Dificuldades para Retomar o Crescimento Mundial

IAN TALLEY, de Antalya, Turquia (WSJ, 16 de Novembro de 2015) avalia que os líderes globais estão ficando sem opções para reanimar a debilitada economia global.

Depois de anos recorrendo ao apoio de seus bancos centrais, as principais economias do mundo vêm enfrentando dificuldades para criar medidas viáveis que alterem um cenário cada vez mais sombrio. Esses países também estão às voltas com uma série de novos problemas, desde questões políticas até crises de segurança, que estão piorando as perspectivas e levantando dúvidas sobre a capacidade deles de impedir que a economia global caia numa recessão prolongada.

Os líderes do G-20, que reúne as 20 maiores economias do mundo, incluindo o Brasil, confrontaram essa realidade, ao iniciar a reunião anual da entidade, em Antalya, Turquia. A desaceleração da China e a agitação nos mercados emergentes já vinham agravando as preocupações. Agora, uma crise de refugiados cada vez maior na Europa e um temor renovado do terrorismo, após os ataques em Paris, estão desviando a atenção dos problemas econômicos subjacentes, que já vinham se mostrando difíceis de resolver.

Na crise global de 2009, o G-20 se tornou o Conselho Executivo da economia mundial e conseguiu coordenar uma resposta política de peso por meio de gastos governamentais e estímulos dos bancos centrais. Mas, desde então, esses países têm penado para sair de um crescimento anêmico e sua capacidade de coordenação está perto do limite.

Há dois anos, o G-20 lançou um plano de US$ 2 trilhões para elevar a taxa de crescimento econômico mundial em dois pontos percentuais através da ampliação dos investimentos em infraestrutura e da reestruturação de suas economias em benefício da produtividade e da concorrência. O grupo tem sido forçado a adiar o lançamento das reformas econômicas prometidas em meio a uma enxurrada de desafios políticos. Já o Fundo Monetário Internacional, que conta com 188 países-membros, tem reduzido constantemente, e não elevado, suas estimativas de crescimento da economia mundial.

Ganhos menores ocorreram nesse ínterim. As autoridades reunidas em Antalya dizem ter implementado cerca de metade das mil políticas definidas pelos membros do G-20 no ano passado, medidas que eles afirmam poder acrescentar 0,7 ponto percentual ao crescimento ao longo de cinco anos.

Em outubro, o G-20 aprovou um acordo fiscal internacional que visa conter a evasão de impostos por parte de multinacionais, um passo que pode ajudar a impedir uma erosão de receita estimada entre US$ 100 bilhões e US$ 240 bilhões por ano. A Europa destaca a sua nova supervisão bancária centralizada, que tem como objetivo liberar financiamentos suficientes para estimular o crescimento, apesar de essa política estar em andamento desde 2012.

Ainda assim, tudo isso irá gerar um apoio muito aquém do necessário para a debilitada economia global.

“A pergunta que deve ser feita a cada líder é: “Onde está o crescimento?’”, diz Thomas Bernes, acadêmico do Centro para Inovação da Governança Internacional, sediado no Canadá, e ex-integrante do conselho do FMI. “A estratégia que eles têm adotado […] ainda não deu resultado. O que vem depois?”

A enxurrada de estímulos governamentais que ajudou a impulsionar o crescimento econômico em 2009 transformou a recessão global em expansão em 2010. Mas ela também elevou o endividamento para níveis perigosos, deixando pouco espaço para novos gastos.

Os bancos centrais das economias avançadas estão, agora, causando menos impacto com seus programas de compras de títulos. Eles também estão tendo mais dificuldade para promover o crescimento através de estímulos ao crédito, uma vez que as taxas de juros já atingiram seus limites mínimos. Alguns países até mesmo tentaram levar suas taxas para território negativo, cobrando dos depositantes para deixar seus recursos parados nos bancos, numa tentativa de encorajar gastos e investimentos.

Altos níveis de endividamento deixaram pouco apetite para ampliar os gastos dos governos. Embora os déficits orçamentários tenham se recuperado dos seus níveis mais tóxicos, nos países mais ricos eles ainda atingem o dobro dos níveis pré-crise. E, num momento em que a Europa tenta deixar para trás sua própria crise de dívida, um influxo de refugiados do Oriente Médio e do norte da África está voltando a pressionar os orçamentos.

O único país que poderia estimular uma maior demanda na região, a Alemanha, tem rejeitado firmemente os apelos para ampliar gastos públicos.

Enquanto isso, os principais motores que tiraram a economia da crise — os mercados emergentes — estão enfrentando problemas que restringem a sua capacidade de ação. A queda nos preços das commodities, a desaceleração da China e a fuga de investidores estão expondo fragilidades profundamente enraizadas. Muitos emergentes já alcançaram o limite de sua capacidade de crescer sem realizar reformas econômicas fundamentais. Disputas políticas internas, porém, estão dificultando essas reformas.

Com poucas exceções, esses problemas deixaram esses países praticamente sem recursos para estimular a demanda.

Antes da recessão global de 2009, os governos dos países emergentes, de modo geral, registravam superávits orçamentários. Hoje, esses países enfrentam um déficit orçamentário médio equivalente a 4% do produto interno bruto. Em agosto, o governo brasileiro, por exemplo, anunciou que prevê para 2016 um déficit orçamentário de R$ 30,5 bilhões, equivalente a cerca de 0,5% do PIB.

Os níveis gerais de dívida nos mercados emergentes também inflaram. O Instituto das Finanças Internacionais, um grupo setorial, afirma que a dívida dos mercados emergentes deu um salto de US$ 28 trilhões, para em torno de 200% do PIB combinado desses países, ante aproximadamente 150% em 2007.

O FMI alerta que uma próxima onda de inadimplência não irá apenas restringir empréstimos bancários essenciais para estimular o crescimento, mas também pesar sobre as finanças dos governos.

Com um cenário global tão sombrio, o mundo agora conta amplamente com os Estados Unidos como um consumidor de último recurso.

Maurice Obstfeld, novo economista-chefe do FMI, diz que não espera uma queda iminente na economia mundial. “Mas, claramente, um crescimento lento e irregular amplia o risco de você entrar numa recessão.”

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