Demografia, Composição Étnica-Cultural e Problemas Socioeconômicos e Políticos da África

Mapa Etnolinguístico da África Regiões Metropolitanas mais populosas na África

África é o terceiro continente em extensão territorial e o segundo continente mais populoso (atrás da Ásia) com cerca de um bilhão de pessoas (estimativa para 2005), representando cerca de um sétimo da população do mundo. Tem uma densidade demográfica de cerca de 30 habitantes por quilômetro quadrado.

Essa pequena ocupação demográfica encontra explicações nos seguintes fatores:

  1. grande parte do continente é ocupada por áreas desfavoráveis a concentrações humanas: desertos, florestas densas e emaranhadas e formações vegetais típicas de solos pobres;
  2. os índices de mortalidade são muito altos, embora tenham diminuído nos últimos 50 anos, ainda se mantêm superiores aos de outros continentes;
  3. a África é um continente que pouco recebeu correntes migratórias, ao contrário, perdeu inúmeros habitantes na época do tráfico de escravos.

A população africana caracteriza-se também pela distribuição irregular. O vale do Nilo, por exemplo, possui densidade demográfica de 500 hab./km2, enquanto os desertos e as florestas são praticamente despovoados. Outros pontos de alta densidade são o golfo da Guiné, as áreas férteis em torno do lago Vitória e alguns trechos no extremo norte e no extremo sul do continente. As regiões das savanas, de maneira geral, são áreas de densidades demográficas médias.

Poucos países africanos apresentam população urbana numericamente superior à rural. Entre os que se enquadram nesse caso estão Argélia, Líbia e Tunísia.

A quase totalidade dos países africanos exibe características típicas do subdesenvolvimento:

  1. elevadas taxas de natalidade e de mortalidade,
  2. expectativa de vida muito baixa.

Resulta desses fatores a preponderância de jovens na população. Além de apresentarem menor produtividade, requisitam grandes investimentos em educação e nível de emprego.

Religiões na ÁfricaEm correspondência com os diferentes ramos étnico-culturais, encontram-se na África três religiões principais:

  1. o Islão, que se manifesta sobretudo na África Branca, mas é também professado por numerosos povos negros;
  2. o cristianismo, religião levada por missionários e professada em pontos esparsos do continente; e
  3. as religiões tradicionais africanas centradas no animismo, seguido em toda a África Negra. Esta última corrente religiosa, na verdade, abrange grande número de seitas politeístas, que possuem em comum a crença na força e na influência dos elementos da natureza sobre o destino dos homens.

Da mesma forma que as religiões, existem inúmeras línguas no continente: várias línguas de origem africana e os idiomas introduzidos pelos colonizadores, utilizados até hoje. Os principais são: árabe, inglês, francês, português, espanhol e africâner, língua oriunda do neerlandês, falada pelos descendentes de neerlandeses, alemães e franceses da África do Sul e da Namíbia.

Cinco dos países de África foram parte do Império Português e usam a língua portuguesa como oficial: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Nestes três últimos, ainda são falados crioulos de base portuguesa.

A maior parte da população africana é constituída por diferentes povos negros, mas há expressiva quantidade de brancos, que vivem principalmente na porção setentrional do continente, ao norte do deserto do Saara, por isso mesmo denominada “África Branca“. São principalmente árabes e berberes, mas incluem também os tuaregues; aparecem ainda, embora em menor quantidade, judeus e descendentes de europeus.

A sul do Saara estende-se a chamada “África Negra“, povoada por grande variedade de grupos negroides que se diferenciam entre si por diferenças culturais, como as religiões que professam e a grande diversidade de línguas que falam. Os grupos mais importantes são:

  1. bantos: são numericamente superiores aos demais grupos. Habitam a metade sul do continente e têm como atividades principais a criação de gado e a caça. Constituíram o segundo maior contingente de africanos trazidos ao Brasil.
  2. nilóticos: são encontrados na região do Alto Nilo e caracterizam-se pela estatura elevada.
  3. pigmeus: de pequena estatura, vivem principalmente na Floresta do Congo e em seus arredores, onde sua subsistência na caça e na coleta de raízes.
  4. bosquímanos ou khoisan: habitam a região do Deserto de Kalahari, sendo atualmente pouco numerosos; distinguem-se como grandes caçadores de antílopes e avestruzes.

Além dos negros, encontramos na África os malgaxes, povo de origem malaia que habita a ilha de Madagáscar, os indianos trazidos pelos colonizadores ingleses e portugueses para a África Oriental, além de um pequeno número de imigrantes chineses e de origem europeia.

Existe no mundo uma diversidade de regiões que a fome atinge, sendo os principais focos Haiti, Indochina, Índia e Bangladesh. Mas não há outro lugar onde ocorre tanta disseminação do problema como na África. A fome atinge com dureza trinta países, principalmente, aqueles que se localizam nas áreas adjacentes do deserto do Saara.

Por esse motivo, com alguma frequência a associação da fome está relacionada com o clima árido e as precipitações irregulares. O clima adverso, porém, apenas faz a amplitude da miséria da maioria dos cidadãos africanos, que vivem numa posição inferior à linha da pobreza e às péssimas condições de que podem sobreviver. Outros fatores contribuem para a composição desse quadro dramático.

