Depressão versus Esperança

DesempregoEconomista fala em depressão… e goza! Adora uma depressãozinha para controlar a inflação e evitar a eutanásia do rentista. Ele faz diagnóstico, receita terapia, usar termos como “complexo”, talvez porque sofra de complexo de inferioridade frente aos médicos. Os termos médicos não necessariamente vêm de um mundo à parte. Muitas vezes vêm do vocabulário comum, da vida comum, do dia-a-dia. A parte dos estudos linguísticos que se ocupa da origem e da evolução das palavras é a “etimologia”. Essa palavra é parecida com “etiologia”, muito usada em medicina. Fazem parte de “etiologia” os elementos gregos “etio”, que significa “causa”, e “logia”, que significa… Bem, doutor, agora é com você.

Depressão X EsperançaMarinete Veloso (Valor, 22/09/15) resenha o livro “Depressão Versus Esperança” de autoria de Eunice Mendes (232 págs., R$ 25,00, AGWM). Sua leitura pode ser útil para muita gente deprimida neste momento de depressão econômica. Aí, os doutores-economistas (PhDs formados na Escola de Chicago) sabem como eles a causaram, mas não como sair dela…

A depressãouma tristeza que não passa nunca, deixando a pessoa incapaz de reagir ao sofrimento e aos fatos. Esta definição, simples e direta, é dada por Eunice Mendes, no recém-lançado “Depressão Versus Esperança“, livro em que conta como foi descobrir-se portadora da doença, em nível crônico, e o que fez para superá-la.

De acordo com estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem, no mundo, mais de 350 milhões de casos de depressão, conhecida como uma das doenças que mais incapacitam pessoas. A OMS prevê que, na década de 2020-2030, será a doença mais comum no planeta. No Brasil, há cerca de 13 milhões de casos, o que já a classifica como . “Pior do que isso é constatar que [como também informa a OMS] 75% dos doentes não recebem tratamento adequado”, disse a autora em entrevista ao Valor.

Eunice comenta que a depressão provoca um acúmulo de impactos desestabilizadores na vida da pessoa, começando pelo diagnóstico médico, que muitas vezes leva tempo para ser definido. Além disso, expõe seu portador a preconceitos da própria família e da sociedade, o que torna ainda mais difícil o processo de cura. A ideia de escrever o livro surgiu quando Eunice encontrou o tratamento certo, aprendeu a conviver com a doença e voltou a sentir alegria em viver. Isso, depois de ter passado por várias terapias e medicamentos.

Seu objetivo é estimular as pessoas que sofrem de depressão a procurarem apoio psiquiátrico e criarem coragem de assumir a doença, ainda bastante estigmatizada. “Muitos acreditam que o portador da doença tem, na verdade, fraqueza de personalidade ou um distúrbio moral”, observa. Por isso, acredita que seu relato pode ser útil no sentido de ajudar a esclarecer o público leigo sobre as dificuldades que o portador da doença enfrenta. “Também queria mostrar que, mesmo nos casos mais acentuados, se a pessoa for tratada de forma correta, pode conviver com a doença e levar uma vida saudável.”

O caminho para livrar-se da depressão, contudo, é complexo. Aceitá-la é o primeiro passo. O segundo, procurar ajuda. Os sintomas nem sempre são detectados facilmente.

Casos agudos, como o que vitimou recentemente o jornalista Ricardo Boechat, não são raros. “Eu simplesmente senti um apagão. Nada na minha cabeça fazia sentido. Os pensamentos não fechavam e uma pressão insuportável dava a nítida sensação de que o peito ia explodir. Quem cai num quadro desses perde qualquer condição de pensar as coisas mais simples. A pessoa morre ficando viva”, explicou o jornalista em depoimento público, dias depois de ficar afastado de suas atividades por causa da crise de depressão. Boechat conta que se surpreendeu ao saber do grande número de pessoas com o mesmo problema. “É importante não esconder a depressão, não tratá-la na clandestinidade. É preciso aceitá-la, para combatê-la. Todo silêncio, do próprio doente ou de quem está à sua volta, dificulta a recuperação”, disse.

Eunice descreve os sintomas mais conhecidos da depressão:

  1. falta ou exacerbação do apetite;
  2. sonolência em excesso ou insônia;
  3. lentidão corporal ou cansaço que inviabilizam atividades diárias;
  4. dores e mal-estar físico sem explicação aparente;
  5. sentimentos negativos recorrentes, como culpa e baixa autoestima;
  6. dificuldade de concentração;
  7. apatia e desinteresse pela vida;
  8. perda da libido;
  9. vontade de morrer.

“Mas para que o quadro depressivo se confirme é preciso que esses sintomas se manifestem por, no mínimo, duas semanas”, observa. Há pessoas que, por terem experiência com crises anteriores, já nos primeiros dias percebem “que o bicho está pegando”, pedem ajuda a tempo e fogem da descida ao fundo do poço.

Segundo a autora, o assustador da depressão é que pode se alimentar do estrago que causa, ou seja, uma vez ocorrido o primeiro episódio, a probabilidade de a pessoa voltar a ter a doença é de 50%, podendo chegar a 90% após o segundo episódio. Em 20% das ocorrências, a depressão transforma-se em doença crônica.

São comuns também sintomas como melancolia, tristeza e transtornos como ansiedade, pânico, obsessões, fobias, e tentativa de suicídio. A OMS calcula que cerca de 850 mil suicídios por ano, no mundo, têm como causa a depressão. “O suicídio não é uma escolha, mas a ausência de opção”, diz Eunice, ao explicar que uma das armadilhas da depressão é justamente a de recusar à pessoa qualquer possibilidade de reação. “É um algoz que nos leva para um cativeiro e deixa nossa identidade humana em estado vegetativo.”

Confirmado o diagnóstico, a cura vai depender de psicoterapia, medicação, exercícios físicos e um bom ambiente convivial. Eunice observa que essas ações são igualmente importantes, mas chama a atenção para a medicação, pois ainda existe muita resistência ao seu uso. Ela diz que não basta estar medicado. É preciso encontrar o remédio certo, apropriado a cada pessoa e a escolha, muitas vezes, passa por tentativas e erros. “Sou a favor da medicação. Depois que encontrei o remédio certo, minha vida mudou para sempre.” Sobretudo, diz, depressão requer paciência: do portador para consigo mesmo e das pessoas próximas. “Para o depressivo, a vida dói demais. Mas sempre há saídas.”

Eunice é formada em Letras e ministra cursos de técnicas de comunicação para profissionais que devem falar em público.

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