Cenário 2016

CUT - Custo Unitário do Trabalho 1994-2015

Preço do Importado X CUTAlex Ribeiro (Valor, 14/12/15) avalia que o Banco Central está menos pessimista do que os analistas econômicos não apenas sobre a inflação em 2016, mas também quanto ao crescimento da economia. Provavelmente não será possível evitar uma retração, que pode chegar a 2%, porque há uma contaminação estatística da recessão deste ano para o próximo. Mas o desempenho não seria tão ruim como as projeções de queda de até 3,5% que circulam no mercado financeiro.

Os economistas do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depec) do BC defenderam, em encontros com os diretores da casa, que o consumo das famílias não será tão fraco como neste ano. As exportações líquidas também teriam papel mais importante para sustentar a demanda agregada do que supõem os analistas do setor privado.

O diagnóstico nos escalões mais altos do BC é que, hoje, a economia já teria pago o preço em termos de recessão necessário para corrigir desajustes dos últimos anos, incluídos aí o setor externo, a política fiscal, o realinhamento de preços administrados e inflação de forma geral. Mas há uma queda adicional da economia ligada apenas a fatores políticos [FNC: paralisia do Congresso para “armar o golpe parlamentar”] e não econômicos.Dada a herança estatística deste ano para o próximo, uma eventual queda de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 poderá significar, na verdade, uma certa estabilidade da economia. O cenário de retração de 3,5% com que trabalham alguns economistas privados significaria retrações adicionais do PIB.

Mesmo em meio a tanta incerteza, avaliam os economistas do Depep, o consumo das famílias deverá garantir um nível de sustentação mínimo ao PIB. Isso porque, apesar do esperado aumento da taxa de desemprego, a massa salarial deverá se mostrar relativamente robusta em 2016.

Dois fatores devem contribuir. Um deles é o reajuste de dois dígitos do salário mínimo, que tende a puxar benefícios previdenciários e outros programas sociais e também os salários pagos por prefeituras. O mínimo tem ainda impacto forte sobretudo na renda do Nordeste.

Outro fator que deverá segurar a massa de rendimentos reaisa esperada queda da inflação. Mesmo na conta dos economistas do mercado, que são mais pessimistas sobre a inflação do ano que vem, haveria queda de 3,75 pontos percentuais no IPCA entre 2015 e 2016. O BC divulga uma projeção oficial para a inflação de 2016 que é mais otimista do que os 6,7% estimados pelos conjunto dos analistas econômicos no boletim Focus.

Do lado da demanda externa, o Banco Central tem chamado a atenção para a queda de quase 40% no custo unitário do trabalho na indústria, em dólares, desde o pico, observado em junho de 2014. Esse indicador (veja gráfico) mede a evolução do custo da mão de obra, expressa em dólares, de cada unidade produzida no país.

[FNC: como os preços dos importados concorrentes também se elevaram muito, melhorou a competitividade dos produtos nacionais, i.é, da produção doméstica substituta de importações.]

Em discurso — Discurso do presidente Alexandre Tombini no Almoço Anual da Febraban –, o presidente do BCB disse que a queda do custo unitário do trabalho deverá incentivar a substituição de importações “com reflexos favoráveis não para o balanço comercial, mas também para a atividade econômica”.

A leitura no BC é que, depois da queda muito forte em investimentos da Petrobras e de empresas ligadas à cadeia do petróleo em 2015, por causa da Operação Lava-Jato, não haveria muito espaço para retrações tão fortes também em 2016.

Ainda assim, o BC acha que ainda não é possível imaginar uma recuperação do item de demanda que tem mais caído – os investimentosaté que a questão política se resolva. Um ponto fundamental é o que acontece depois da ameaça do impeachment. Os otimistas esperam uma redução do nível de incerteza, independentemente do seu desfecho.

[FNC: Os pessimistas esperam uma reação popular-sindical, ao longo do tempo, caso ocorra um golpe de Estado.]

Economistas do BC dizem que um certo grau de desaceleração da atividade econômica seria inevitável para corrigir desequilíbrios acumulados nos dez anos anteriores.

[FNC: Quando a economia esteve muito melhor do que neste suposto “ano de ajuste fiscal”, ou seja, os neoliberais argumentavam que os problemas correntes em 2002 eram devidos ao futuro — temor do governo Lula — e, agora, em 2015, quando voltaram ao Poder, dizem que os problemas do presente são devidos ao passado — Nova Matriz Macroeconômica. Nunca reconhecem que eles criam seus próprios problemas… Com a possível melhoria das expectativas, devido ao retorno de um desenvolvimentista ao comando do Ministério da Fazenda, dirão que a causa está no passado, i.é, devido à política econômica levyana que fracassou no ano corrente.]

 

Haveria um lado “austríaco” positivo em qualquer recessão – uma referência à Escola Austríaca de pensamento econômico [argh], que diz que períodos de juros muito baixo levam à euforia, maus investimentos e desequilíbrios, que devem ser corrigidos por períodos de recessão.

Para o BC, a dose de recessão paga pela economia, porém, já superaria a necessária para curar os males do Brasil. [FNC: Isto é a concepção cristã de que tem de passar pelo purgatório para se chegar ao reino do céu…]

Se não fosse a crise política, provavelmente o país já estaria colhendo os benefícios do ajuste no setor externo e da correção relação entre os preços livres e os administrados, inclusive com a baixa dos juros básicos, em vez de novos aumentos que vem sendo contemplados pelo Banco Central.

[FNC: quanto a isso há consenso, os golpistas são um “atraso-de-vida”!]

Leia mais:  Globo para Sorteio

3 thoughts on “Cenário 2016

  1. Uma amiga mais consciente politicamente do que eu fez um comentário a respeito do possível impeachment que me deixou pensando a respeito: disse que se a Dilma realmente sair, esse dinheiro neoliberal vem a tona, quebrando um pouco essa retração econômica. (mesmo que esteja escondido embaixo do colchão; ou em contas da Suiça)
    Não sou qualificado pra falar a respeito, até por não entender de economia, mas acha que faz algum sentido?
    Nem eu nem ela somos a favor desse golpe, mas as vezes fico pensando que teríamos novamente uma oposição de respeito.
    Que venha 2016.

    Um abraço, Fernando.

    Renan

    1. Prezado Renan,
      os argumentos reacionários têm um padrão: qualquer reforma social progressista criaria um desastre maior, qualquer golpe de Estado a favor de colocar obstáculos nas investigações da corrupção, como haveria no caso do pacto PMDB-PSDB voltar ao Poder para retonar “engavetador-geral” no MP e na PF, seria melhor.

      Este argumento “dinheiro-neoliberal” começa falso de início. O que é isto?! Dinheiro da corrupção na Suíça?

      O montante de “dinheiro sujo” é grande (milhões) para PF – Pessoa Física, mas não para PJ – Pessoa Jurídica (bilhões). O problema atual não é falta de dinheiro, pelo contrário, há excesso de liquidez que o BCB tem de enxugar para a taxa de juros de mercado não ficar abaixo da meta-Selic.

      O problema maior é político, pois o golpismo da oposição impede o Congresso Nacional de cumprir seu papel de aprovar as medidas para o Brasil sair da crise. Para isso, não é necessário dar um golpe de Estado, muito antes pelo contrário!
      att.

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