Depressão: Nivelando por Baixo

PIB 3 T 2015PIB 1996-2015

Os economistas seguidores do receituário do “ajuste fiscal” só conseguiram, até agora, provocar a maior depressão da história econômica moderna — pós-industrialização — do País. A “dominância fiscal” é um termo novo para designar um velho raciocínio heterodoxo, cuja sabedoria convencional surpreendemente não adotava: cortar gastos públicos e elevar os juros, desmesuradamente, derruba o PIB e, lógico, eleva a relação dívida / PIB, pois aumentam os encargos financeiros e diminui a arrecadação fiscal, elevando o endividamento público. Investidores desconfiados provocam fuga de capitais, depreciando a moeda nacional. Então, agrava o endividamento externo quando este é convertido nessa moeda. E eleva a taxa de inflação já sob efeito do “choque tarifário”.  Até mesmo economistas ortodoxos estão começando a entender essa simples lógica matemática…

Taxa de Investimento e Poupança

TAXA DE INVESTIMENTO (FBCF/PIB) 3º TRI 2015 = 18,1%
TAXA DE POUPANÇA (POUP/PIB) 3º TRI 2015 = 15,0%

Ainda encontram certa dificuldade em compreender a ordem (crono)lógica dos acontecimentos. Acham que “a queda de poupança determina a queda do investimento”. Curiosamente, no quadro acima, configura-se uma tendência de queda contínua das taxas de investimento trimestrais desde o início do ano passado. Esta provoca uma queda da renda (PIB), e como o consumo básico resiste à queda, por definição cai o resíduo contábil denominado “poupança”. No quarto trimestre de 2014, provavelmente, ocorreu a queda abrupta da poupança por causa da sazonalidade: resiliência do consumo no final do ano.

FBCF - PIB - Consumo

Em uma economia com expressivo mercado interno, a trajetória do Consumo das Famílias (> 60% do PIB) impõe a evolução da produção retratada no PIB. Veja a correlação no quadro acima. Porém, a taxa de investimento (FBCF), que se manteve acima de 21% do PIB entre 2010-2014, provoca a multiplicação da renda e afeta as decisões de consumo, embora não seja o único determinante. O fluxo da renda recebida transforma-se em saldo líquido de riqueza, que se soma ao estoque disponível de riqueza e ao crédito potencial a ser tomado, influenciando as decisões de gasto. Observe também que, desde o início da crise econômico-financeira mundial, em 2008, as exportações líquidas (X – M) tornaram-se negativas.

Componentes da Demanda Final

Atividades Econômicas no VA 2000-2014O fenômeno da “desindustrialização” refere-se mais à Indústria de Transformação — com tendência de queda no valor agregado (VA) por ela desde 2004, ou seja, por uma década –, do que à Indústria Geral. A Indústria Extrativa e a Indústria de Construção Civil, esta a partir de 2007, “ocuparam o espaço” dela até “a explosão da bolha de commodities”, em setembro de 2011. Destaque para o crescimento relativo de Serviços, participando com 70,8% do PIB, como era de se esperar em uma sociedade com um grau de urbanização entre os mais elevados do G15 (15 maiores economias).

No terceiro trimestre de 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 1,7% em relação ao trimestre anterior, na série com ajuste sazonal. Em relação a igual período de 2014, a queda foi de 4,5%. No acumulado em quatro trimestres, o PIB recuou 2,5%. De janeiro a setembro o PIB acumula queda de 3,2%.

Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 1,481 trilhão, sendo R$ 1,267 trilhão referentes ao Valor Adicionado e R$ 214,2 bilhões aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.

A taxa de investimento no terceiro trimestre de 2015 foi de 18,1% do PIB, inferior à do mesmo período de 2014 (20,2%). A taxa de poupança foi de 15,0% no terceiro trimestre de 2015 (ante 17,2% no mesmo período de 2014). A publicação completa das Contas Trimestrais pode ser acessada na página aqui.

