Debate entre André Singer, Fernando Limongi e Marcos Nobre sobre Conjuntura Política

Os mais notáveis (midiáticos) cientistas políticos paulistas, na atualidade, analisam detalhadamente os fatos da conjuntura política brasileira. Todos os cidadãos preocupados com o futuro do Brasil deveriam ver esse debate, pois eles analisam a mobilização golpista da direita brasileira.

10 thoughts on “Debate entre André Singer, Fernando Limongi e Marcos Nobre sobre Conjuntura Política

  1. Prezado Fernando,

    estamos diante de um CAOS generalizado na história do país, não vejo sinais de golpe ou algo parecido; a lava jato demonstrou que as próprias instituições brasileiras: partidos políticos, empreiteiras, políticos, órgãos públicos, bancos, empresas públicas – Correios, BNDS, Petrobrás – etc., orquestraram uma proposta de incorrer em crime de corrupção generalizada com raízes tão profundas cujas dimensões podem comprometer, talvez até 20% do PIB até seu desfecho, ainda longe no horizonte.

    Ainda não tinha visto os cabeças de tudo isso caírem como peças de dominó, sem a possibilidade de saírem ilesos – sem habeas corpus – e, inclusive, tornando o trabalho dos próprios advogados e empresas de advocacia impotentes diante da dinâmica aplicada pela Polícia Federal em conduzir uma investigação que está conseguindo desvendar o quanto o povo brasileiro é corrupto.

    Existe um único culpado em toda essa cama de gatos: o próprio povo – isso inclui criminosos especializados em operações de ocultação de riquezas no exterior como é o caso de Eduardo Cunha, com contas comprovadas na Suíça, seus laranjas, e até banqueiros inteligentes do naipe do André Steves.

    Desta vez o saco está cheio de frutas podres de todos os níveis e classes sociais: o coitado do laranja, analfabeto e amigo do político que emprestou seu nome para cometer o crime, o próprio político, e até o mais alto executivo e empresário: os presidentes das maiores empresas do Brasil.

    O resumo é simples, mas a conclusão é complexa. Os partidos políticos em sua maioria são financiados pela iniciativa privada via conluio, os políticos desses partidos distribuem cargos públicos a quem for da confiança deles. As empresas públicas contratam a mesma iniciativa privada – OAS, Sete Brasil, Odebrecht, Andrade Gutierrez, BTG, etc., para gerir as obras de infraestrutura: estádios, estradas, usinas nucleares, hidrelétricas, termoelétricas, metrôs, represas, aeroportos, etc. Essas obras demoram mais tempo do que o necessário e precisam de cada vez mais investimentos das mesmas empresas apoiadoras dos partidos políticos. O resultado é catastrófico – as obras ficam caras demais ou incompletas –, consomem todo o caixa dos estados e municípios; de repente alguns juristas e delegados resolvem dar um basta nisso e batem na porta do judiciário e recebem total apoio. Nasce a operação Lava Jato!

    As consequências de um povo que não tem amor pelo próprio país onde vivem é essa: quebradeira da maioria dos estados e municípios, empresas públicas, recessão, desemprego, finanças aos frangalhos e o PIB em queda livre.

    O que posso dizer do Brasil neste momento é:

    “Um trem desgovernado em alta velocidade com milhares de vagões: empresas públicas, partidos políticos e uma parte da burguesia representada por empresas de grande porte que acabou de sair dos trilhos”.

    Abs.

    1. Prezado Reinaldo,
      o termo caos, como é usado para descrever sistemas dinâmicos com dependência sensível às condições iniciais, difere do sentido coloquial da palavra “caos”. Ao contrário deste, que implica em aleatoriedade e imprevisibilidade, há alguma “ordem no caos”, observada nas propriedades comuns universais encontradas em Sistemas Caóticos.

      Sistemas em que um comportamento organizado emerge sem um controlador ou líder costumam ser classificados como auto-organizados. A economia de mercado debate-se entre a auto-regulação e a regulação do maior participante do mercado, isto é, o Estado e suas instituições. Estas buscam planejar, indicar, orientar, incentivar, enfim, traçar uma dependência de trajetória frutífera, sem impedir a capacidade dos agentes para ruptura, inovação, adaptação, adequação, etc.

