Mobile Banking da Apple

A Apple está desenvolvendo um serviço de transferências de recursos entre pessoas que provavelmente será parecido com a plataforma Venmo, do PayPal.

ROBIN SIDELDAISUKE WAKABAYASHI (WSJ, 13 de Novembro de 2015) informam que a Apple Inc. está em negociação com bancos dos Estados Unidos para desenvolver um serviço de pagamentos que permitiria aos usuários do iPhone transferir dinheiro uns aos outros usando o telefone em vez de dinheiro ou cheque.

A iniciativa colocaria a gigante americana da tecnologia em concorrência direta com uma quantidade cada vez maior de firmas do Vale do Silício que estão tentando convencer as pessoas a trocar suas carteiras por opções digitais.

Um número pequeno, mas crescente, de americanos já estão começando a aderir a esses serviços para coisas como pagar babás e dividir a conta no restaurante.

As conversas estão em andamento e ainda não está claro se algum banco já fechou um acordo com a Apple. Os detalhes essenciais continuam sendo elaborados, incluindo aspectos técnicos que determinariam como o serviço iria se enquadrar na infraestrutura existente do setor bancário.

Se a Apple for em frente, o serviço provavelmente será parecido com a plataforma Venmo, do PayPal Holdings Inc., que é popular entre consumidores jovens.

Não se sabe como a Apple vai ganhar dinheiro com o serviço, mas ele é mais uma tentativa de atar ainda mais os clientes a seus iPhones ao fazê-los usar o aparelho para suas necessidades diárias, inclusive as financeiras.

A medida também representa o passo mais recente dos bancos e outros fornecedores para afastar as pessoas do dinheiro e do cheque, que ainda são formas populares de pagamento.

O serviço em questão permitiria aos consumidores realizar pagamentos transferindo dinheiro de suas contas correntes para destinatários através dos aparelhos da Apple. O serviço deverá ser vinculado ao sistema da empresa, o Apple Pay, que possibilita que clientes façam pagamentos com cartões de crédito e débito por meio de seus smartphones.

O lançamento do novo serviço não é iminente, mas talvez ele possa chegar ao mercado em 2016. Em 2015, a Apple obteve uma patente nos EUA para um sistema de pagamentos que é criptografado e usa dispositivos eletrônicos para comunicações sem fio.

A Apple tem conversado com vários bancos americanos sobre o serviço, incluindo J.P. Morgan Chase & Co., Capital One Financial Corp., Wells Fargo & Co. e U.S. Bancorpdizem as fontes.

A maioria dos serviços diretamente entre pessoas permite aos usuários enviar dinheiro para amigos ou outros indivíduos via um aplicativo de celular, geralmente inserindo o número do telefone ou endereço de e-mail de quem receberá a transferência. A transferência geralmente é gratuita, embora uma tarifa possa ser cobrada para certas transações, como quando o pagamento é financiado por um cartão de crédito, em vez de uma conta bancária.

O Venmo é um dos serviços que tem crescido mais rapidamente, respondendo hoje por 19% dos pagamentos móveis entre pessoas, segundo relatório da Aite Group LLC, uma consultoria do setor de pagamentos.

Ele está sendo adotado por jovens adultos e adolescentes americanos que gostam especialmente de um recurso em que podem listar seus pagamentos em um feed de rede social. No terceiro trimestre, consumidores fizeram US$ 2,1 bilhões em pagamentos móveis usando o Venmo, ante US$ 700 milhões no mesmo período de 2014, segundo o PayPal.

Um porta-voz do PayPal disse que a empresa vê com bons olhos “qualquer acontecimento que encoraje as pessoas a se livrar dos inconvenientes de lidar com dinheiro em pagamentos a amigos e parentes”.

O Google, da Alphabet Inc., a “startup” de pagamentos Square Inc. e o Facebook Inc.também oferecem serviços de pagamento entre pessoas.

Um grande número de gigantes do Vale do Silício também está tentando mudar o consumidor. Além do Venmo, do PayPal, sistemas de pagamentos entre pessoas também estão sendo oferecidos pelo Google Inc., pela “startup” de pagamentos Square Inc., do Twitter Inc., e pelo Facebook Inc.

