10 Mandamentos das Finanças Pessoais

The Index Card

Helaine Olen e Harold Pollack são os coautores do novo livro “The Index Card: Why Personal Finance Doesn’t Have to be Complicated”. A obra oferece dez regras a serem seguidas por pessoas comuns para administrar seus próprios investimentos, sem ter de se formar em Finanças ou pagar altas taxas de administração e comissões.

O que você precisa saber é tão óbvio, argumentam eles, que pode ser anotado em um pedaço de papel e pregado na sua geladeira. A ideia surgiu em 2013, depois que Helaine Olen, uma jornalista de Finanças Pessoais, e Pollack, um professor da Universidade de Chicago, conversaram sobre o tema durante uma videoconferência, cuja gravação, tempos depois, tornou-se viral.

Eu (FNC) costumo resumir qualquer livro sobre Finanças, que podem ter cerca de mil páginas, para meus alunos, em apenas três conceitos-chaves, contidos na sabedoria popular:

  1. Tempo é dinheiro.
  2. Não se deve colocar todos os ovos no mesmo cesto.
  3. Não se consegue enganar todas as pessoas durante todo o tempo.

Está aí tudo sobre administração financeira:

  1. A idéia de que tempo é dinheiro refere-se ao fato de que uma dada quantia recebida hoje vale mais do que a mesma quantia recebida no futuro, o que está na raiz do princípio de que os fluxos de caixa futuros devem ser descontados, considerando-se o custo de oportunidade da taxa de juro esperada, para se calcular o valor atual dos retornos futuros do investimento, comparando-o com essa alternativa: aplicar no juro de mercado.
  2. Pode-se diminuir o risco de um investimento ao evitar pôr todos os ovos no mesmo cesto. Em outras palavras, uma carteira diversificada de investimentos é mais segura do que a totalidade dos recursos disponíveis aplicada em um único ativo. Os riscos que não podem ser diversificados só podem ser aceitos no caso de oferecerem uma rentabilidade maior. Mas “não espalhe” dinheiro, só por suposta necessidade de diversificação, perdendo escala para ganhar significativamente. Nesse caso, é melhor cuidar bem do único “cesto”, i.é, monitorá-lo continuamente.
  3. A idéia de que não se pode enganar todas as pessoas durante todo o tempo refere-se à eficiência dos mercados financeiros. Um mercado eficiente é aquele em que a informação está amplamente disponível para todos e a baixo preço. Portanto, a informação relevante integra logo o preço dos títulos. Como ninguém consegue antecipar o caráter positivo ou negativo de uma nova informação, ela reflete-se imediatamente nos preços quando torna-se pública. Sendo assim, os investidores devem esperar receber um retorno normal para todos, já que ninguém ganha, sistematicamente, da média ponderada de O Mercado. A posse da informação [não privilegiada] a respeito de uma empresa não permitirá grandes jogadas, pois a hipótese é que todos investidores também dispõem dela. A única forma de obter um retorno maior é correr um risco maior do que os outros estão dispostos a assumir. Se este não é o caso, é melhor apenas investir em algum fundo representativo do índice do mercado de ações. Isto nos EUA, onde a renda variável é relevante. No Brasil, invista em renda fixa

Somando-se a esses três conceitos-chave – fluxos de caixa descontado, diversificação do risco e eficiência do mercado — mais sete dicas simples, temos os 10 Mandamentos das Finanças Pessoais:

  1. Invista mensalmente 20% da sua renda do trabalho em renda pós-fixada com base em juro real para, em 30 anos, sua renda de capital tornar-se equivalente à sua renda do trabalho, podendo aposentar-se mantendo o padrão de vida, desde que siga o Algoritmo: o Conceito 1-3-6-9.
  2. Juros é para receber, não para pagar: jamais assuma dívida, para consumir, muito menos em cheque especial ou no cartão de crédito, quitando o valor integral todo mês.
  3. Contribua até o limite máximo em sua Previdência Privada, tirando proveito do incentivo fiscal, até alcançar a parcela do patrão, no caso de fundo de pensão fechado, e do 12% de sua renda bruta, no caso de PGBL com DIRPF completa.
  4. Não invista em ações individuais nem em fundos de ações no mercado brasileiro, optando por segurança em vez de arriscar-se a ter ganho de capital, simplesmente, buscando superar a taxa de inflação com a taxa de juros pós-fixada, seja em LFTs, seja em %CDI de LCI/LCA isentas ou mesmo em CDBs tributados.
  5. Acumule volume de negócios significativo, para negociar fundos com taxas de administração abaixo de 0,5%, oferecidos só por gestores de patrimônio.
  6. Certifique-se desses fundos estarem devidamente lastreados em títulos de dívida pública e/ou debêntures de “corporações grandes demais para quebrar”, i.é, sem risco de crédito.
  7. Só compre uma casa/apartamento quando estiver financeiramente preparado, e se for conveniente, pois você não tem nenhuma obrigação de demonstrar status por riqueza, mas sim por sabedoria: quando o juros está elevado, vale mais reter o capital em investimento financeiro e pagar aluguel com seu rendimento nominal.

Basta isso, além, é claro, de investir muito mais na qualificação de seu trabalho. Com bom emprego, você, trabalhador, conseguirá manter seu padrão de vida com 80% de sua renda líquida (descontados impostos e encargos sociais) disponível. Obviamente, controlará seus gastos de maneira a evitar supérfluas demonstrações de status social, pois saberá quanto lhe custa de esforço ganhar dinheiro…

Bons conselhos e, melhor, “de grátis”!!!🙂

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