      Observamos que este debate ideológico polarizado no Brasil entre os defensores golpistas de O Mercado e os que acham que tudo se reduz a O Estado não leva a um futuro promissor. Pelo contrário, paralisa a economia ao submeter todas as decisões às instituições judiciárias.

      De modo que eu não sei onde tudo isso vai dar. Talvez não dará em nenhum lugar promissor ou equilibrado. “São mudanças que têm acontecido e vão continuar acontecendo sistematicamente”. Não há transformações que resultarão em algo que com certeza possa ser considerado um “equilíbrio estático”.

      Necessitamos aprender a conviver com o caos.
      abs

      1. Prezado Fernando,

        o caos, no sentido próprio da palavra pode ser usado para o momento vivido atualmente no país, denota uma quebra de simetria, uma ruptura e precisamente o desmoronamento da atual plataforma operacional na qual as instituições públicas e privadas estabeleceram nesse modus operandi (controle das operações).

        Ocorreu uma verdadeira reação em cadeira tanto no estado de coisas, quando no estado de direito, cujos envolvidos se voltaram contra eles mesmos e seus pares, justificaram suas intensões mediante a exteriorização de suas atitudes.

        Essa disrupção (desmoronamento), torna-se cada vez mais evidente em razão de haver vínculos: institucionais, partidários, políticos e principalmente empresariais e até privados no campo dos acontecimentos (O Mercado que você cita).

        É surpreendente e ao mesmo tempo positivo e necessário que isso se torne público e alcance todas as pessoas. No primeiro movimento é a falta de informação nas cabeças que faz as pessoas irem para as ruas e exteriorizarem o descontentamento em razão de sofrerem diretamente os efeitos do desemprego, alta da inflação, custo de vida, falta de oportunidades e outras dificuldades.

        Na esfera educacional vemos a formação de grupos docentes/discentes se movendo em direção a interesses comuns, com exigências cada vez mais ativas e representacionais; esse é o seu campo de atuação.

        Na área empresarial da qual faço parte, noto um sentimento de aversão, acompanhamento dos fatos e intensas rupturas das parcerias institucionais com pessoas envolvidas nos meios políticos. Uma enorme desconfiança se instalou e pratica-se revisão da conduta de gerentes, diretores e até dos projetos em andamento, cujas irregularidades serão combatidas a todo custo.

        Na esfera política é o salve-se quem puder, pois não há mais terreno e nenhuma segurança aos políticos que estão pendendo o foro privilegiado e sentindo o gosto da prisão fria sem as mordomias com a qual estavam acostumados.

        Nossa economia sentirá o impacto da ruptura com a falência generalizada de empresas públicas, estados, municípios e aqueles que se sentiam confortáveis com salários garantidos, terão que procurar alternativas mais produtivas para contornar essa crise de longa duração.

        No campo judicial observamos um verdadeiro jogos vorazes, cuja metáfora se ajusta perfeitamente ao intuito de caçar os culpados da desordem até as últimas consequências.

        Estamos juntos nessa luta, espero que a esperança seja o objetivo de todos.

        Abs.

      2. Prezado Reinaldo,
        contra fatos há argumentos?

        Dentro da dependência de trajetória caótica, detonada por fatos contingentes — inédita investigação da corrupção, prisões de alto-escalão de empresas e partidos, eleições polarizadas, oportunismo golpista, etc. –, a esperança é que ocorra um avanço da cidadania no Brasil com a exigência de cumprimento de deveres educacionais, culturais e comportamentais éticos e democráticos.

        Estudar, ser culto e honesto, além de respeitar as regras da democracia, tudo isso é imperativo para a cidadania brasileira.
        abs

  2. Prezado Fernando,

    completando o raciocínio sobre o termo caos que usei nos comentários, segue a conclusão: para que o caos se instale – e realmente se instalou no país -, basta apenas haver uma emergência de interações caóticas no meio convergente (partidos políticos e empresas) ou divergente (O mercado e o judiciário).

