África

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Hoje, dia 20 de novembro, é a efeméride Dia da Consciência Negra. Necessitamos conhecer nossas profundas raízes na outra margem do rio chamado Atlântico. No meu próximo curso “Economia no Cinema”, no primeiro semestre letivo de 2016, pretendo dedicar uma parte dele, que trata do Desenvolvimento Mundial da Humanidade, para focalizar a sociedade, a economia e a cultura desse continente.

Por incrível que pareça, pois a África foi o nosso passado e será o nosso futuro das trocas Sul-Sul, ainda é desconhecido pela maioria de nós, brasileiros. Comecemos nosso aculturamento com uma visita à Wikipedia, a maior enciclopédia de todos os tempos. Resumo, brevemente, o verbete.

A África é o terceiro continente mais extenso (atrás da Ásia e da América) com cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo 20,3 % da área total da terra firme do planeta. É o segundo continente mais populoso da Terra (atrás da Ásia) com cerca de um bilhão de pessoas (estimativa defasada para 2005), representando cerca de um sétimo da população mundial, e 54 países independentes.

A chamada (pelos colonialistas eurocêntricos) “África Negra” não é homogênea, muito antes pelo contrário. Apresenta grande diversidade étnica, cultural, social e política. Dos trinta países mais pobres do mundo (com mais problemas de subnutrição, analfabetismo, baixa expectativa de vida), pelo menos 21 são africanos. Apesar disso, existem alguns países com um padrão de vida razoável, embora não exista nenhum país realmente desenvolvido na África.

Maurícia e Seicheles têm uma qualidade de vida bastante razoável, como até a recente revolução também a Líbia. Ainda há outros países africanos com qualidade de vida e índices de desenvolvimento razoáveis, como a maior economia africana, a África do Sul e outros países como Marrocos, Argélia, Tunísia, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

A África costuma ser regionalizada de duas formas, a primeira forma valoriza a localização dos países e os dividem em cinco grupos, que são:

  1. a África setentrional,
  2. a África Ocidental,
  3. a África central,
  4. a África Oriental e
  5. a África meridional.

A segunda regionalização desse continente, que vem sendo muito utilizada, usa critérios étnicos e culturais (religião e etnias predominantes em cada região), é dividida em dois grandes grupos:

  1. a África Branca ou setentrional, formado pelos oito países da África do norte, mais a Mauritânia e o Saara Ocidental, e
  2. a África Negra ou subsaariana, formada pelos outros 44 países do continente.

Quanto à etimologia de sua denominação, Afri era o nome de vários povos que se fixaram perto de Cartago no Norte de África. O seu nome é geralmente relacionado com os fenícios como afar, que significa “poeira”, embora uma teoria tenha afirmado que o nome também deriva de uma palavra de berbere, ifri, palavra que significa “caverna”, em referência à gruta onde residiam.

No tempo dos romanos, Cartago passou a ser a capital da Província de África, que incluiu também a parte costeira da moderna Líbia. Os romanos utilizaram o sufixo “-ca” denotando “país ou território”. Mais tarde, o reino muçulmano de Ifríquia, atualmente Tunísia, também preservou o nome.

Outras etimologias têm sido apontadas como originárias para a antiga denominação “África”:

  1. aprica, palavra latina que significa “ensolarados”;
  2. aphrike, palavra grega que significa “sem frio”;
  3. o nome deriva do egípcio af-rui-ka, que significa “para virar em direção a abertura do Ka”. O Ka é o dobro energético de cada pessoa e “abertura do Ka” remete para o útero ou berço. África seria, para os egípcios, “o berço”.

A maioria dos restos de hominídeos fósseis que os arqueólogos encontraram — australopitecos, Homo habilis, Homo erectus, Homo helderbegensis, homens de Neandertal e de Cro-Magnon — em lugares diferenciados da África é a demonstração de que essa parte do mundo é fundamental no processo evolutivo da raça humana. A busca das origens desse nosso antecedente, o animal-humano (homo-sapiens), concentra-se nesse continente.

