Grande Boston: Sede de Harvard e MIT

Harvard

Maria da Paz Trefaut (Valor, 15/12/15)  diz que o viajante que sobrevoa Boston nesta época do ano, quando o céu escurece já no meio da tarde, consegue observar as luzes que servem de guia em uma geografia recortada por ilhas e baías. Na mais importante cidade da Nova Inglaterra, na costa Leste dos Estados Unidos, o ponto de referência é o rio Charles, que divide Boston de Cambridge, onde ficam dois dos maiores centros de excelência do mundo: a Universidade de Harvard e o MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts). No total, há 16 universidades, que dão à Grande Boston o título de “Capital da Educação“.

Atualmente são os chineses que estão no topo da lista internacional de estudantes (2 mil) e também de turistas provenientes de fora dos Estados Unidos (200 mil). Dos 17 milhões de visitantes que a cidade atrai por ano, apenas 1,5 milhão é internacional – excluídos Canadá e México. O Brasil manda para lá 40 mil. Ainda assim, o turismo é a terceira fonte de receita da cidade, depois da indústria médica e do mercado financeiro.

Boston

A presença jovem é mais visível do que em qualquer outra cidade dos EUA. Apesar do frio intenso, o centro tem movimento permanente nas ruas e calçadas largas para caminhar. Os prédios altos se misturam a construções de três ou quatro andares de tijolos aparentes, que conferem à cidade uma atmosfera europeia. Parques e praças com plátanos e carvalhos oferecem no outono um dégradé de cores, que vai do verde ao marrom, depois de passar pelo amarelo e por diversos tons de laranja. No chão, as folhas formam um tapete multicolorido.

Residência em Boston

Os parques não são o único detalhe que dá à cidade, de cerca de 600 mil habitantes, um aspecto humanizado e aconchegante. As ruas são impecáveis e não há um papel no chão. O metrô, apesar de ser o mais antigo dos Estados Unidos, funciona bem. Os motoristas de táxi são educados e a qualidade das ciclovias – uma faixa perfeita demarcada no próprio asfalto – impede maiores comparações com as existentes no Brasil.

Junto a essas virtudes paira um certo ar de superioridade. “Boston é o centro do sistema solar”, diz o motorista do Boston Duck Tours enquanto guia um grupo de turistas pela terra e pela água, num carro anfíbio inspirado nos que eram usados pelas tropas americanas durante a Segunda Guerra Mundial. Ele não para por aí. Lembra que além de ter sido berço da Independência Americana, a cidade congrega várias façanhas, como ter abrigado a primeira escola pública, as primeiras fábricas de bicicletas e de máquinas de costuras e o primeiro jornal impresso. Ele não contém o ufanismo ao dizer: “Foi aqui que Alexander Graham Bell inventou o telefone” (embora a história mostre que não é bem assim).

Entre os programas turísticos, um deles é guiado por jovens vestidos com o uniforme dos “patriotas”, que discorrem sobre os heróis da liberdade. Uma das atrações é a Freedom Trail, uma rota a pé que passa por cemitérios urbanos, igrejas, monumentos e pela esquina onde ocorreu o Massacre de Boston, em 1770. Comparado aos grandes massacres do Novo Mundo e mesmo aos contemporâneos, chega a ser prosaico pensar que ali os ingleses mataram quatro colonos.

Museu em Boston

Boston abriga museus como o Institute of Contemporary Art

Boston esbanja história, cultura e também charme. É a cidade da família Kennedy e de tantos outros imigrantes irlandeses que contribuíram para a aristocracia intelectual do lugar. Há belas salas de música, concertos ao ar livre, museus classudos, como o Fine Arts, e contemporâneos, como o Institute of Contemporary Art (ICA). Não faltam programas esportivos abertos ao público, nos quais é possível aprender a velejar ou remar por quantias irrisórias.

“É uma cidade rica, de pessoas muito bem preparadas, segura, líder em biotecnologia e que está na vanguarda da saúde”, afirma o bostoniano Parker Treacy, de 32 anos, que há três anos abriu uma empresa de tecnologia em São Paulo, a Colbi. Formado em matemática, ele é filho de um ex-professor do MIT, fez MBA em Harvard e mantém sua empresa em Boston, a First Help Financial.

Já Ivan Ralston, proprietário do restaurante paulistano Tuju, que viveu na cidade durante três anos, enquanto estudava música na Berklee College of Music, tem uma visão diferente. “Para mim, Boston é uma dessas cidades que parece que ninguém mora lá de verdade. A sensação é de que a maioria das pessoas está lá para estudar por um tempo e, depois, vai para suas cidades de origem ou para um centro urbano maior”, diz.

Bar Boulud

O Bar Boulud, que integra o hotel Mandarin Oriental

A gastronomia da cidade tem como destaque os frutos do mar – as ostras e as lagostas são incomparáveis, por exemplo. Na Union Oyster House, uma casa histórica, aberta em 1826, funciona o restaurante mais antigo dos Estados Unidos. O restaurante é um labirinto cheio de salas e, na entrada, as lagostas ficam num viveiro catalogadas por tamanho e dali vão para os pratos. São servidas inteiras, com todos os apetrechos necessários para degustá-las, coisa com a qual os brasileiros não estão acostumados. Vale a pena buscar um tutorial no YouTube para facilitar a realização da tarefa.

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