    Um comportamento emergente ou propriedade emergente pode aparecer quando uma quantia de entidades (agentes) simples operam em um ambiente, formando comportamentos complexos no coletivo. A propriedade em si é normalmente imprevisível e imprecedente, e representa um novo nível de evolução dos sistemas. O comportamento complexo ou as propriedades não são a propriedade de nenhuma entidade em particular, e eles também não podem ser previstos ou deduzidos dos comportamentos das entidades em nível baixo. O formato e o comportamento dos bandos de pássaros é um bom exemplo de um comportamento emergente. (fonte wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Emerg%C3%AAncia)

    As estruturas emergentes são padrões que não são criados por um único evento ou regras. Não existe nada que comande o sistema para que ele forme um padrão, mas ao invés disso as interações de cada parte com o ambiente externo, gera um processo complexo que leva à ordem. Pode-se concluir que as estruturas emergentes são mais que a soma de suas partes, pois a ordem emergente não irá surgir se as várias partes são simplesmente coexistentes; a interação destas partes é central. (fonte idem)

    É por esse motivo complexo e incluso no comportamento das pessoas em seu meio de mútua convivência, faz o aparecimento da emergência, causando a disrupção das estruturas nas escalas do pequeno, médio ao grande porte, chegando ao ponto de interferir no próprio funcionamento institucional de um país. Abs.

    1. Prezado Reinaldo,
      concordo com sua análise. A partir de comportamentos viciados por interações entre agentes privados e públicos, emergiu um fenômeno macroscópico complexo, porém passível de análise do Todo e das interações entre alguns nódulos-chave e mais uns poucos componentes adiante. Está ainda sendo um desafio entender tudo que está se passando.

      É um pesadelo do qual a gente não desperta. Jamais imaginei viver outra ameaça de golpe. Tenho trauma da vivência da minha juventude sob ditadura.
      abs

      1. Prezado Fernando,
        chegamos ao ponto de intersecção, são esses nós (pontos chaves), que desencadearam essa confusão que estamos presenciando. Tais elementos têm um enorme peso e uma forte interação no circuito dos acontecimentos, enquanto estiverem gerando informação no meio circundante o desequilíbrio será mantido.

        Quanto à ditadura estamos bem longe de algo assim, hoje a democracia está cada vez mais ativa e presente, não há esse perigo. Não vivi essa época da ditadura, mas pelos livros que li a respeito, foi algo trágico quase uma guerra.

        A cidadania acabará se beneficiando desse fenômeno com o afastamento das pessoas de seu estado de conforto, quando perceberem que não adianta correr para a igreja rezar aí talvez surja o despertar da consciência sobre a responsabilidade de cada um em relação ao seu meio, comunidade, país e o próprio planeta em que vivemos.

        A esperança é o foco no momento, uma prova é a COP-21 receber aprovação de 195 países. Abs

      2. Prezado Reinaldo,
        “Deus os fez e o diabo os ajuntou”… E nós, ateus, que nada temos com isso, temos de os aguentar?!🙂

        Não tenho tanta confiança quanto a que “hoje a democracia está cada vez mais ativa e presente”. Acho que ela é frágil e está ameaçada.

        Imagina se a direita consiga, novamente, dar um golpe de Estado, seja via parlamentar, seja via judiciário. Todos os oportunistas sem votos — Temer, Serra, Aecinho, etc. — chegarão ao Poder para desmanchar todas as conquistas sociais dos últimos 13 anos.

        Haverá reação nas ruas e em greves. As Forças Armadas serão chamadas para restabelecer a “ordem e progresso”. E não sairão mais do Poder durante décadas. Já vi este filme…

        “O otimismo é a filosofia do passado. Como, entre todos os acontecimentos possíveis, os que já se verificaram são os únicos que nos conhecemos, o mal que eles nos causaram nos parece inevitável, e o pequeno benefício — p.ex., a arte de ser criativo para fugir da censura — que não puderam impossibilitar, a eles os atribuímos, imaginando que sem eles não se teria produzido”.
        abs

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