Perfil da Maioria Defensora da Democracia

Paulista 15.12.15 Contragolpe 15.12.15 Fora Cunha

Bernardo Mello Franco (FSP, 18/12/15) avalia que “a PM de Geraldo Alckmin tem um modo peculiar de contar manifestantes. Quando o protesto agrada, multiplica. Quando desagrada, divide. Na quarta, a polícia informou que apenas 3.000 pessoas foram à avenida Paulista gritar contra o impeachment. Ontem, desmoralizada pelas imagens do ato e pelo Datafolha, revisou a conta para 50 mil“.

Na renda e na escolaridade, os 40,3 mil manifestantes anti-Dilma que fizeram ato na avenida Paulista no domingo (13/12/15) e os 55 mil que foram à mesma via nesta quarta (16/12/15) defender o mandato da petista são estratos sociais distintos entre si e, dedutivamente, distintos da média da população paulistana.

A constatação é do Datafolha, que, além de contar a quantidade de pessoas em cada protesto, investigou o perfil do público de cada evento.

O problema é que a estratificação social baseada em renda, escolaridade, idade e gêneros não definem, exatamente, o perfil político-ideológico. Para identificar valores culturais, evitando tanto o economicismo quanto o sociologismo, em uma suposta determinação automática, tenho preferido analisar através das castas os valores culturais relacionados às ocupações.

Mas mesmo as ocupações não são determinantes precisas, pois há dependência de trajetória [path dependence] de cada indivíduo, ou seja, a história pessoal e as circunstâncias presentes importam. Posicionamento ideológico massivo é um fenômeno emergente complexo. Vejam que a tipologia abaixo aponta meras tendências e/ou predominâncias.

Castas Valores e Ocupações

Representantes das castas dos guerreiros-atletas, dos aristocratas e proprietários rurais, dos comerciantes-financistas “firmes” e dos sábios-tecnocratas e sábios-sacerdotes devem ter comparecido à manifestação golpista. Já representantes das castas dos sábios-criativos, comerciantes-financistas “brandos” e trabalhadores em geral reagiram em defesa da democracia brasileira.

Na cidade de São Paulo, 27% da população têm renda familiar mensal de até dois salários mínimos (R$ 1.576), o segmento mais pobre dos recortes identificados pelo instituto. Na manifestação democrática, a representação dos mais pobres era bem menor, 16%. E no ato golpista anti-Dilma, meros 6%.

Contraste parecido, mas com as tendências invertidas, ocorre no segmento dos mais ricos, com renda acima de dez salários mínimos (R$ 7.880). Nessa faixa estão só 9% dos moradores da capital, mas 21% dos que marcharam pela defesa do mandato da Presidenta e 44% dos adeptos do golpe.

Diferenças nos perfis de escolaridade são ainda mais radicais. Em toda a cidade de São Paulo, 28% têm ensino superior. Na passeata dos democráticos, eram 62%. Na manifestação dos golpistas, 81%.

Outras diferenças notáveis podem ser percebidas na prevalência de ocupações. Empresários eram 15% na defesa do golpe de Estado, ante 2% na cidade, e 4% na marcha desta quarta. Em compensação, funcionários públicos foram muito mais presentes no ato em defesa da democracia: 13% ante 7% no ato de domingo e só 3% na população.

A predominância de homens é equivalente nos dois protestos. Assim como a idade mais avançada.

Na marcha em defesa do mandato de Dilma, 88% afirmaram ao Datafolha que votaram na petista no segundo turno da eleição de 2014 – e 3% disseram ter votado no senador Aécio Neves (PSDB). Que engano lamentável…

Embora o instituto não tenha perguntado diretamente, a taxa de arrependimento dos que votaram na petista parece ser baixa. Para 59%, Dilma faz um governo ótimo ou bom. Só 11% a desaprovam.

De cada dez presentes, seis (58%) citaram o PT como partido preferido. Outros 9% citaram o PSOL, sigla que é contra o impeachment, mas faz oposição a Dilma no Congresso. O PC do B foi mencionado por 5%. E 23% disseram não ter preferência partidária.

Entre “os golpistas de domingo”, PSDB era o partido preferido com 30% de citações. O recém-criado Novo, de viés neoliberal, foi mencionado por 5%. DEM, PCO, PMDB e PSB foram mencionados por 1% cada. O PT ficou com zero [bom]. A maioria (55%) não tinha preferência partidária alguma.

A expectativa em relação a um eventual governo Michel Temer (PMDB), o vice de Dilma, é baixíssima. Para 73%, ele faria uma gestão ruim ou péssima. Só 5% demonstram otimismo com essa hipótese.

Em um aspecto, opositores de Dilma e defensores do mandato da presidente são praticamente idênticos. A torcida pela cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é quase unânime. Nesta quarta, 95% responderam que são favoráveis à queda do peemedebista. No domingo, 91%.

Depois do “Fica, Dilma”, o “Fora, Cunha” foi a principal pauta da marcha desta quarta-feira.

O Datafolha ouviu 1.478 pessoas durante o curso da manifestação. A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

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