Risco de Liquidez Estrutural do Sistema Bancário

ILEO risco de liquidez estrutural ocorre quando ativos de longo prazo – os ativos e os passivos com maturidade acima de um ano – são financiados com recursos que podem ser exigidos no curto e no médio prazo. Para que não ocorram problemas futuros de liquidez, esses ativos necessitam de funding compatível com sua estrutura de vencimentos.

Para mensurar esse risco, o Banco Central do Brasil construiu o ILE, que corresponde à razão entre:

  1. os recursos estáveis disponíveis – formados pelas captações que a instituição espera manter no horizonte de um ano (recursos de terceiros) e pelo capital (recursos próprios) – e
  2. os recursos estáveis necessários – representados pelo total de ativos, até mesmo fora de balanço, com prazos acima de um ano e/ou baixa liquidez.

Um índice superior a 1,0 (100%) sugere uma estrutura de funding adequada ao tipo de negócio da instituição financeira.

Os recursos estáveis disponíveis e necessários são calculados com base na soma dos saldos das contas passivas (incluindo-se o patrimônio) e ativas, respectivamente, após a aplicação de fatores de ponderação, que refletem:

  1. o grau de exigibilidade – quanto maior o ponderador (0% a 100%), maior a estabilidade do funding e
  2. o grau de liquidez – quanto maior o ponderador (0% a 100%), maior a necessidade de o ativo ser financiado com recursos estáveis – desses componentes.

As informações de prazos e contrapartes são obtidas nas centrais de registro e custódia e no Sistema de Informações de Crédito (SCR).

Na análise da liquidez estrutural do sistema bancário via evolução do ILE (Gráfico 1), pode-se observar os efeitos das mudanças ocorridas no Sistema Financeiro Nacional (SFN) nos últimos anos.

A ampliação de instrumentos de captação com maior maturidade, como Letras Financeiras (LF), e aqueles direcionados a clientes de varejo – principal fonte de financiamento estável dos bancos (Gráfico 2) –, tais como emissões de Letras de Crédito (LCI e LCA) e depósitos de poupança, elevaram a participação das captações consideradas como recursos estáveis disponíveis no passivo total, que passaram de 63% em dezembro de 2011 para 66% em junho de 2015.

No lado do ativo, o crescimento de modalidades de crédito mais longas como crédito consignado e imobiliário, que constituem a principal exigência por funding estável (Gráfico 3), juntamente com o aumento de títulos de baixa liquidez – Títulos Públicos Federais (TPFs) vinculados a garantias e títulos privados sem liquidez no mercado secundário – e outros ativos de longo prazo, tais como créditos tributários e participações societárias, elevaram a necessidade por recursos estáveis, saindo de 56% dos ativos totais em dezembro de 2011 para 62% em junho de 2015.

O processo de alongamento de captações e concessão de empréstimos de longo prazo perde força a partir de meados de 2014, fazendo com que o ILE, que vinha se reduzindo gradativamente, esteja praticamente estável e em nível acima do mínimo desejável (1,07 em junho de 2015).

Assim, o Banco Central do Brasil afirma que as instituições financeiras têm conseguido alongar as operações de crédito e viabilizar a continuidade do processo de intermediação financeira sem comprometer a gestão do risco de liquidez estrutural.

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