“Cansei” de Política e Economia na Rede Social

Repetição de erroEstevão Taiar (Valor, 23/10/15) informa que, apesar do espaço das notícias de Política e Economia imposto pelo PiG (Partido da Imprensa Golpista), devido à violenta campanha sistemática contra o governo democraticamente eleito, a população brasileira se sente cada vez mais distante de ambos os temas. É isso o que foi detectado pelo Índice de Impacto e Perspectivas Brasil (IP Brasil), indicador semanal que mede tanto o alcance que a discussão de um tema teve nas redes sociais e nas seções opinativas da imprensa quanto a avaliação de todos esses formadores de opinião sobre o assunto. Mais de 1,2 milhão de posts, colunas e editorias entram na análise.

Em relação à Política, o sentimento é de distância entre o que acontece em Brasília e o que acontece no resto do país. “Há uma percepção de que não vale a pena discutir Política, porque os políticos só debatem o que interessa a eles próprios”, diz Marilia Stabile, sócia e diretora-geral da .MAP, empresa criadora do IP Brasil.

Os dados coletados pela empresa ilustram essa tese. Em uma escala de zero a 100%, o IP Política chegou a 36%, número que ilustra a má avaliação que o público tem do assunto. Quanto mais próximo de zero, pior a avaliação. Em termos de difusão, ele ocupou 40% das discussões, em comparação com 52% na semana passada.

Na Economia, o sentimento de distância também está presente, mas é ainda mais forte a percepção de desistência, de que a situação não vai melhorar. O assunto ocupou apenas 17% das discussões de uma semana para cá. Geralmente, essa taxa fica em 40%.

“Para o público, pior do que está, não fica, então é melhor nem discutir”, diz Marilia. “O discurso técnico usado pelos economistas também não ajuda. Nada disso vai pagar as contas do cidadão no final do mês.”

O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), de 59 anos, ex-presidente da seção do Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB- RJ), foi preponderante para fortalecer a defesa governista que busca sufocar o movimento de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. É uma ameaça à soberania popular, cuja maioria a elegeu em dois turnos eleitorais. Foi dele um dos mandados de segurança que levaram o Supremo Tribunal Federal (STF) a barrar os planos da oposição e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

A vitória no STF, que concedeu liminar que ainda será julgada pelo pleno do tribunal, é relatada como uma façanha que exigiu estratégia cumprida com sangue-frio e discrição.

A decisão de ir ao Supremo, conta Damous, já estava tomada desde que Eduardo Cunha recusou o recurso do PT contra o rito adotado para eventual pedido de impeachment da presidente. Por esse rito, o plenário poderia recorrer e acolher, por maioria simples, o pedido, caso ele, Cunha, não aceitasse.

Damous diz que precisava esperar até o exato momento em que o presidente da Câmara e a oposição estivessem prestes a pôr o plano em ação, para agir logo antes, de surpresa. Cunha prometia decidir sobre os pedidos de impeachment até a terça-feira, 13 de outubro de 2015. “Ingressamos com o mandado de segurança na sexta-feira, antes do fim de semana, para que a imprensa não soubesse. E ainda tivemos o feriado, na segunda, dia 12, o que nos favoreceu.”

Na terça, pela manhã, o ministro Teori Zavascki concedeu liminar a Damous. No mesmo dia, a ministra Rosa Weber concedeu outras duas liminares no mesmo sentido, para um mandado de segurança de Rubens Pereira Júnior e para uma reclamação de Paulo Teixeira e o também deputado Paulo Pimenta (RS). Funcionava a estratégia da bancada jurídica do PT.

Entre os argumentos dos deputados/advogados está o de que o impeachment não pode ser regido pelo Regimento Interno da Câmara, e sim pela lei 1.079, de 1950, embora esta última tenha uma série de lacunas. “A lei prevê o início, mas não o meio do processo”, afirma Damous. Neste caso, argumenta, a solução seria a criação de uma nova lei ou que o Supremo dê sua interpretação, para questões como prazos de defesa e quórum de votação.

Damous diz que as “regras precisam ser claras antes de o jogo começar” e que, apesar de o impeachment ter um componente político, não pode ser sumário ou arbitrário, como ocorreu com o ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em 2012. “Não tem cabimento se, toda vez que um governante estiver mal avaliado, ele for alvo de impeachment. Institutos de pesquisa, como o Ibope, não são fonte do direito”, afirma o parlamentar.

Na verdade, a oposição adotou como tática política o “quanto pior, melhor para o golpismo”. Com a manipulação midiática, criou uma falsa expectativa na ala direitista da população, ao apostar na rejeição das contas do governo Dilma, pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Como Damous afirma, “a decisão do TCU, do qual aliás defendo a extinção, não serve para nada. É um órgão inútil. Ele só leva o nome de tribunal, o que não é o caso. É um grupo de apaniguados, de indicados políticos, sem maiores méritos“.

One thought on ““Cansei” de Política e Economia na Rede Social

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s