Patrick Moohead, principal analista-chefe da Moor Insights & Strategy, diz que as firmas de tecnologia estão, em parte, disputando o acesso aos dados financeiros dos usuários, que elas podem, então, usar para desenvolver outros produtos. Quando a Apple criou o Apple Pay, por exemplo, ela tinha centenas de milhões de usuários que haviam registrado cartões de créditos no iTunes, a loja virtual da empresa.

“O ganhador pode ser o lugar onde as pessoas já estejam gastando o seu tempo”, diz ele.

Nos últimos anos, a Apple adicionou várias opções, incluindo um novo serviço de streaming de música, com o objetivo de tonar o iPhone um elemento central na vida dos consumidores.

Tim Cook, o diretor-presidente da empresa, disse na quarta-feira, durante um evento na Irlanda, que os sistemas de pagamento digital vão se tornar tão disseminados no futuro que “seus filhos não vão saber o que” é dinheiro.

Ainda assim, a maioria das pessoas ainda prefere fazer pagamentos a outras por métodos tradicionais. Menos de um em cinco americanos usa seus smartphones para fazer pelo menos um pagamento por semana, segundo um relatório de outubro de 2015 da consultoria Accenture. Uma das possíveis razões para a lenta adoção dos sistemas digitais é a preocupação com a segurança.

A Apple lançou o Apple Pay em outubro de 2014. Ao longo dos últimos 12 meses, ela agregou continuamente mais bancos e lojas dispostos a aceitar o Apple Pay. O serviço é o mais conhecido no mercado, mas ainda está em estágio inicial. Dos usuários habilitados a usá-lo, somente 13% disseram que já o experimentaram, segundo uma pesquisa feita em junho pela PYMNTS.com, um site do setor, e a firma de análise de dados InfoScout. Em março, a proporção foi de 15%.

O Facebook passou a oferecer em março pagamentos entre pessoas através de seu serviço Messenger. Quando o usuário adiciona um cartão de débito à sua conta no Facebook, ele pode transferir dinheiro através da janela de mensagens.

O Google afirmou que tem permitido transferências de dinheiro entre usuários de seu serviço de e-mail, o Gmail, há alguns anos, mas criou um app chamado Google Wallet dois meses atrás para as pessoas que queriam usar aparelhos móveis. O sistema possibilita que as pessoas façam transferências para outras usando um cartão de débito através de um link enviado por e-mail. Já o Square permite transferências via cartões de débito entre usuários que criarem uma conta “$cashtag” no serviço.

Em outubro, a Apple anunciou que está se unindo à American Express Co. para levar o Apple Pay ao Canadá e à Austrália, mas os bancos que trabalham com a Visa Inc. e a MasterCard Inc. ainda não aderiram ao serviço.

Uma das opções sendo consideradas pela Apple é se unir a um serviço de pagamento já existente, chamado clearXchange, oferecido pelos bancos americanos, diz uma pessoa a par das negociações. O serviço, que recentemente foi reformulado e ampliado, permite que as pessoas usem suas contas correntes para enviar dinheiro entre si através de um e-mail ou número de celular.

No atual estágio das conversas, a Apple não cobraria os bancos para participar de seu serviço de pagamento, diz uma fonte. No serviço Apple Pay, ao contrário, os bancos pagam a Apple por cada transação.

As tranferências feitas através do Venmo são gratuitas quando o dinheiro sai de uma conta bancária cadastrada no sistema, mas há uma tarifa de 3% quando são usados cartões de crédito e alguns cartões de débito. Receber dinheiro pelo Venmo é gratuito.

Mobile Banking

4 thoughts on “Mobile Banking da Apple

  1. O Apple Pay ainda não veio pro Brasil e não está tão disseminado quanto a Apple gostaria em parte por exigir a aquisição de uma máquina compatível com o sistema, tornando a adoção desse método mais trabalhosa. Já a Samsung está trabalhando com força no Samsung Pay que deve chegar aqui esse ano e é compatível com as maquininhas de cartão já usadas nos estabelecimentos… Talvez ainda esse ano haja essa grande mudança no modo de pagamento da maioria dos consumidores!

  2. A Telesafari do Quênia tem há anos um sistema muito simples de movimentação bancária através de dumbphones, por SMS. É, praticamente, o sistema bancário do país.

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