Para o profundo entendimento de tudo aquilo que causou a fome na África é importante é a volta no tempo à época em que foi colonizada, quando os europeus introduziram o sistema de plantation para realizar a produção de gêneros que se destinam à exportação, tornando reduzida a área de cultivos de subsistência como milho, sorgo, mandioca, etc. A maioria dos países africanos é constituída por exportadores, em valores flutuantes, de matérias-primas para os países ricos. Por sua vez, fazem a importação, a preços caríssimos, alimentos para suas populações que passam fome.

Com a agricultura extensiva, o homem derruba as matas e em seus limites ocorre o avanço do deserto. A produção necessária para exportar não permite que seja praticado o sistema de descansar a terra, que se esgota com rapidez. Mesmo utilizando fertilizantes, é de difícil recuperação. Houve a diminuição da produtividade agrícola em muitos países africanos.

O fato de introduzir a pecuária extensiva, em consequência da pecuária nômade, que se pratica de maneira tradicional no continente, também é causadora de danos às paisagens africanas. Ocorre a morte dos rebanhos com as pastagens que se reduziram, sendo que a fome os atinge, tal como à população.

Outro problema é o descompasso existente entre o enorme crescimento populacional e o reduzido crescimento, ou mesmo estagnação, da agropecuária. Apesar das elevadas taxas de mortalidade infantil e geral, da ineficácia dos serviços de saúde e das numerosas doenças, a população africana cresce em níveis muito altos.

A todos esses problemas é preciso acrescentar outro, ainda mais marcante: as guerras. A colonização da África impôs divisões políticas que nunca coincidiram com as divisões tribais. Atualmente, guerras entre tribos agravam ainda mais a fome e a mortalidade no continente.

Quando o problema torna-se agudo demais, é comum organizarem-se campanhas nos países mais ricos. Essas campanhas, no entanto, conseguem apenas atenuar o problema, pois atacam as suas consequências e não as suas causas. Além disso, nem todos os recursos provenientes dessas campanhas chegam a seu destino, pois a rede de transportes e demais serviços de infraestrutura extremamente precários fazem com que parte dos alimentos enviados não alcance as populações mais isoladas.

Em nenhuma outra parte do mundo a questão racial assumiu questões tão graves como na África do Sul. Embora os negros, mestiços e indianos constituam 86% da população, eram os brancos que detinham todo o poder político, e somente eles gozavam de direitos civis.

A origem desse sistema racista, denominado apartheid, data de 1911, quando os africânderes (descendentes de agricultores holandeses que emigraram para a África do Sul) e os britânicos estabeleceram uma série de leis para consolidar seu domínio sobre os negros. Em 1948, a política de segregação racial foi oficializada, criando direitos e zonas residenciais para brancos, negros, asiáticos e mestiços.

Na década de 1950, foi fundado o Congresso Nacional Africano (CNA), entidade negra contrária à segregação racial na África do Sul. Em 1960, o CNA foi declarado ilegal e seu líder Nelson Mandela, condenado à prisão perpétua. De 1958 a 1976, a política do apartheid se fortaleceu com a criação dos bantustões, apesar dos protestos da maioria negra.

Diante de tal situação, cresceram o descontentamento e a revolta na maioria subjugada pelos brancos. Os choques tornaram-se frequentes e violentos. As manifestações de protesto eram decorrência natural desse quadro injusto. A comunidade internacional usou algumas formas de pressão contra o governo sul-africano, especialmente no âmbito diplomático e econômico, no sentido de fazê-lo abolir a instituição do apartheid.

A atual divisão política da África somente se configurou nas décadas de 1960 e 1970. Durante séculos, o continente foi explorado pelas potências europeias – Reino Unido, França, Portugal, Espanha, Bélgica, Itália e Alemanha –, que o dividiram em zonas de influência adequadas aos seus interesses. Ao conseguirem a independência, os países africanos tiveram de se moldar às fronteiras definidas pelos colonizadores. Estas, por um lado, separavam de modo artificial grupos humanos pertencentes às mesmas tribos, falantes dos mesmos dialetos e praticantes dos mesmos costumes e submetia-os, por outro lado, à influência de valores europeus.

Em muitos desses novos países, após a independência, houve inevitáveis revoltas separatistas e golpes de Estado que terminaram por instaurar ditaduras. Seguindo diretrizes capitalistas ou socialistas, os governos assim constituídos distinguiam-se sempre pela perseguição política, que chegava a culminar em torturas e massacres dos opositores.

Em grande parte dos casos, a independência política não foi total, pois geralmente os novos países mantiveram laços econômicos com as ex-metrópoles. Durante a Guerra Fria, alguns ligaram-se às grandes potências (Estados Unidos e extinta União Soviética) em busca de assistência militar e econômica.

De tudo isso, resulta a existência de muitos focos de conflito no continente. Em alguns casos trata-se de lutas de caráter político: grupos que pretendem conquistar o poder se confrontam com os que detêm o domínio da região. Em outros, o motivo principal é o separatismo, originado pela artificialidade das fronteiras coloniais herdadas.

One thought on “Demografia, Composição Étnica-Cultural e Problemas Socioeconômicos e Políticos da África

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s