Comparado ao trimestre anterior, PIB caiu 1,7%

O PIB recuou 1,7% em relação ao segundo trimestre do ano, na série com ajuste sazonal. A Agropecuária (-2,4%), a Indústria (-1,3%) e os Serviços (-1,0%) recuaram.

Na Indústria, a maior queda se deu na Indústria de Transformação: retração de 3,1%. Construção civil (-0,5%) eExtrativa mineral (-0,2%) também registraram resultado negativo no terceiro trimestre do ano. Já a atividade deEletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana apresentou crescimento de 1,1%.

Nos Serviços, Administração, saúde e educação pública (0,8%) e Intermediação financeira e seguros (0,3%) apresentaram resultados positivos. As demais atividades sofreram retração em relação ao trimestre imediatamente anterior: Comércio (-2,4%), Outros serviços (-1,8%), Transporte, armazenagem e correio(-1,5%), Serviços de informação (-0,5%) e Atividades imobiliárias (-0,1%).

Pela ótica da despesa, a Formação Bruta de Capital Fixo teve o nono trimestre consecutivo de queda nessa comparação: -4,0%. A Despesa de Consumo das Famílias (-1,5%) caiu pelo terceiro trimestre seguido. Já a Despesa de Consumo do Governo cresceu 0,3% em relação ao trimestre anterior. No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços tiveram queda de 1,8%, enquanto que as Importações de Bens e Serviços recuaram 6,9% em relação ao segundo trimestre de 2015.

PIB acumulado 2007-2015

Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, PIB recua 4,5%

Comparado a igual período do ano anterior, o PIB caiu 4,5% no terceiro trimestre de 2015, a maior queda desde o início da série histórica iniciada em 1996. O Valor Adicionado a preços básicos caiu 3,8% e os Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios recuaram em 8,3%.

A Agropecuária recuou 2,0% nessa comparação. Este resultado pode ser explicado pelo desempenho negativo de alguns produtos que possuem safra relevante no terceiro trimestre (café, cana, laranja, algodão e trigo), parcialmente compensado por ganhos de produtividade nas lavouras de cana, algodão e trigo. A Pecuária e daSilvicultura e extração vegetal também tiveram um fraco desempenho no terceiro trimestre.

A Indústria caiu 6,7%. A Indústria de Transformação recuou 11,3%, influenciada pelo decréscimo da produção de máquinas e equipamentos; da indústria automotiva; produtos eletroeletrônicos e equipamentos de informática; produtos de borracha e de material plástico; produtos de metal; têxteis; e produtos farmoquímicos e farmacêuticos.

A Construção civil também recuou (-6,3%). Já a Extrativa Mineral cresceu 4,2% em relação ao terceiro trimestre de 2014, puxada tanto pelo aumento da extração de petróleo e gás natural e pela extração de minérios ferrosos. Já a atividade Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana teve expansão de 1,5%.

No setor de Serviços houve queda de 2,9% nessa comparação, com destaque para Comércio (-9,9%) eTransporte, armazenagem e correio (-7,7%). Também recuaram as atividades de Outros Serviços (-3,5%) e osServiços de informação (-1,5%). Os resultados foram positivos em Administração, saúde e educação pública(0,9%), em Intermediação financeira e seguros (0,4%) e em Atividades imobiliárias (0,3%).

O Consumo das Famílias (-4,5%) teve a terceira queda consecutiva nessa comparação, influenciada pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda, no período. Já a Formação Bruta de Capital Fixo caiu 15,0% no terceiro trimestre de 2015, a maior da série histórica iniciada em 1996. O recuo é justificado, principalmente, pela queda das importações e da produção interna de bens de capital e, ainda, pelo desempenho negativo da construção civil. O Consumo do Governo apresentou variação negativa de 0,4%.

No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços apresentaram expansão de 1,1%, enquanto que as Importações de Bens e Serviços caíram em 20,0%, ambas influenciadas pela desvalorização cambial de 56% registrada no período.

