Filantropia

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A antiga palavra ‘philan’, inventada pelos gregos e que origina o termo filantropia, não tinha nada a ver com doar dinheiro. Filantropia significa amor à humanidade, o amor às pessoas. Para os gregos antigos, significava dar o seu tempo ou sua energia e seu dinheiro.

Filantropia não é caridade. Caridade é só assinar cheques. Filantropia é um investimento que você quer ver um retorno, quer se trate de avanços em pesquisas científicas ou de desempenho na educação ou atrair o público para as artes. Você quer ver resultados” (Eli Broad).

Para Ricardo Geromel, no livro “Bilionários”, nada ilustra melhor o comprometimento de bilionários com filantropia do que a “promessa de doação” – do inglês, giving pledge – que é um pacto entre bilionários para doar mais de 50% das suas fortunas para ações filantrópicas de sua própria escolha antes de sua morte ou após morrerem, deixando essa “promessa de doação” clara nos seus testamentos.

Não é todo mundo que tem a capacidade de estar na lista de bilionários da Forbes e doar grandes somas de dinheiro. A maioria das pessoas nos Estados Unidos realmente só tem a capacidade de doar seu tempo, sua energia, e suas ideias, mas só algum dinheiro, mas nem de longe a quantidade de dinheiro de que é possível para os bilionários.

É interessante esse debate: o empreendedor de O Mercado capitalista acha que escolhe melhor do que o Estado as políticas públicas adequadas ou acha que, neste, “vaza dinheiro” antes de chegar ao destino final. Então, resiste ao Imposto sobre Grande Fortuna, optando por trocar o pagamento de tributo por isenção fiscal obtida com a filantropia.

Warren Buffett fez sua promessa filantrópica, entre outras, pela seguinte razão: “Minha riqueza vem de uma combinação de viver nos Estados Unidos, alguns genes de sorte e juros compostos. Ambos os meus filhos e eu ganhamos no que eu chamo de loteria do ovário. (Para começar, as chances do meu nascimento em 1930 ocorrer nos EUA eram de pelo menos 30 contra 1. Ser homem branco também removeu a maioria dos enormes obstáculos que norte-americanos, em seguida, enfrentaram.) Minha sorte foi acentuada por viver em um sistema de mercado que, por vezes, produz resultados distorcidos, embora, no geral, sirva bem o nosso país. Eu trabalhei em uma economia que recompensa quem salva a vida de outras pessoas em um campo de batalha com uma medalha, recompensa um grande professor com notas de agradecimento por parte dos pais, mas recompensa aqueles que podem detectar erros nos preços de títulos com somas que chegam aos bilhões. Em suma, a distribuição da sorte pelo destino é descontroladamente caprichosa.”

Complementa: “A reação da minha família e minha à nossa extraordinária boa sorte não é de culpa, mas sim de gratidão. Se fôssemos usar mais de 1% dos meus ‘cheques’ para nós mesmos, nem a nossa felicidade nem o nosso bem-estar aumentariam. Por outro lado, os restantes 99% podem ter um enorme efeito sobre a saúde e o bem-estar de outros.”

Outra postura necessária é  “tornar-se presente”. Este é o lema da gestaltoterapia. É uma forma de tratamento baseada nas hipóteses da Psicologia da Forma e da Psicanálise, que visa, por meio de intervenções individuais e de grupo, restabelecer uma referência imediata e diferenciada à realidade para a percepção, a autoestima e a autoimagem. Esta terapia foi criada no decênio de 1940 pelo médico alemão Frederick “Fritz” Perls.

Baseado em sua prática, Carlos Slim aconselha: “Viva o presente intensa e totalmente, não deixe o passado ser um fardo, e deixe o futuro ser um incentivo. Cada pessoa forja o seu próprio destino.”

Geromel cita o ditado que “enquanto você fala, diz o que já sabe. Portanto, aprende menos do que quando ouve”. Talvez por isso qualquer pessoa tem de se interessar pelo que o interlocutor diz: para criar empatia.

Uma breve anedota política ilustra a importância de criar empatia. Dois candidatos à presidência do país foram entrevistados por uma renomada jornalista. O primeiro, de currículo perfeito, respondeu a todas as perguntas com maestria. Ele era eloquente, bem articulado, ia direto ao ponto e tinha boas respostas e planos concretos para todas as perguntas. A jornalista saiu da entrevista impressionadíssima com o candidato. Depois, ela foi entrevistar o concorrente, que no final de cada uma de suas respostas, perguntava à jornalista: “E você, concorda com isso? Acha que poderíamos fazer diferente? Aliás, qual a sua área de expertise? Tem alguma coisa que te tira do sério e que você acha que o governo deveria mudar mais rapidamente?”.

Em suma, o candidato parecia querer ouvir as opiniões de quem o entrevistava. A jornalista saiu deste segundo encontro sentindo que ela era a pessoa mais importante da sala. E concluiu que com um candidato, ela era invisível, tudo era sobre ele – o que era normal na maioria das entrevistas que fazia. Contudo, sentiu que o outro candidato, enquanto era mais humano, a tratava como alguém único, com quem ele poderia e deveria aprender. Tente adivinhar quem ganhou o voto daquela jornalista.

Você, quando interage com outros, quer só impressioná-los? Ou se esforça para que sintam que eles também são importantes? Ou fica com “olhar-de-paisagem”? Ou dá preferência a atender encontros virtuais no “feicebuque” (sic) em vez de ser atencioso com o encontro presencial na sua frente?

Se você não te enxerga, tente privilegiar a escuta empática para ser genuinamente influenciado por uma pessoa. Isso a obriga a retribuir, a te ouvir e ter uma mente aberta para ser influenciado por você, criando uma atmosfera de atenção mútua.

É comum, quando um emigrante visita sua cidade-natal ou um professor dá aula, enquanto conversa com seus interlocutores, alguns ficam deliberadamente ausentes – por exemplo, digitando no celular – e outros simplesmente não têm o hábito de “tornar-se presente”, ficando com “a cabeça nas nuvens”. Em vez de pular de tarefa em tarefa a cada minuto, dedique minutos contínuos a concluir uma só atividade e só depois mude para a próxima. Concentração e atenção com o próximo é questão de educação.

Concluindo, “se você está focado apenas na ideia de se tornar um bilionário, você vai gastar suas energias, mas não vai criar qualquer valor real que dure. Sendo assim, se aperfeiçoe e foque na sua paixão. É um clichê, mas é absolutamente verdadeiro”.

Paixão é sentir o poder que vem de se concentrar no que o excita. Você sabe que está no caminho para o sucesso se você aceita fazer o seu trabalho e não ser pago por isso. Quando você está fazendo o trabalho a que você está destinado a fazer, você se sente bem. Cada dia é um bônus, independente do quanto você está ganhando. Se você trabalhar com o que ama e se preencher, o resto virá.

O trabalho pode ser voluntário e gratuito como o que dedico a este modesto blog há seis anos. Por que? É inexplicável no todo. Em parte, é pelo sabor de saber. Ensinando, a gente aprende.

2 thoughts on “Filantropia

  1. Um texto realmente maravilhoso, simples e objetivo. Gostei do “novo conceito” de Filantropia, pois muitas vezes acabamos nos perdendo nos conceitos do senso comum, e como todo senso comum, ocorre a banalização dos conceitos e seus fins, empobrecendo todo o contexto e as possibilidades. Gostando muito de ter descoberto esse blog.

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