Petróleo, Metais e Minério: Cotações Mínimas Históricas

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Rodrigo Rocha (Valor, 01/12/15) informa que, após demonstrar tímida recuperação em outubro, depois de seguidas quedas, os preços do minério de ferro, petróleo e metais atingiram mínimas históricas em novembro de 2015, ampliando a preocupação com uma possível recuperação do setor no curto prazo. A expectativa ainda é de queda para as cotações dessas commodities nos próximos meses.

No último dia do mês, o minério com teor de ferro a 62% era negociado a US$ 42,97 a tonelada no porto chinês de Qingdao, segundo informações da publicação especializada “Metal Bulletin“, na mínima histórica do levantamento. A publicação indica ainda que os preços podem chegar a US$ 40 nos próximos meses, com as negociações na Austrália para dezembro em valores abaixo dos últimos anteriores.

Já o cobre encerrou o mês com ligeira recuperação em relação à semana passada, quando chegou a ficar abaixo dos US$ 4.500 a tonelada por algumas horas, na mínima em seis anos. No dia 30, o metal foi negociado a US$ 4.586 a tonelada na London Metal Exchange (LME), em Londres. Desde o início do ano, a queda é de 25%, contra outubro, o recuo é de 10,7%.“Não espero que a queda [dos preços de metais e minério] continue com a mesma força, mas o nível de preços deve continuar pressionado e com uma base de negociação baixa por algum tempo. Acho impossível dizer que os preços cheguem a cair mais 10% nos próximos seis meses, mas com certeza eles continuarão baixos”, diz Jean Marc Ollagnier, diretor global da divisão de recursos da Accenture.

Outro metal a bater as mínimas históricas foi o níquel, que no dia 23 de outubro foi negociado a US$ 8.150 a tonelada na LME, menor nível desde 2009, durante a crise mundial. O metal fechou o mês negociado a US$ 8.860 a tonelada, queda de 12,5% em relação a outubro. Em 2015, o níquel recua 40%.

As produtoras chinesas tanto de cobre quanto de níquel anunciaram para os próximos meses redução de produção, na tentativa de diminuir os impactos da queda brusca nos preços. Apenas para dezembro, oito companhias da China pretendem retirar do mercado 15 mil toneladas de níquel.

Na visão do especialista da Accenture, um ciclo de alta mais longo que o habitual nos preços das commodities pode ter resultado em um período mais longo de baixas. O chamado “superciclo” começou em 2006 – com uma leve interrupção entre 2008 e 2009, por conta da crise financeira – e só demonstrou sua deterioração no ano passado.

“Esse ciclo foi mais longo que os anteriores, mas ficou claro que ele está chegando ao fim. Exatamente pelo tamanho do ciclo de alta anterior, os valores talvez levem mais tempo para se ajustar”, diz Ollagnier. “A principal razão desse ajuste é a China, cuja demanda está caindo, mas não é a única razão. Há também o excesso de oferta, como resultado dos investimentos da maioria das mineradoras nos últimos anos.

Além das preocupações com a economia chinesa, a expectativa de um aumento da taxa de juros americana pelo Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, em dezembro também pressionou para baixo o preço dos metais e do minério, diante de uma possível valorização do dólar frente às outras moedas.

O alumínio fechou o mês praticamente em linha com outubro, a US$ 1.446 a tonelada, recuo de 0,7% na comparação com o mês anterior. No ano, entretanto, o metal já recuou cerca de 20%.

O petróleo atingiu no mês o menor valor desde março de 2009. O Brent, negociado na ICE, em Londres, fechou dia 29 de novembro cotado a US$ 44,81 o barril, recuo de 9,6% contra outubro e de 22% no ano.

Os preços do petróleo tiveram novo recorde de baixa no dia 8 de dezembro de 2015, ao menor patamar em sete anos, devido às expectativas de alta nos estoques da commodity nos EUA pela décima-primeira semana consecutiva. O Departamento de Energia dos EUA, em seu relatório mensal de projeções de curto prazo, informou que a produção caiu em 60 mil barris por dia em novembro, ante o mês anterior, para 9,2 milhões de barris/dia. Em contraste, a produção de outubro recuou em 160 mil barris/dia ante setembro.

O Brent, referência mundial, chegou a cair para US$ 39,81 o barril no início das negociações de ontem, a primeira queda abaixo de US$ 40 desde 2009, e encerrou com perda de US$ 0,47 (1,2%), a US$ 40,26 o barril na ICE Futures Europe, em Londres. O WTI, referência dos Estados Unidos, perdeu US$ 0,14 (0,4%), para US$ 37,51 o barril na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex). Ambos os contratos tiveram a maior baixa desde 18 de fevereiro de 2009.

O Departamento de Energia dos Estados Unidos estima que a produção doméstica de petróleo vai cair até o terceiro trimestre de 2016, antes de retomar o crescimento no fim do próximo ano. “Embora a produção mensal onshore de petróleo deva continuar a cair durante a maior parte do próximo ano, a produção no Golfo do México está no rumo de um firme crescimento”, segundo o departamento americano.

A agência revisou ligeiramente para baixo sua estimativa de produção de petróleo nos Estados Unidos, em 2016, para 8,76 milhões de barris por dia, de 8,77 milhões de barris por dia. No entanto, ela revisou para cima sua projeção para este ano, para 9,33 milhões de barris por dia, de uma estimativa anterior de 9,29 milhões de barris.

Com relação aos preços, a agência rebaixou sua projeção para a cotação média do petróleo WTI para US$ 50,89 por barril em 2016, de uma estimativa anterior de US$ 51,30 por barril. A projeção para 2015 também foi revisada em baixa, para US$ 49,08 por barril, de uma previsão anterior de US$ 49,88 por barril.

