PiG (Partido da Imprensa Golpista): “O Quarto Poder: Uma Outra História”

PHA - O Quarto PoderTrecho do livro de Paulo Henrique Amorim “O Quarto Poder: Uma Outra História” – um subtítulo muito bem escolhido, pois resume seu conteúdo – uma imperdível história da manipulação de informações por parte da mídia brasileira:

“Este livro dá opinião.

Mas, procura evitar, porque prefere informação a opinião.

Opinião, mesmo, dou em meu blog Conversa Afiada.

Este livro trata do PiG, Partido da Imprensa Golpista, expressão que difundi no Conversa Afiada.

O PiG é composto de O Globo, Folha, Estadão e seus subprodutos.

A Abril não é propriamente do PiG, porque a “aristocracia” do PiG jamais aceitou os judeus italianos da Abril em seus salões.

A Abril e a Veja se incorporavam ao PiG por interesse. E pelos mesmos interesses eram aceitos, desde que ficassem na cozinha.”

Outro trecho de Paulo Henrique Amorim, no capítulo do livro “O Quarto Poder: Uma Outra História”, intitulado Jornalismo de economia: ralo e falso.

O jornalismo brasileiro é tão falso quanto a elite de que pretende fazer parte. Em especial o de economia.

Fui convidado a escrever sobre o assim chamado “jornalismo de economia” que se pratica no Brasil, o único país do mundo, segundo o Mino Carta, onde jornalista chama patrão de colega.

Atribui-se a Delfim Netto a mortífera frase “jornalismo de economia não é um nem outro”.

Claro que ele nega, peremptoriamente, a autoria.

Ainda assim, tome-se o aforismo como ponto de partida.

Jornalismomuitas vezes não é.

Porque é mais opinião do que informação.

E o bom jornalismo não mistura Igreja e Estado — não mistura opinião e informação.

Porque fica combinado assim: quem tem opinião é o dono.

Quem paga as contas.

Se o repórter enfia opinião na informação, é porque exerce a atividade de contrabandista: camufla a opinião do patrão — ou a sua, que só pode ser a mesma do patrão, por definição — no meio da informação.

Logo, trata-se de um embuste.

Também não é jornalismo, porque o chamado “jornalismo de economia” não é escrito para informar o leitor, espectador ou ouvinte.

Mas, para informar os economistas dos bancos, que já sabem tudo o que o jornalista quer lhe dizer.

Essa estranha mutação se dá por dois motivos.

Porque o jornalista de economia adoraria ser economista de banco.

E porque o jornalista de economia não tem a menor ideia do que interessa ao leitor.

A ignorância é colossal.

E, mesmo se soubesse, trocava o serviço ao leitor pelo serviço ao banqueiro.

Existe outra aberração, aqui: jornalistas de economia pensam que são economistas.

E assim se consideram, ao trabalhar.

Como se de um “economista” se exigisse mais do que de um dentista.

Esse menosprezo pelo leitor, espectador ou ouvinte se dá por uma deformação genética.

Os jornalistas de economia, como, de resto, jornalistas brasileiros em geral, nasceram do mesmo ventre: as faculdades de jornalismo.

Faculdades de jornalismo, na grande maioria, são arapucas que não ensinam.

Como é obrigatório ter diploma para ser jornalista — uma aberração corporativista! — as faculdades de jornalismo são — muitas vezes — gigolôs do diploma.

Eu finjo que te ensino, você me paga e eu te arrumo um diploma.

Na verdade, tudo de que alguém precisa para ser jornalista não exige mais do que três meses num laboratório do Senai.

O resto, o resto é ler Machado de Assis.

E aqui se chega a outro ponto capital: a Língua Portuguesa, aquela de Machado e Vieira.

Os jornalistas de economia são transgressores contumazes.

Não sabem escrever.

Tudo isso se deve a uma das excrescências do regime militar.

Como os militares embargaram o noticiário político, e se legitimavam com os feitos na economia, a imprensa ampliou o noticiário da economia e encolheu o da política.

