Novo Modo de Ver TV

Mudei meu hábito de ver na TV apenas futebol e telejornal. Com smart-tv (TV com acesso à web), AppleTV, vejo mais a Netflix, o YouTube e as palestras do TED. Aprecio uma nova forma de arte que são os vídeos em 4 K disponíveis no YouTube. É pura beleza sem comentários desnecessários, geralmente idiotas e cheios de lugares-comuns dos locutores de TV. Basta se inscrever em canais do YouTube que tratam de temas de seu gosto, por exemplo, política, viagens, futebol e automóveis:

INSCRIÇÕES

É verdade que o jogo de futebol americano durou horas e o vídeo tem cerca de dois minutos. Mas o jogo já acabou, enquanto o vídeo continua sendo visto – e ele não está nem entre os 25 mais assistidos do YouTube neste ano. No topo da lista, com 1,3 bilhão de visualizações, está um vídeo de uma música da trilha do filme “Velozes e Furiosos 7” cantada pelo rapper Wiz Khalifa.

Os investidores deveriam olhar o YouTube com outros olhos, por três razões.

Primeiro, ele está crescendo a uma velocidade surpreendente. Sua dona, a Alphabet, a holding do Google criada em agosto de 2015, não divulga resultados separados do YouTube em seus relatórios trimestrais. Neste ano, porém, ela afirmou que o tempo de visualização havia crescido 60% ante um ano atrás e que as visualizações através de aparelhos móveis haviam dobrado. Enquanto isso, a televisão nos EUA tem se mantido estável apenas na faixa de espectadores a partir de 50 anos de idade, enquanto o grupo entre 25 e 34 anos reduziu em 8,6% o tempo passado em frente à TV no último trimestre em relação ao ano anterior, segundo a Nielsen. Nos últimos quatro anos, o tempo em que esse grupo assiste TV caiu quase 24%. Esse é um desafio de longo prazo para a TV porque os americanos atingem o auge de seus gastos de consumo em torno dos 45 anos e os anunciantes buscam estabelecer lealdade às suas marcas décadas antes. Além disso, a maior parte do mundo assiste muito menos TV que os EUA. De fato, o YouTube obtém 80% de suas visualizações fora do país.

A segunda razão pela qual os investidores deveriam prestar atenção ao YouTube é que o dinheiro está seguindo a audiência. As ações do Netflix acumulam alta de quase142% em 2015, o que as torna o papel mais quente no índice S&P 500. O motivo é que o serviço de streaming cresceu rapidamente. A receita deve subir 23% em 2015, para US$ 6,8 bilhões. Mas o YouTube, com um número de usuários 15 vezes maior, poderia faturar quase US$ 9 bilhões neste ano e está crescendo num ritmo mais veloz.

O YouTube lançou seu próprio serviço de assinatura há pouco tempo. Mas, no curto prazo, grande parte do crescimento da receita ainda virá de anunciantes. A receita anual média por usuário do YouTube poderia dobrar em cinco anos, para US$ 13, preveem analistas. Se juntarmos tudo isso, e se o YouTube fosse uma empresa separada com ações negociadas em bolsa, ele poderia valer US$ 100 bilhões, ou o dobro do valor de mercado atual do Netflix.

Isso leva à terceira razão. As ações da Alphabet subiram 44% neste ano porque a empresa fez duas das três coisas que os investidores há muito pediam. Ela está devolvendo dinheiro aos acionistas. Em outubro, a firma anunciou a recompra de US$ 5 bilhões em ações. E reduziu o crescimento do custo anual para 9% no último trimestre, ante 28% um ano atrás. Agora, os investidores querem saber mais sobre como a companhia investe e a situação de suas unidades de negócios.

O YouTube, que foi comprado pelo Google há nove anos por US$ 1,65 bilhão, é um site de compartilhamento de vídeos tanto amadores quanto profissionais. Muitos dos vídeos mais assistidos são clips musicais porque os usuários gostam de armazenar seus favoritos e usar o site como estação de rádio. Também há shows roteirizados, vídeos caseiros, vídeos de como fazer as coisas, trailers de filmes e gafes.

Mas tentar categorizar a audiência do YouTube é um erro. Esse é o fardo dos executivos de televisão: tentar prever o gosto do público e, então, arriscar capital para testar suas previsões. O YouTube consegue seu conteúdo de graça e simplesmente divide a receita de publicidade com suas “celebridades” numa proporção 45/55, com os produtores de vídeo ficando com a maior parte.

É uma máquina que reflete o gosto do público, para melhor ou pior, em tempo real. Poucos executivos de TV poderiam ter previsto a febre da “abertura de caixas”, em que usuários abrem embalagens de eletrônicos e brinquedos diante da câmera. Um dos usuários que mais faturou no YouTube em 2014, visível somente como um par de mãos bem cuidadas, ganhou US$ 5 milhões. Seu vídeo de maior sucesso mostrava as mãos criando vestidos de bonecas usando massinhas de modelar Play Doh. O vídeo, de nove minutos, foi visto mais de 400 milhões de vezes.

O YouTube é popular, em parte, porque foi um pioneiro e possui claramente um efeito de rede: os produtores dos vídeos vão aonde os espectadores estão, e os espectadores vão aonde os vídeos estão. Como o Google, é um site limpo e rápido para carregar vídeos, o que facilita o uso. É também social. O usuário pode fazer comentários nos vídeos e, o mais importante, descobrir o que os outros estão assistindo. Os anunciantes gostam do YouTube tanto por seu alcance quanto por permitir direcionar a mensagem. “Você pode efetivamente construir sua própria rede de TV”, diz que, monitora dados de centenas de milhares de canais do YouTube.

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