Vem Prá Direita “Não é Nós” (sic)

Filha do Cunha

Publicação de uma das filhas do presidente da Câmara dos Deputados, Gabriela, em sua conta no Instagram. Filha do Cunha é… filha do Cunha!

 

Passei uma semana boiando no mar, observando as nuvens. Lembrei-me da frase do vovô Tancredo Neves, cujo netinho (Aecinho) parece ter esquecido, “política é como nuvem, nunca permanece estática”. Tentei esquecer-me da violência, truculência, brutalidade, grosseria, do que não tem finura, enfim, da direita brasileira. Distrai-me das más lembranças do ano, embora não tenha deixado de ver vulgaridades e exibicionismos do “andar de cima” em iates ancorados para serem vistos.

Voltei e fui dar uma olhadinha no jornal. Chocou-me a foto acima (FSP, 26/12/15), mas lendo a legenda, não era de se esperar outra atitude da progenitura.

Outras notícias revelam que está passando a moda de se assumir como pessoa de direita. Os golpistas saíram do armário — depois de 30 anos após a ditadura militar –, mas já estão voltando para ele, de onde nunca deveriam ter saído. O Vem Pra Rua e o Acorda Brasil micaram!

Algumas amostras são sintomáticas.

Antes filiado ao DEM, o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo realizou travessia ideológica idêntica à feita pelo presidente de seu atual partido, o PSD do ministro das Cidades Gilberto Kassab — distanciou-se do tucanato paulista e se aproximou do governo federal. Liberal clássico, cunhou a famosa locução “elite branca brasileira” para designar os  corruptores e sonegadores que se apresentam agora, cinicamente, como moralistas.

Advogado, Lembo é contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Há pessoas com tradição democrática que estão se conspurcando, conspurcando inclusive o próprio passado, por um interesse egoísta”, afirma Lembo à Folha, sem citar nomes. A fala, no entanto, tem endereço fácil de descobrir: seus ex-aliados tucanos.

“Eu vejo no Brasil um grupo de derrotados que quer derrubar alguém que foi eleito pelo povo, acho isso muito equivocado, muito errado.”

Para o ex-governador, o impeachment faz parte de uma onda que ocorre na América Latina desde o impedimento de Fernando Collor, no Brasil do início dos anos 1990. Os golpes de Estado, tão comuns na região durante as décadas anteriores, teriam sido substituídos por impeachments que teriam apenas verniz constitucional. É o argumento usado por ele na opinião jurídica que publicou sobre o assunto.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista (FSP, 07/12/15) com Lembo, que assumiu o governo de São Paulo em 2006 após o então governador Geraldo Alckmin (PSDB), de quem era vice, deixar o cargo para disputar a Presidência da República.

*

Folha – Como o sr. enxerga o papel da oposição formal, como o PSDB, de quem o sr. foi aliado quando governador de São Paulo?
Cláudio Lembo – Acho um papel amargo, porque há pessoas com tradição democrática que estão se conspurcando, conspurcando inclusive o próprio passado, por um interesse egoísta.

Qual é a argumentação que o sr. usa para defender que o impeachment de Dilma não deve ocorrer?
Todos já disseram que é fraude, todos já disseram que aquelas contas que foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União, depois analisadas pelo Congresso, que é meramente indicativo etc. O meu ponto é mais sociológico.

Por acaso, na Argentina, encontrei um livro excepcional, de um menino argentino. O livro dele é sobre como na América Latina atual substituíram-se os golpes militares por impeachment. Esse juízo político, que é o impeachment, está sendo usado pelos conservadores, pelos reacionários, pelos contrários aos governos eleitos — seja o país que for —, para derrubar presidentes. Isso me sensibilizou muito, e é verdade.

Eu vejo no Brasil um grupo de derrotados que quer derrubar alguém que foi eleito pelo povo, acho isso muito equivocado, muito errado.

O governo entrou em contato com o sr. a fim de pedir um posicionamento público?
Foi espontâneo, absolutamente espontâneo. Porque [os que são a favor do impeachment] são grupos que não se conformam com o resultado das urnas. Não é possível fazer democracia assim — se dissessem: “Vamos esperar 2018 e eleger outra linha de pensamento”, tudo bem. Mas derrubar um presidente eleito é um absurdo.

Socialite

Outra notícia mostra o segundo neurônio, Teco, conversando com o primeiro, Tico.

