Visão Global e Interdisciplinar de Biólogo Evolucionista

social-darwinismEm outro trecho do livro de Yuval Noah Harari, “Sapiens – uma breve história da humanidade”, tópico que ele denomina “A Visão Global”, dá para ver bem como a Ciência Contemporânea tende a se mesclar. No caso, o biólogo transpõe a repartição da realidade, realizada entre as Ciências Sociais Afins – Econômica, Política e Sociológica –, e trata seus temas sob uma perspectiva evolucionista.

De uma perspectiva prática, o estágio mais importante do processo de unificação global ocorreu nos últimos séculos, quando os impérios cresceram e o comércio se intensificou. Ligações cada vez mais próximas se formaram entre os povos da Afro-Ásia, América, Austrália e Oceania. Assim, pimentas mexicanas foram parar na comida indiana, e o gado espanhol começou a pastar na Argentina.

Mas, de uma perspectiva ideológica, um avanço ainda mais importante ocorreu durante o primeiro milênio a.C., quando a ideia de ordem universal criou raízes. Antes, durante milhares de anos, a história já estava se movendo lentamente rumo à unidade global, mas a ideia de uma ordem universal que governasse o mundo inteiro ainda era estranha para a maioria.

O Homo sapiens evoluiu para achar que as pessoas se dividiam entre “nós” e “eles”. “Nós” era o grupo imediatamente à sua volta, independentemente de quem você fosse, e “eles” eram todos os outros.

Na verdade, nenhum animal social jamais é guiado pelos interesses de toda a espécie à qual pertence. Nenhum chimpanzé se importa com os interesses da espécie chimpanzé, nenhuma lesma levantará um tentáculo em nome da comunidade global de lesmas, nenhum leão macho alfa tem intenção de se tornar o rei de todos os leões, e ninguém encontrará na entrada de uma colmeia o slogan “Abelhas-operárias do mundo, uni-vos!”.

Porém, desde a Revolução Cognitiva, o Homo sapiens se tornou cada vez mais excepcional a esse respeito. As pessoas começaram a cooperar regularmente com completos estranhos, que elas imaginavam como “irmãos” ou “amigos”.

Mas essa irmandade não era universal. Em algum lugar no vale vizinho, ou depois de uma cadeia de montanhas, ainda era possível identificar quem eram “eles”.

Quando o primeiro faraó, Menés, unificou o Egito por volta de 3000 a.C., ficou claro para os egípcios que havia uma fronteira e que, depois dessa fronteira, os “bárbaros” estavam à espreita. Os bárbaros eram forasteiros, ameaçadores e interessantes apenas na medida em que tinham terras ou recursos naturais que os egípcios desejavam. Todas as ordens imaginadas que as pessoas criavam tendiam a ignorar uma parte considerável da humanidade.

O primeiro milênio a.C. testemunhou o aparecimento de três ordens potencialmente universais, cujos devotos, pela primeira vez, podiam imaginar o mundo inteiro, e a raça humana inteira, como uma unidade governada por um único conjunto de leis. Todos eram “nós”, pelo menos potencialmente. Não havia mais “eles”.

  1. A primeira ordem universal a surgir foi econômica: a ordem monetária.
  2. A segunda ordem universal foi política: a ordem imperial.
  3. A terceira ordem universal foi religiosa: a ordem das religiões universais como o budismo, o cristianismo e o islamismo.

Mercadores, conquistadores e profetas foram os primeiros:

  1. a conseguir transcender a divisão evolutiva binária entre “nós” e “eles”, e
  2. a prever a potencial unidade da raça humana.

Para os mercadores, o mundo inteiro era um único mercado e todos os humanos eram clientes em potencial. Eles tentaram estabelecer uma ordem econômica que se aplicasse a todos, em todos os lugares.

Para os conquistadores, o mundo inteiro era um único império e todos os humanos eram súditos em potencial.

Para os profetas, o mundo inteiro carregava uma verdade única, e todos os humanos eram crentes em potencial.

Eles também tentaram estabelecer uma ordem que se aplicasse a todos, em todos os lugares.

Durante os últimos milênios, as pessoas fizeram cada vez mais tentativas ambiciosas de concretizar essa visão global. Em três capítulos do livro “Sapiensuma breve história da humanidade”, Yuval Noah Harari discute como o dinheiro, os impérios e as religiões universais se espalharam e como assentaram as bases do mundo unificado de hoje.

Começa com a história do maior conquistador de todos os tempos, um conquistador imbuído de extrema tolerância e capacidade de adaptação, que transformou, assim, as pessoas em discípulos fervorosos. Esse conquistador é o dinheiro.

Pessoas que não acreditam no mesmo deus nem obedecem ao mesmo rei estão mais do que dispostas a utilizar o mesmo dinheiro. Osama bin Laden, apesar de todo o ódio pela cultura, religião e política norte-americanas, adorava dólares. Como o dinheiro teve êxito onde deuses e reis fracassaram?

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