Palestra TED: Ensinar Estatística em vez de priorizar Cálculo

Arthur Benjamin tem uma sugestão a qual imagino que melhoraria em muito o ensino da Matemática neste país. E seria fácil de implementar e de baixo custo.

Nosso atual currículo escolar de Matemática é baseado nos fundamentos da Aritmética e Álgebra. E tudo que aprendemos a partir deste ponto é direcionado a um assunto. E no topo desta pirâmide, está o Cálculo. Ele deu uma palestra na TED para dizer que acha que este é o pico errado da pirâmide… O pico correto – que todos nossos estudantes, todos formados no ensino médio deveriam saber – deveria ser Probabilidade e Estatística.

Não lhe interpretem mal. Cálculo é uma disciplina importante. É um dos grandes produtos da mente humana. As leis da natureza estão escritas na linguagem do Cálculo. E todo estudante que estuda Matemática, Ciências, Engenharia, Economia, deveria definitivamente aprender Cálculo ao final do primeiro ano de faculdade.

Arthur Benjamin deu uma palestra na TED para dizer, como um professor em Matemática, que poucas pessoas realmente utilizam Cálculo de forma consciente e significativa em seu dia a dia. Por outro lado, Estatística – esta é uma disciplina que você poderia e deveria utilizar no dia a dia. Certo? É risco. É recompensa. É aleatoriedade. É entender dados.

Benjamin imagina que se nossos alunos, se nossos alunos desde o curso secundário – ou melhor, se todos cidadãos – conhecessem Probabilidade e Estatística, não estaríamos na crise econômica em que estamos hoje!

Não somente isto, mas Estatística, se ensinada apropriadamente, pode ser bastante divertida. Probabilidade e Estatística, é a Matemática de jogos e apostas. É analisar tendências. É prever o futuro.

Vejam, o mundo mudou de analógico para digital. É hora de nosso currículo de Matemática mudar de analógico para digital. De uma Matemática mais clássica e contínua, para uma Matemática mais moderna e discreta. A Matemática da incerteza, da aleatoriedade, dos dados, ou seja, Probabilidade e Estatística.

Resumindo, ao invés de nossos estudantes aprenderem sobre as técnicas de cálculo, Arthur Benjamin acha que seria bem mais significativo se todos eles soubessem o que dois desvios padrão da média significa. E fala de maneira que deve ser ouvida, por exemplo, para os céticos desbancarem as fraudes científicas.

Michael Shermer, diretor da Sociedade dos Céticos, e editor da revista Skeptic, investiga alegações de paranormalidade, pseudo-ciência, e seitas, cultos e correlatos, ciência e pseudociência e não-ciência e ciência lixo, ciência vodu, ciência patológica, ciência ruim, não-ciência e o conhecido nonsense.

Alguns lhes chamam pejorativamente de “desbancadores“. Mas é preciso encarar, existem muitas fraudes, e é necessário o esquadrão antifraude, tentando trocar más por boas ideias.

Mas, na Ciência, temos que verificar os erros, não apenas os acertos. E esta é provavelmente a lição fundamental da sua pequena palestra na TED.

É assim que trabalham os médiuns, astrólogos, tarólogos, etc.: essas pessoas só lembram dos acertos, esquecem os erros. Em Ciência, temos que manter todos os dados, e verificar se o número de acertos de alguma maneira foge do padrão esperado pelo acaso. Quando obtemos 50% de acerto todo o tempo isso é exatamente o que se espera em um jogo de cara-coroa!

Skeptic é uma publicação trimestral. Cada uma tem tema específico, como esta que é sobre o futuro da inteligência. As pessoas estão ficando mais espertas ou mais bobas? Michael Shermer tem um opinião formada sobre isto em razão de seus negócios. Mas, realmente, as pessoas, ao que parece, estão ficando mais espertas. Elevando 3 pontos de QI a cada 10 anos. Tipo de coisa interessante…

Não pense no ceticismo ou mesmo em Ciência como uma coisa. Ciência e religião são compatíveis? É o mesmo que: ciência e hidráulica são compatíveis? São duas coisas diferentes. Ciência não é uma coisa. É um verbo. É um jeito de pensar sobre coisas. É uma maneira de procurar explicações naturais para todos os fenômenos.

Quer dizer, o que é mais provável... Por exemplo, que inteligências extraterrestres ou seres multidimensionais viajem pela vastidão do espaço interestelar para deixar um círculo na plantação do fazendeiro Bob em Puckerbrush, Kansas para promover a homepage da revista? Ou é mais provável que um leitor de Skeptic fez no Photoshop?

Em todo caso temos que perguntar: qual é a explicação mais provável? E antes de dizer que algo é de outro mundo, precisamos ter certeza de que não é deste mundo.

“Então, ocorre um milagre. Um cientista comenta: acho que precisamos ser mais explícitos no passo dois.” Esta única charge desmantela completamente os argumentos do design inteligente. Você pode dizer que milagres acontecem. Só que isto não explica coisa alguma. Não oferece nada. Nada para ser testado. É fim de papo para os criacionistas do design inteligente.

Enquanto cientistas às vezes disparam termos como remendos linguísticos, energia escura ou matéria escura, e coisas do gênero. Até que descubramos o que é, chamamos assim. É o começo da cadeia causa-efeito para a ciência. Para os creacionistas do design inteligente, é o fim da cadeia.

Então, novamente, podemos perguntar: O que é mais provável? OVNIs são espaçonaves alienígenas, erros de percepção cognitiva ou mesmo fraudes?

Embora seja possível que a maioria dessas coisas “inexplicáveis” sejam fraudes ou ilusões ou sei lá e algumas reais, é mais provável que todas sejam fraudes, como os círculos nas plantações. De uma maneira mais séria: em tudo na Ciência, procuramos um equilíbrio entre os dados e a teoria.

No caso de Galileu, ele teve dois problemas quando apontou o telescópio para Saturno. Primeiro, não existia teoria sobre anéis planetários. E segundo, seus dados eram granulados e borrados e ele quase não podia entender para o que ele estava olhando.

Christiaan Huygens cataloga todos os erros que as pessoas cometeram tentando descobrir o que acontecia com Saturno. Huygens tinha duas coisas. Ele tinha uma boa teoria de anéis planetários e como funcionava o sistema solar. Além disso, ele tinha um telescópio melhor. Com dados de granulação mais fina nos quais ele pode concluir que, como a Terra está orbitando mais rápido – de acordo com as Leis de Kepler – que Saturno, logo, ficamos alinhados. E observamos a inclinação dos anéis por diferentes ângulos. E isso fica, de fato, esclarecido.

Os problemas em ter uma teoria é que sua teoria pode estar carregada de tendências cognitivas. Assim, um dos problemas em explicar porque as pessoas acreditam em coisas estranhas, é que temos coisas em um nível simples.

Por exemplo, temos uma tendência em ver rostos. E se eu não dissesse a vocês o que enxergar, em Marte ou na lua, ainda sim veriam um rosto, porque fomos programados pela evolução para enxergar rostos. Rostos são importantes socialmente para nós. E, claro, caras felizes. Rostos de todos os tipos são fáceis de enxergar. Vocês podem ver a cara feliz em Marte ou aqui…”

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