Ciclos de Expansão da Economia Norte-Americana

Ciclo de Longa Duração - EUA

Sérgio Lamucci (Valor, 11/11/15) informa que a economia americana cresce a um ritmo modesto desde que saiu da recessão, em junho de 2009, mas o atual ciclo de expansão tem se mostrado resistente e duradouro. Os EUA avançam há 76 meses, o quinto período mais longo desde meados do século XX, e as perspectivas são de que o crescimento continue por mais alguns anos. Para o banco Goldman Sachs, há a chance de 60% de o ciclo atual durar uma década, o que igualaria o recorde de 120 meses atingido entre março de 1991 e março de 2001.

A força do consumo, amparada num mercado de trabalho mais firme e na retomada do setor imobiliário, sugere que a expansão deverá se manter em ritmo moderado nos próximos trimestres. O dólar valorizado e a fraqueza da economia global jogam contra um crescimento mais forte, mas contribuem para evitar pressões inflacionárias relevantes nos EUA.O economista-chefe para os EUA do Barclays, Michael Gapen, diz que o ciclo atual tem fôlego para se estender por mais dois a quatro anos, podendo ser o mais longo da história americana. Para ele, a longevidade da expansão atual se deve a três motivos: a economia sofreu muito na Grande Recessão, que durou do fim de 2007 a meados de 2009; o crescimento pós-crise foi modesto; não há grandes desequilíbrios na economia. Segundo ele, os bancos não estão alavancados em demasia, e as empresas e famílias não têm um nível de endividamento exagerado.

Se chama a atenção pela extensão, o ciclo atual não é exatamente dinâmico, como destacam economistas do HSBC, em relatório. Desde que os EUA saíram da recessão, há pouco mais de seis anos, o crescimento anual ficou em média em 2,2%.

Os dois ciclos mais longos no país tiveram taxas bem maiores. A etapa que durou 106 meses na década de 1960 teve um ritmo médio anual de 4,9%, enquanto que o ciclo de 1991 a 2001 mostrou avanço de 3,6%, num quadro marcado por aumento expressivo da produtividade, refletindo mudanças relacionadas à tecnologia da informação. “Em comparação com essas expansões recordes, o atual ciclo só pode ser descrito como morno”, resumem analistas do banco.

Para o economista Ryan Wang, do HSBC, há espaço para a economia continuar a crescer a um ritmo de 2% a 2,5% até 2017, exibindo força em setores como o de serviços e fraqueza na indústria manufatureira. Segundo ele, isso não é algo comum para o padrão de expansão dos EUA, mas pode seguir por mais tempo, uma vez que a manufatura tem hoje menos importância. A demanda doméstica, por sua vez, poderia crescer entre 2,5% e 3%. Condições financeiras ainda favoráveis – os juros devem subir, mas gradualmente – e uma política fiscal que não deverá pesar sobre a atividade darão fôlego à atividade econômica interna.

O economista Zach Pandl, do Goldman Sachs, vê chance considerável de o atual ciclo durar 10 anos. “Embora haja claramente alguns riscos para a economia americana, especialmente derivados de eventos externos, não esperamos que a expansão morra de velhice”, escreveu.

Analisando 355 períodos de avanço econômico em 14 países desenvolvidos, Pandl nota que a duração dos ciclos de crescimento aumentou com o tempo. “Antes de 1950, a expansão média durava três anos, com apenas algumas levando 10 anos ou mais.” Depois disso, elas passaram a durar em média oito anos, com muitas alcançando ou superando uma década. Nos EUA, a média pós-1950 ficou na casa de cinco anos.

Com base nas informações a partir de 1950, o economista calculou a probabilidade de uma expansão continuar a partir de um determinado ponto. Segundo Pandl, no momento em que começa, o ciclo tem uma chance de 45% de superar seis anos. Já ao chegar a seis anos, como o atual, tem uma probabilidade de 60% de evitar uma recessão nos quatro anos seguintes, chegando a uma década.

Os analistas não contam com uma aceleração expressiva do ritmo de expansão dos EUA nos próximos anos. Boa parte estima que o crescimento potencial (aquele que não acelera a inflação) está hoje na casa de 2%. Para Gapen e Wang, o avanço mais lento da força de trabalho, em parte devido ao envelhecimento da população, e a alta menor da produtividade explicam o nível modesto dessa taxa.

Por mais um ou dois anos, é possível crescer acima do ritmo potencial sem pressões inflacionárias, porque ainda há ociosidade. Depois disso, acelerar a produtividade será decisivo. O que se vislumbra hoje, contudo, é uma atividade econômica que pode crescer por mais um bom tempo, mas a um ritmo modesto.

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