Sapiens: Uma Breve História da Humanidade

SapiensO livro de Yuval Noah Harari é um best-seller mundial. Lançado no Brasil em 2015 pela editora L&PM, é de fácil e extremamente interessante leitura, inclusive para uma nova reflexão sobre Economia Evolucionária. A obra é interdisciplinar, embora o autor possa ser designado como um biólogo evolucionista.

Paleontologia é a ciência que estuda as formas de vida existentes em períodos geológicos passados, a partir dos seus fósseis. Harari utiliza as descobertas paleontológicas em uma narrativa histórica consistente. Escreve um texto fluído e ágil como o jornalístico. Apresento, em seguida, uma série de posts como amostras do livro que recomendo a leitura.

“Há cerca de 13,5 bilhões de anos, a matéria, a energia, o tempo e o espaço surgiram naquilo que é conhecido como o Big Bang. A história dessas características fundamentais do nosso universo é denominada Física.

Por volta de 300 mil anos após seu surgimento, a matéria e a energia começaram a se aglutinar em estruturas complexas, chamadas átomos, que então se combinaram em moléculas. A história dos átomos, das moléculas e de suas interações é denominada Química.

Há cerca de 3,8 bilhões de anos, em um planeta chamado Terra, certas moléculas se combinaram para formar estruturas particularmente grandes e complexas chamadas organismos. A história dos organismos é denominada Biologia.

Há cerca de 70 mil anos, os organismos pertencentes à espécie Homo sapiens começaram a formar estruturas ainda mais elaboradas chamadas culturas. O desenvolvimento subsequente dessas culturas humanas é denominado História.

Três importantes revoluções definiram o curso da história.

  1. A Revolução Cognitiva deu início à história, há cerca de 70 mil anos.
  2. A Revolução Agrícola a acelerou, por volta de 12 mil anos atrás.
  3. A Revolução Científica, que começou há apenas 500 anos, pode muito bem colocar um fim à história e dar início a algo completamente diferente.

Este livro de Yuval Noah Harari conta como essas três revoluções afetaram os seres humanos e os demais organismos.

Muito antes de haver História, já havia seres humanos. Animais bastante similares aos humanos modernos surgiram por volta de 2,5 milhões de anos atrás. Mas, por incontáveis gerações, eles não se destacaram da miríade de outros organismos com os quais partilhavam seu habitat.

Em um passeio pela África Oriental de 2 milhões de anos atrás, você poderia muito bem observar certas características humanas familiares:

  • mães ansiosas acariciando seus bebês e bandos de crianças despreocupadas brincando na lama;
  • jovens temperamentais rebelando-se contra as regras da sociedade e idosos cansados que só queriam ficar em paz;
  • machos orgulhosos tentando impressionar as beldades locais e velhas matriarcas sábias que já tinham visto de tudo.

Esses humanos arcaicos amavam, brincavam, formavam laços fortes de amizade e competiam por status e poder – mas os chimpanzés, os babuínos e os elefantes também. Não havia nada de especial nos humanos. Ninguém, muito menos eles próprios, tinha qualquer suspeita de que seus descendentes um dia viajariam à Lua, dividiriam o átomo, mapeariam o código genético e escreveriam livros de história. A coisa mais importante a saber acerca dos humanos pré-históricos é que eles eram animais insignificantes, cujo impacto sobre o ambiente não era maior que o de gorilas, vaga-lumes ou águas-vivas.

Os biólogos classificam os organismos em espécies. Consideram que os animais pertencem a uma mesma espécie se eles tendem a acasalar uns com os outros, gerando descendentes férteis.

Cavalos e jumentos têm um ancestral recente em comum e partilham muitos traços físicos, mas demonstram pouco interesse sexual uns pelos outros. Acasalam entre si se forem induzidos a isso – entretanto seus descendentes, chamados mulas, são estéreis. Mutações no DNA dos jumentos podem nunca ter passado para os cavalos, e vice-versa. Os dois tipos de animais são consequentemente considerados duas espécies diferentes, trilhando caminhos evolucionários distintos.

Já um buldogue e um spaniel podem ser muito diferentes em aparência, mas são membros da mesma espécie, partilhando a mesma informação de DNA. Acasalam entre si alegremente, e seus filhotes, ao crescer, cruzam com outros cachorros e geram mais filhotes.

As espécies que evoluíram de um mesmo ancestral são agrupadas em um “gênero”. Leões, tigres, leopardos e jaguares são espécies diferentes do gênero Panthera. Os biólogos nomeiam os organismos com um nome duplo latino, o gênero seguido da espécie. Os leões, por exemplo, são chamados Panthera leo, a espécie leo do gênero Panthera. Ao que tudo indica, todos os que estão lendo este livro são Homo sapiens – a espécie sapiens (sábia) do gênero Homo (homem).

Os gêneros, por sua vez, são agrupados em famílias, como a dos felídeos (leões, guepardos, gatos domésticos), a dos canídeos (lobos, raposas, chacais) e a dos elefantídeos (elefantes, mamutes, mastodontes). Todos os membros de uma família remontam a um mesmo patriarca ou matriarca original. Todos os gatos, por exemplo, dos menores gatos domésticos ao leão mais feroz, têm em comum um ancestral felídeo que viveu há cerca de 25 milhões de anos.