FSP, 27/12/15: Ex-militante entusiasmada de grupos que pedem a queda da presidente Dilma Rousseff, como o Vem Pra Rua e o Acorda Brasil, a empresária e socialite Rosangela Lyra agora se diz contra o impeachment. Mais importante, diz a presidente da Associação dos Lojistas dos Jardins –conhecida também por ser ex-sogra do jogador Kaká –, é coletar assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular patrocinado pelo Ministério Público com medidas anticorrupção. “Hoje, para mim, passar o Brasil a limpo é mais importante que tirar o PT do poder na marra”, explica.

*

No início do ano, pensava que seria possível uma renúncia da presidente Dilma. Falava-se muito da possibilidade de ter havido fraude na reeleição, a economia estava com uma perspectiva muito ruim, o desemprego estava crescendo e havia erros de gestão. Queria que ela saísse.

Na eleição, Eduardo Campos era a minha opção. Quando ele faleceu, eu comecei a apoiar a Marina e colaborei um pouco com a campanha. Marina foi desconstruída pelo marketing do PT. No momento em que ela apoiou o Aécio, fiz o mesmo, porque eu não queria a Dilma.

Em agosto de 2014, comecei a fazer o Política Viva [encontros em que convidados debatem o cenário nacional]. Me envolvi mais abertamente com política.

Anteriormente, já havia ajudado a campanha de 2004 do ex-prefeito José Serra (PSDB) e fiz um jantar para arrecadar fundos para a campanha de 2010 do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Não tenho simpatia pelo PT.

A convite dos fundadores do Vem Pra Rua, fiz parte do movimento deles por dois meses. Algumas pessoas saíram e montaram o Acorda Brasil. Minha passagem por lá foi mais no sentido de entender o que eles queriam do que de efetivamente participar. Também arrecadei fundos para o MBL (Movimento Brasil Livre) na marcha que eles fizeram para Brasília.

Pensei: “São jovens que querem mudar o Brasil”. Eu não tinha visto tanto radicalismo naquele momento.

É mais fácil você criar um rótulo e sair atacando. Como posts de raiva geram mais “likes”, alguns movimentos põem um post de raiva e todo mundo concorda, comenta com emoticons de palminha, beijinho, bandeirinha.

No primeiro semestre, o Ministério Público me convidou a encabeçar um movimento junto aos lojistas, ao comércio aqui da região. Divulguei muito as 10 Medidas [conjunto de propostas do Ministério Público contra a corrupção]. Sacrifiquei horas de almoço, noite e fins de semana para coletar assinaturas.

Das 75 mil assinaturas que o nosso grupo, chamado Força-Tarefa das 10 Medidas, coletou até o dia 9 de dezembro, só metade fomos nós que colhemos. O resto foram os multiplicadores. Distribuímos mais de 5.000 kits com 64 fichas cada um. Por isso ganhei uma homenagem do Ministério Público.

Meu ponto de virada foi quando eu percebi a importância da Lava Jato e a não interferência da presidente. A gente se acostumou a mudar os personagens da história, e não o enredo. Prefiro mudar o enredo. Tem que pegar os corruptos, seja do PT, do PMDB, do PSDB, do PP.

Esse meu posicionamento vai ao encontro do que pensam os investigadores da Lava Jato. Na última coletiva, perguntaram se havia interferência do governo na operação. Os investigadores disseram que não havia. Poderiam ter se esquivado ou respondido com menos ênfase, mas foram categóricos.

Se a Lava Jato tem hoje o peso que tem, foi porque Dilma sancionou a lei que prevê a delação premiada e deixa a operação funcionar. Quem iria para a rua quando começassem as canetadas, as pessoas sendo soltas?

A Itália, na Operação Mãos Limpas, também prendeu poderosos, políticos e empresários. Mas, como não aproveitou aquele momento para fazer as reformas, entrou o Silvio Berlusconi [ex-premiê].

Escuto a explicação “um de cada vez” para justificar a saída da Dilma primeiro, mas não é assim no mundo real, você não tira dois presidentes do poder no mesmo ano.

Esse próximo presidente, independente de quem fosse, teria todos os poderes para desconstruir a Lava Jato.

Hoje, para mim, passar o Brasil a limpo é mais importante que tirar o PT do poder na marra. Eu não consigo ver as duas coisas – o impeachment e a ascensão de um político com discurso de unificação e com interesses políticos contrários à Lava Jato – possibilitando essa limpeza.

Eu chamo de evolução de posicionamento, não de mudança. As pessoas me escrevem: “Para com essa posição de ir contra o impeachment, você está queimando sua imagem”. Alguns me acusam de estar levando dinheiro do PT. Eu digo que o tempo vai corrigir qualquer distorção que eles estejam vendo.

