Fluxos de Capital Estrangeiro em Curto Prazo: “FRA de Cupom Curto”

Tabela de Fluxos de Capital Estrangeiro em Curto Prazo
Banco Central do Brasil X Comissão de Valores Mobiliários

IEC BCB X CVM

Ingresso IECSaída IECSaldo Líquido IEC

A partir das estatísticas do Balanço de Pagamentos, registradas pelo Banco Central do Brasil (disponíveis em http://www.bcb.gov.br/?SERIEBALPAGBPM5), é possível elaborar a tabela acima, que considera como portfólio os investimentos estrangeiros em ações no país (excluindo, portanto, os ADR) e os em títulos de renda fixa negociados no país (como papéis de elevada liquidez não separando os de curto e de longo prazos). Essas rubricas são compatíveis com as da CVM apresentadas no modelo hipotético do post anterior sobre Rentabilidade Média Anual dos Investidores com o Cupom Cambial.

Mas há diferença entre os dados do BCB e da CVM, devido a critério metodológico. Como seus dados são do Balanço de Pagamentos, o BCB só registra saídas dos instrumentos (ações ou renda fixa no país) quando há um contrato de câmbio, ou seja, quando o investidor repatria os recursos. No caso da CVM, ela registra todas as movimentações internas do investidor, o que tenderia a magnificar os fluxos brutos de ingressos/saídas. Nos gráficos acima, pode-se ver que os dados da fonte CVM, tanto para ingressos quanto para saídas, são sempre maiores que os do BCB a partir de 2010, com a diferença aumentando significativamente a partir de 2012.

As saídas são maiores pela CVM desde 2010. O resultado líquido é bem diferente pelos dados do BCB e da CVM em 2011 (ingresso líquido pelo BCB e saída líquida pela CVM). Os saldos líquidos são maiores em 2012 e 2014 pela CVM e em 2013 pelo BCB.

O cupom é a remuneração do dólar no Brasil. Em relação ao seu cálculo, como o mesmo tem distintas especificações, uma consulta feita à mesa de câmbio do Banco Central do Brasil informa que o investidor ingressa com dólar e faz um hedge, ficando comprado em variação cambial + cupom e vendido em Selic (ou vice-versa).

Dessa forma, o cupom cambial em si traz apenas uma parte da remuneração planejada pelo investidor estrangeiro, já que considera apenas a taxa de juros sobre o saldo constante em dólar.

Quanto à volatilidade dos capitais de curto prazo, a melhor proxy é um instrumento financeiro chamado FRA de cupom curtoprimeiro termo de cupom cambial futuro, tomado a partir do primeiro vencimento do dólar futuro. A série histórica está disponível a partir de novembro de 2006, conforme representação gráfica abaixo.

FRA 01.11.2006-01.11.2014

O valor está atualmente em pouco mais de 1%, ou seja, muito menor do que o estimado, hipoteticamente, na Tabela elaborada a partir de dados da CVM e outras hipóteses. A série 2006-2014 do FRA curto indica uma queda de patamar em 2009, ascensão em 2010 e queda em 2011, flutuando a partir de 2012 em torno da média de 1%. Em junho/julho de 2014, esta taxa ficou mais próxima de 0%.

Em outras palavras, quando se desconta o custo do hedge cambial, o ganho do investidor estrangeiro fica seguro, mas apenas poucos percentuais acima do que obtém no exterior. Em grandes valores, compensa o investimento pelo ganho na massa de lucro, não tanto pela taxa.

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