Economia Política Clássica e Economia Pura Neoclássica

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Ao relermos a obra clássica de Adam Smith (1723-1790), A Riqueza das Nações: Investigação sobre a Natureza e suas Causas, publicado no ano da Declaração da Independência dos Estados Unidos (1776), quando as primeiras máquinas a vapor entraram em operação nas fábricas britânicas, marcando o início da Revolução Industrial, temos de inseri-la em seu contexto histórico. O conceito abstrato de “homem econômico racional” foi crucial para sua tese em defesa da liberalização do comércio exterior, dada a vantagem comparativa da Inglaterra.

Smith argumentou que os indivíduos tomavam decisões econômicas com base na razão e em interesse próprio, não pelo bem da sociedade. Quanto lhes permitiam agir desse modo individualista, em uma sociedade livre com mercados competitivos, uma “mão invisível” guiaria a economia para o bem de todos. Nasceu, então, a ideologia em defesa da propriedade privada e de uma economia de livre mercado a fim de garantir a prosperidade e a liberdade individual.

A maioria dos modelos econômicos neoclássicos sustenta-se nessa hipótese de que as pessoas são, em essência, seres racionais e egoístas. O estereotipo do Homo Economicus supõe que todo indivíduo tome decisões apenas para aumentar seu bem-estar, baseado em uma avaliação ponderada de todos os fatos. Então, abstrai-se, entre outros fatos notáveis, os erros comportamentais recorrentes, o altruísmo, as restrições institucionais e a assimetria de informações entre indivíduos em um Sistema Complexo.

A ideia abstrata do Homo Economicus sustenta a Teoria da Escolha Racional. Supõe que todo tipo de decisões econômicas e financeiras são tomadas com base na avaliação do custo / benefício.

Ao contrário desses pressupostos, as descobertas da Economia Comportamental mostram que os indivíduos são heterogêneos, agem rapidamente sob impulsos emocionais, não pensando devagar, mas sim rapidamente, repetindo comportamentos equivocados, baseados em “regras-de-bolso”, isto é, em hábitos arraigados aprendidos na (má) “escola da vida”. Estas maneiras de pensar estão gravadas na memória, nos costumes, na cultura do indivíduo ou da coletividade de forma a ser impossível esquecer, superar ou deixar de lado.

O reducionismo neoclássico é o procedimento ou a teoria econômica que decompõe (reduz) todo dado ou fenômeno complexo a seus termos mais simples e considera-os mais fundamentais do que o próprio fenômeno. Faz uma redução sistemática de um domínio do conhecimento a um outro mais particular, tido como mais fundamental, por exemplo, a Economia à Matemática e esta apenas à lógica formal.

Em defesa da ideologia do individualismo, prega a doutrina moral, econômica ou política que valoriza a autonomia individual, em detrimento da hegemonia da coletividade despersonalizada, na busca da liberdade e satisfação das inclinações naturais. Na teoria econômica liberal, é essa tendência argumentativa que advoga a superioridade da liberdade individual na iniciativa econômica, em contraposição à ineficácia da ingerência estatal. No pensamento político liberal, é essa perspectiva segundo a qual a liberdade individual deveria prevalecer sobre o autoritarismo estatal.

Como se doutrina a partir de um livro-texto ou um curso de Introdução à Economia? Parte do conceito de Economia, estabelecido pela Ciência Abstrata, ou seja, define o que são os fenômenos puramente econômicos. Em outras palavras, depura a realidade, repartindo-a, em uma divisão de trabalho com Ciências Afins.

Define que a Economia Pura estuda a maneira como se administram os recursos escassos com o objetivo de produzir bens e serviços e distribui-los para seu consumo entre os membros da sociedade. Logo, ela estuda como os indivíduos fazem suas escolhas, tomando decisões em que consideram suas restrições orçamentárias. Em contraponto com a ideia de “leis sociais” da Economia Política, tudo é reduzido a (e deduzido de) o sujeito, isto é, à sua suposta “liberdade” de fazer a melhor escolha para si, obviamente, face à escassez…

Em seguida, de imediato, faz nova repartição entre a micro e a macroeconomia. A primeira é o ramo da Ciência Econômica que estuda o comportamento das unidades de consumo representadas pelos indivíduos e pelas famílias; as empresas e suas produções e custos; a produção e o preço dos diversos bens, serviços e fatores produtivos. Em outras palavras, a microeconomia ocupa-se da forma como as unidades individuais que compõem a economia — consumidores e produtores de bens ou serviços que são detentores de fatores de produção como capital (empresas), força de trabalho (trabalhadores) e terra (lavradores e latifundiários) — agem e reagem umas sobre as outras.

Já a macroeconomia é a parte da Ciência Econômica que focaliza o comportamento do sistema econômico como um todo. Tem como objeto de estudo as relações entre os grandes agregados estatísticos: a renda nacional, o nível de emprego e dos preços, o consumo, a poupança e o investimento totais.

Esse direcionamento keynesiano fundamenta-se na ideia de que é possível explicar a operação da economia como um todo sem que haja necessidade de compreender o comportamento de cada indivíduo ou empresa que dela participam. Os pós-keynesianos, no entanto, extrapolam e generalizam o conceito microeconômico de preferência pela liquidez para toda a esfera da circulação, apresentando uma causa monetária como explicação do desemprego.

Ao detectar as forças gerais que impelem os agregados em determinada direção, a macroeconomia neoclássica estabelece as chamadas forças de “ajuste” ou “equilíbrio”, que explicam o comportamento econômico, caracterizando-o, de forma mecânica, como um sistema de igualdades em equilíbrio geral. Para tanto, a demanda agregada de algum bem deve ser igual à oferta agregada desse mesmo bem.

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