Quando alguém diz que a Justiça e a Procuradoria só prendem gente do PMDB, e não do PT, eu pergunto: “Vocês esqueceram que João Vaccari Neto, José Dirceu e Delcídio do Amaral estão presos?”. Eles põem em dúvida a idoneidade da Procuradoria-Geral da República.

Que Dilma continue deixando a Lava Jato adquirir cada vez mais corpo e que ela enrole todos aqueles que fazem pressão para demitir o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que notadamente não interfere.

Tenho a humildade de ter mudado de opinião, por que não é fácil mudar. E tenho muita confiança de que é pelo bem do país.”

Finalmente, Jânio de Freitas (FSP, 27/12/15) avalia:

“Foi bom ser Chico Buarque o alvo dos fascistoides que o atacaram verbalmente no Leblon, entre os quais um tal Álvaro Garnero Filho, que traz no nome a sua ficha. Será sempre lembrado o lado a iniciar esse tipo de agressão no Rio de Janeiro, como ficou em São Paulo com a agressão ao ex-ministro Guido Mantega e sua mulher.

A lembrança fixada pelo nome de Chico Buarque evitará a malandragem aplicada à estupidez da “desconstrução”, que, lançada por Aécio Neves, como os arquivos de jornais provam, quando se mostrou negativa ficou atribuída a Dilma Rousseff.

Chico, além do mais, tira isso de letra.”

Prova disso está abaixo. A direita precisa estudar. Acumular capital humano. Este capital intelectual ninguém tira. Ninguém tira o trono do estudar.

O Trono do Estudar

Ninguém tira o trono do estudar
Ninguém é o dono do que a vida dá

Ninguém tira o trono do estudar
Ninguém é o dono do que a vida dá
E nem me colocando numa jaula
Porque sala de aula essa jaula vai virar
E nem me colocando numa jaula
Porque sala de aula essa jaula vai virar

A vida deu os muitos anos da estrutura
Do humano à procura do que Deus não respondeu
Deu a história, a ciência, arquitetura
Deu a arte, deu a cura e a cultura pra quem leu
Depois de tudo até chegar neste momento me negar
Conhecimento é me negar o que é meu

Não venha agora fazer furo em meu futuro
Me trancar num quarto escuro e fingir que me esqueceu
Vocês vão ter que acostumar.

Ninguém tira o trono do estudar
Ninguém é o dono do que a vida dá

Ninguém tira o trono do estudar
Ninguém é o dono do que a vida dá
E nem me colocando numa jaula
Porque sala de aula essa jaula vai virar
E nem me colocando numa jaula
Porque sala de aula essa jaula vai virar

E tem que honrar e se orgulhar do trono mesmo
E perder o sono mesmo pra lutar pelo o que é seu
Que neste trono todo ser humano é rei,
Seja preto, branco, gay, rico, pobre, santo, ateu
Pra ter escolha, tem que ter escola
Ninguém quer esmola, e isso ninguém pode negar
Nem a lei, nem estado, nem turista, nem palácio,
Nem artista, nem polícia militar
Vocês vão ter que engolir e se entregar
Ninguém tira o trono do estudar.

Alvarinho

“Xingar o sr. Chico foi um erro”, diz o estudante Alvaro Garnero Filho, o Alvarinho, que estava entre os jovens antipetistas que se envolveram em uma discussão com o cantor Chico Buarque na noite de segunda (21).

O jovem de 19 anos nega ter participado do bate-boca com o compositor.

“Eu não falei nada. Percebi uma confusão e fui ver o que era. Eu só conhecia os meninos envolvidos por meio de amigos em comum. Eu acho que o sr. Chico é uma pessoa mais velha e merece respeito. A cena em um local público foi desnecessária. Todo mundo tem direito a ter opinião e não ser hostilizado por isso“.

Alvarinho, que mora há 18 anos fora do país, e é filho do empresário e apresentador Alvaro Garnero, afirma estar recebendo ameaças depois do episódio.

“Fui ao shopping comprar presentes de Natal e fui xingado. Também recebi uma ligação anônima com ameaças”. Segundo o estudante, sua mãe e avó estão preocupadas com sua segurança e querem que ele retorne a Londres, onde vive.

“Acho muito desagradável tudo isso bem na hora do Ano-Novo. Se meus pais decidirem, terei que voltar. Foi uma coisa de hora e lugar errados. Estou me sentindo culpado sem ter feito nada”.

O jovem afirma que “não tinha ideia” que o compositor Chico Buarque era simpatizante do PT e se declara neutro politicamente.

“Não sinto que tenho base para opinar corretamente sobre a política brasileira. Só quero que o Brasil melhore”, explica.

Burros, voltem a se envergonhar! Idiotas, tenham consciência do mal que fazem a si e aos outros!

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