No Norte da África, a civilização egípcia floresceu e inter-relacionou-se com as demais áreas culturais do mundo mediterrâneo. As colônias pertencentes à Fenícia, Cartago, a romanização, os vândalos aí fixados e o Império Bizantino influente são os fatores pelos quais foi deixada no litoral mediterrâneo da África uma essência da cultura que posteriormente os árabes assimilaram e modificaram.

Na civilização árabe, foi expandida e consolidada a cultura muçulmana no Norte da África (“Branca”). O Islã foi estendido pelo Sudão, pelo Saara e pelo litoral leste. Nessa região, o Islã é a religião pela qual foram sendo seguidas as rotas de comércio do interior da África (escravos, ouro, penas de avestruz) e estabelecidos encraves marítimos (especiarias, seda) no oceano Índico.

Simultaneamente, na África (“Negra”) subsaariana vários impérios e estados aí floresceram. Nasceram de grandes clãs e tribos submetidos a um só soberano poderoso com características próprias do feudalismo e senhores da guerra. Entre esses impérios de maior importância figuram:

  1. o de Aksum, na Etiópia, que teve sua chegada ao apogeu no século XIII;
  2. o de Gana, que desenvolveu-se do século V ao século XI,
  3. os estados muçulmanos que o sucederam foram o de Mali (do século XIII ao século XV) e o de Songhai (do século XV ao século XVI);
  4. o reino Abomey do Benim (século XVII); e
  5. a confederação zulu do sudeste africano (século XIX).

Colônias africanasLegendaDurante o século XV, os exploradores vindos da Europa chegaram primeiro ao litoral da África Ocidental. Essa exploração visava, inicialmente, buscar novos caminhos para as Índias, após o comércio ser fechado por parte dos turcos no leste do Mar Mediterrâneo. Os colonizadores de Portugal, da Espanha, da França, da Inglaterra e dos Países Baixos, competindo por descobrir novo caminho, estabeleceram no litoral feitorias e portos de embarque para, principalmente, comercializar escravos.

A partir do século XIX, as potências europeias desejavam a criação de impérios políticos e econômicos que fossem estendidos de litoral a litoral. Foi o estímulo para que o interior da África fosse penetrado e colonizado.

  • O Reino Unido conseguiu a ocupação de uma faixa de norte a sul, do Egito à África do Sul, além de demais zonas colonizadas no golfo da Guiné.
  • A França estabeleceu-se no noroeste da África, em parte do equador africano e em Madagascar.
  • Portugal colonizou Angola, Moçambique, Guiné e uma diversidade de ilhas estratégicas.
  • Alemanha colonizou Togo, Tanganica e Camarões.
  • Bélgica colonizou a região que ficou conhecida Congo Belga.
  • Itália colonizou Líbia, Etiópia e Somália.
  • Espanha colonizou parte do Marrocos, Saara Ocidental e enclaves na Guiné.

A partilha da África foi formalmente consumada na Conferência de Berlim de 1884-1885, na qual firmou-se o princípio da ocupação efetiva como forma de legitimar as colônias empossadas.

Devido ao regime colonial estabelecido no continente, foram destruídas e modificadas as estruturas sociais, econômicas, políticas e religiosas da maioria do território da África Negra. As colônias que proclamaram sua independência, processo emancipatório que se iniciou após a Segunda Guerra Mundial e se concluiu principalmente de 1960 até 1975, tiveram que enfrentar problemas graves de integração nacional, resultantes das fronteiras arbitrárias herdadas do sistema colonial, além da pobreza prevalecente no continente e o rápido crescimento da população africana, mais elevado do que o de alimentos.

Até hoje, dependem, econômica e politicamente, em boa parte, das antigas metrópoles. A governança se caracteriza, geralmente, por ineficiência e corrupção. A persistente divisão étnica e religiosa leva a conflitos de várias ordem.

Esses fatores são as principais barreiras que impedem que os novos países se desenvolvam. Os seus governos, muitas vezes com características de ditaduras militares ou de um presidencialismo autoritário, são frequentemente empecilhos em vez de motores do desenvolvimento.

África Noturna

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