 

A queda nas cotações do petróleo se aprofundou com a luta travada pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) com os produtores de xisto nos Estados Unidos. O cartel esteve reunido e havia a expectativa de que fosse fixada uma meta de produção que limitasse a oferta de petróleo. Como não houve consenso entre os membros do cartel, a proposta de meta foi abandonada, alimentando o ciclo de queda nos preços. A Opep poderá realizar uma reunião de emergência se os preços caem para US$ 30 o barril.

Na ponta de consumo, a China mantem a tendência de alta nas importações da commodity. “A China continua a dar suporte à expansão das refinarias, permitindo mais importação de petróleo. Esperamos que esse comportamento se mantenha”, disse a ANZ Research. De acordo com Barnabas Gan, analista de energia da OCBC, a alta de 7,6% nas importações de petróleo em novembro na comparação anual, para 27,3 milhões de toneladas, ficou dentro do esperado.

A preocupação com o excesso de oferta nos Estados Unidos e nos país membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ainda preocupa o setor, como nos meses anteriores.

As descobertas de gás de xisto nos Estados Unidos e o longo caminho para um reequilíbrio entre oferta e demanda vêm causando não apenas um recuo importante nos preços, mas também uma revisão dos investimentos no setor, com o cancelamento de uma série de projetos que não são considerados mais rentáveis com o barril abaixo de US$ 45.

Não é uma mudança cíclica, os Estados Unidos se tornaram o maior produtor de petróleo em menos de cinco anos. A Opep não é mais um organismo regulador dos preços”, diz Ollagnier. O executivo, no entanto, não enxerga os atuais níveis de preço do petróleo como o limite mínimo, para ele, ainda é possível que algumas companhias consigam lucrar com o barril entre US$ 35 e US$ 40.

Enquanto isso, no Brasil, a extração do petróleo de águas profundas abaixo da camada de pré-sal vai muito bem, em ritmo de crescimento que é recorde histórico.

Segundo a ANP, a produção de petróleo e a de gás natural em outubro de 2015 no Brasil foi estável na comparação com setembro. Foram produzidos aproximadamente 2,406 milhões de barris de petróleo por dia (bbl/d), um aumento de 0,5% na comparação com o mês anterior e também em relação ao mesmo mês em 2014. Já produção de gás natural totalizou 97,6 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), um aumento de 0,2 %, frente ao mês anterior e de 5,3 % na comparação com o mesmo mês em 2014.

A produção total de petróleo e gás natural no Brasil no mês de outubro alcançou aproximadamente 3,020 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Mais informações no Boletim da Produção da ANP.

Pré-sal

A produção do pré-sal, oriunda de 52 poços, foi de 809,8 mil barris por dia (bbl/d) de petróleo e 31,1 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) de gás natural, totalizando 1,005 milhão de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), uma redução de 2,3% em relação ao mês anterior. Os poços do “pré-sal” são aqueles cuja produção é realizada no horizonte geológico denominado pré-sal, em campos localizados na área definida no inciso IV do caput do art. 2º da Lei nº 12.351, de 2010.

Queima de gás

O aproveitamento de gás natural no mês foi de 95,8%. A queima de gás em outubro foi de 4,1 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), uma redução de 15,7%, se comparada ao mês anterior e um aumento de 5,8 % em relação ao mesmo mês em 2014.

Campos produtores

Os campos marítimos produziram 93,3% do petróleo e 76,2% do gás natural. A produção ocorreu em 8.998 poços, sendo 775 marítimos e 8.223 terrestres. Os campos operados pela Petrobras produziram 93,2% do petróleo e gás natural.

O campo de Lula, na Bacia de Santos, foi o maior produtor de petróleo e gás natural, produzindo, em média, 331,3 mil bbl/d de petróleo e 15,7 milhões de m3/d de gás natural.

Carmópolis, na Bacia de Sergipe, teve o maior número de poços produtores: 1.065. Marlim, na Bacia de Campos, foi o campo marítimo com maior número de poços produtores: 62.

A plataforma P-58, localizada no campo de Jubarte, produziu, por meio de 8 poços a ela interligados, 146,3 mil boe/d e foi a plataforma com maior produção.

As bacias maduras terrestres (campos/testes de longa duração das bacias do Espírito Santo, Potiguar, Recôncavo, Sergipe e Alagoas) produziram 165,5 mil boe/d, sendo 134,5 mil bbl/d de petróleo e 4,9 milhões de m³/d de gás natural. Desse total, 160,4 mil barris de óleo equivalente por dia foram produzidos pela Petrobras e 3,6 mil boe/d por concessões não operadas pela Petrobras, sendo 313 boe/d em Alagoas, 1.570 boe/d na Bahia, 26 boe/d no Espírito Santo, 1.505 boe/d no Rio Grande do Norte e 213 boe/d em Sergipe.

Outras informações

Em outubro de 2015, 307 concessões operadas por 26 empresas foram responsáveis pela produção nacional. Destas, 82 são concessões marítimas e 225 terrestres. Do total das concessões produtoras, uma se encontra em atividade exploratória e produzindo através de Teste de Longa Duração (TLD) e outras oito são relativas a contratos de áreas contendo acumulações marginais.

O grau API médio do petróleo produzido em setembro foi de 25, sendo 7,8% da produção considerada óleo leve (>=31°API), 60% óleo médio (>=22 API e <31 API) e 32,2% óleo pesado (<22 API), de acordo com a classificação da Portaria ANP nº 09/2000.

Leia mais:

2015

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