O Homo sapiens também pertence a uma família. Esse fato banal costumava ser um dos segredos mais bem guardados da história. Durante muito tempo, o Homo sapiens preferiu conceber a si mesmo como separado dos animais, um órfão destituído de família, carente de primos ou irmãos e, o que é mais importante, sem pai nem mãe. Mas isso simplesmente não é verdade. Gostemos ou não, somos membros de uma família grande e particularmente ruidosa chamada grandes primatas.

Nossos parentes vivos mais próximos incluem os chimpanzés, os gorilas e os orangotangos. Os chimpanzés são os mais próximos. Há apenas 6 milhões de anos, uma mesma fêmea primata teve duas filhas. Uma delas se tornou a ancestral de todos os chimpanzés; a outra é nossa avó.

4 thoughts on “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade

  1. Prezado Fernando,

    por mais que a ciência nos prove que somos descendentes diretos de um ancestral comum ao homem, neste caso os hominídeos, muitas culturas – a nossa é o principal exemplo -, ainda insistem em acreditar que somos uma obra de Deus, algo completamente absurdo sem qualquer evidência plausível, detectável, provável.

    E por incrível que possa parecer, o STF (Supremo Tribunal Federal), na condição de ser explicitamente criacionista, a favor das cresças populares em detrimento do avanço científico (uma vergonha em todos os sentidos), aprovou uma lei que torna o ensino confessional no Brasil obrigatório nas escolas públicas). Vide: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-09/decisao-do-stf-sobre-ensino-religioso-pode-desorganizar-gestao-das-escolas

    Imagine em pleno século XXI os professores rezando o pai nosso todos os dias no começo das aulas; realmente nosso povo merece ser uma das nações mais atrasadas do planeta, a prova está crença, cultura e principalmente educação.

    Os criacionistas estão de parabéns, vamos dar a eles o prêmio IGNOBEL (o Nobel dos idiotas). Abs.

    1. Prezado Reinaldo,
      estava saudoso de seus pertinentes comentários.

      A regressão pela qual o País passa me levou a algo que eu evitava: “o complexo de vira-lata do brasileiro”.

      Jamais imaginei que regrediríamos a ponto de voltar, depois de séculos, uma destruição do Estado laico ou secular. Estão destruindo o relacionamento secular entre civis ateus e religiosos, que não diz respeito aos dogmas da igreja.

      Como reagirmos, nós que não nos enquadramos a uma ordem religiosa? Pelo ódio seria equivocado. Temos de enfrentar o debate.

      Não fizemos votos religiosos, vivemos no século, no mundo. Assim como nós, todos os religiosos devem cumprir os deveres da vida civil para uma boa civilidade, civilização que permite a convivência coletiva de ateus e religiosos.
      abs

  2. Prezado Fernando,

    nos últimos seis meses a intensidade dos trabalhos, estudos e novos desafios me fizeram parar de escrever e até meu blog ficou esquecido, estou retomando essa atividade aos poucos, tenho lido constantemente seu blog e estava ansioso em fazer comentários.

    Ao analisar o posicionamento dos religiosos com relação à visão de cosmos o que podemos notar é um equívoco cada vez mais intenso na própria interpretação da realidade vivida, ainda mais intensificada com a crise atual. Em momentos de dificuldades as pessoas com alguma crença religiosa perdem o ciclo do pensamento que se desloca do humano para o não humano, através de uma fé cega que abduz (sequestra) a mente; essas pessoas são conduzidas para um circuito completamente vicioso e sem saída tornando-as reclusas, inseguras; o ódio passa a substituir o bom senso.

    A realidade não é e nunca foi linear, por isso ocorre uma dificuldade do pensamento fechado na crença em entidades e amparado por doutrinas arbitrárias e inválidas seguir o curso e completar o ciclo normal de resolução de algum tipo de problema.

    Quando as pessoas doutrinadas e crentes de que há uma saída para suas crises ou as crises que afetam seus semelhantes, estarem fora do âmbito puramente humano, apelam constantemente para algum tipo de gap (lacuna), preenchida pela doutrina imposta a elas pelas igrejas, seitas, bíblias, etc. Segue uma síntese neste poste: Como atingir a razão esclarecida sobre nossas crenças, valores e interpretações da realidade: https://rcristo.com.br/2017/03/15/como-atingir-a-razao-esclarecida-sobre-nossas-crencas-valores-e-interpretacoes-da-realidade/

    O pensamento começa no humano e termina com o humano, não há nada além do humano (ou biológico no sentido mais amplo do termo ou até mesmo cibernético – nossas máquinas podem adquirir pensamento e se tornarem vivas com o passar do tempo, é plausível, mas ainda assim continuarão sendo exclusivamente um produto do desenvolvimento humano); precisamos formar alunos, pensadores, educadores, professores que percebam e qualifiquem seus próprios pensamentos para que a luz do esclarecimento possa iluminar suas mentes.

    Um exemplo espetacular de pensamento humano com foco no puramente humano é o hábito que os Ateus ricos têm em dedicar a maior parte de suas riquezas para fins filantrópicos. Ex: Bill Gates, Charles Feeney: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39160705

    Inclusive esse seria um ótimo assunto para suas aulas de economia, cuja riqueza só valeria à pena no sentido de melhorar o ser humano. Abs.

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