De janeiro a setembro, PIB acumula queda de 3,2%

O PIB acumulado do ano recuou 3,2% em relação a igual período de 2014. Foi a maior queda acumulada no período de janeiro a setembro desde o início da série histórica iniciada em 1996. Nesta base de comparação, destaque para o desempenho da Agropecuária, que cresceu 2,1%. Já a Indústria e os Serviços caíram, respectivamente, 5,6% e 2,1%.

Na análise da demanda interna, destaca-se a queda de 12,7% da Formação Bruta de Capital Fixo. O Consumo das Famílias (-3,0%) e o Consumo do Governo (-0,4%) também acumulam queda no ano. No setor externo, as Importações de Bens e Serviços apresentaram uma queda de 12,4%, enquanto que as Exportações de Bens e Serviços cresceram 4,0%.

No acumulado em quatro trimestres, PIB também registra queda (-2,5%)

O PIB acumulado nos quatro últimos trimestres teve queda de 2,5%. Enquanto a Agropecuária cresceu 2,1%, Indústria (-4,7%) e Serviços (-1,6%) tiveram queda.

Na demanda interna, os resultados foram negativos: Formação Bruta de Capital Fixo (-11,2%), Consumo das Famílias (-1,8%) e Consumo do Governo (-0,4%). No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços mantiveram-se praticamente estáveis (0,1%), enquanto que as Importações de Bens e Serviços recuaram 10,4%.

Em valores correntes, PIB totaliza R$ 1,481 trilhão

O Produto Interno Bruto no terceiro trimestre de 2015 totalizou R$ 1,481 trilhão.

A taxa de investimento no terceiro trimestre de 2015 foi de 18,1% do PIB, abaixo do observado no mesmo período de 2014 (20,2%). A taxa de poupança foi de 15,0% no terceiro trimestre de 2015 (ante 17,2% no mesmo período de 2014).

Revisão das séries das Contas Trimestrais

Com a conclusão da implantação da nova Série do Sistema de Contas Nacionais – Referência 2010, as Contas Nacionais Trimestrais retomam sua rotina de realizar revisões mais abrangentes no terceiro trimestre de cada ano.

Os resultados referentes a 2014 e 2015 foram revistos conforme apresentado abaixo:

Tabela I.1 – Revisão das Taxas de Crescimento – 2014
Antes (%) Depois (%) Dif p.p.
Agropecuária
0,4
2,1
1,7
Indústria
-1,2
-0,9
0,2
Serviços
0,7
0,4
-0,3
PIB
0,1
0,1
0,0
Despesa de Consumo das Famílias
0,9
1,3
0,4
Despesa de Consumo do Governo
1,3
1,2
-0,2
Formação Bruta de Capital Fixo
-4,4
-4,5
-0,1
Exportações de Bens e Serviços
-1,1
-1,1
0,0
Importações de Bens e Serviços (-)
-1,0
-1,0
0,0
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais.
Tabela I.2 – Revisão das Taxas de Crescimento do Trimestre contra o mesmo Trimestre de 2015
1º tri 2015 2º tri 2015
Antes (%) Depois (%) Antes (%) Depois (%)
Agropecuária
4,0
5,4
1,8
2,2
Indústria
-3,0
-4,4
-5,2
-5,7
Serviços
-1,2
-1,4
-1,4
-1,8
PIB
-1,6
-2,0
-2,6
-3,0
Despesa de Consumo das Famílias
-0,9
-1,5
-2,7
-3,0
Despesa de Consumo do Governo
-1,5
-0,5
-1,1
-0,3
Formação Bruta de Capital Fixo
-7,8
-10,1
-11,9
-12,9
Exportações de Bens e Serviços
3,2
3,3
7,5
7,7
Importações de Bens e Serviços (-)
-4,7
-5,0
-11,7
-11,5
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais.

O detalhamento dos principais pontos revistos pode ser encontrado na publicação completa das Contas Trimestrais.

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