

    Gostaria de partilhar porque diz respeito a uma realidade dos cursos em todo o mundo. Não em vão que estudantes se uniram e escreveram uma carta proclamando a Iniciativa Internacional dos Estudantes pelo Pluralismo em Economia. A meu ver, a situação no Brasil não está tão dramática quanto na França, mas se nada for feito veremos cada vez mais nossos cursos tornarem-se menos plurais. Veja a vontade com a qual querem tirar o peso da prova de Economia Brasileira da ANPEC (onde ela ainda representa algo), por exemplo…

    Abraço,

    Vinícius

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