Depois, veio a hiperinflação.

Outro motivo para engordar a economia.

O noticiário da televisão servia menos ao espectador do que ao governo: manter, por exemplo, o congelamento de preços do Plano Cruzado.

A Globo desempenhou papel central nisso.

E se esborrachou com o descongelamento.

A certa altura, o Jornal da Globo, de 24 minutos “produção, tinha três — três! — colunistas de economia.

Este que escreve, o Joelmir Betting e a Lilian Witte Fibe, precursora da Miriam Leitão.

Sobre a segunda parte do aforismo delfiniano: economia.

Não escrevem sobre economia.

Porque dela não entendem patavina.

Divulgam press releases.

Praticam o jornalismo do “disse que”: fulano disse isso; beltrano, aquilo…

E reproduzem o Banco Central, ou o que ouvem dos economistas dos bancos, que, por sua vez e, por definição, dizem o que o Banco Central diz.

Isso, quando falam entre aspas.

Porque quando falam “em off”, os economistas dos bancos dizem o que querem que aconteça e manipulam os obsequiosos jornalistas de economia para reproduzir seus pleitos — e de seus bancos.

É o que acontece, por exemplo, com a Selic.

Os jornalistas de economia, como os bancos e seus economistas querem juros.

Juros!

O jornalismo de economia é a vanguarda terrorista que espalha crises para derrubar governos trabalhistas.

São os novos Velhos do Restelo.

De cada dez palavras de um jornalista de economia, nove são “crise”.

“Crise” significa dizer ao leitor, espectador: não pense, você não está qualificado para pensar.

Você é um bestalhão!

Isso tudo é muito complicado e você não alcança a “crise em sua dimensão cósmica.

Deixa que eu penso por você.

Eu e os “especialistas” que eu consulto.

Como disse o senador Requião, esses “especialistas” são os que nada sabem de tudo.

Mais importante ainda: além de pensar, eu, jornalista de economia, quero votar por você.

Como a “ciência” da economia se transformou na “ciência” dos credores, assim é com o jornalismo de economia: joga no time dos que tem a receber.

E o devedor — leitor, espectador, ouvinte, o povaréu em geral — que se lixe.

Outro aspecto a conspurcar a pseudociência da economia é o caráter partidário do jornalismo de economia.

O jornalismo de economia é a favor do mais forte — sempre.

Do patrão, do credor, da Casa Grande, da Metrópole.

Esteja o mais forte no PSDB, no PMDB ou no PSB: só o mais forte garante o meu emprego.

E, aí, na fidelidade ao “mais forte”, se dá um fenômeno interessante.

A grande maioria dos jornalistas de economia só atravessou o Equador para ir à Disney.

Mas, pensa que capta os sentimentos mais profundos da Metrópole, geralmente instalada na City ou em Wall Street.

Provavelmente lá nunca estiveram.

Se estiveram, não entenderam a língua que ali se fala.

Mas, aqui, na versão luso-tropical, procuram reproduzir o que imaginam ser o pensamento metropolitano.

Como aquele argentino que usava guarda-chuva quando lia no Times de Londres que a previsão era de chuva fina e fria.

De resto, o jornalismo de economia brasileiro não passa dos cabedais do repórter do Wall Street Journal que mereceu um discreto elogio de Paul Volcker, quando saiu do Banco Central: “você, meu filho, era o único jornalista que eu me dava o trabalho de ler”.

Atônito, respondeu o jovem: “mas, mr. Volcker, tudo o que eu fazia era reproduzir o que o senhor dizia”.

O jornalismo de economia é tão ralo quanto o jornalismo brasileiro.

E tão falso quanto a elite de que pretende fazer parte.

Em tempo: o autor destas mal traçadas ganhou a vida, por muito tempo, como jornalista de economia. (Ver <http://goo.gl/PCR5im&gt;.)

FNC: não deixe de ler o livro de Paulo Henrique Amorim, “O Quarto Poder”, se quiser conhecer “Uma Outra História”…

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