Vingança dos Ex-Colonizados: De Volta Para Europa

Gideon Rachman (FT, 12/01/16) publicou uma reportagem muito interessante sobre a atual imigração para a Europa.

Nos séculos 18 e 19, os europeus povoaram o mundo. Agora o mundo está povoando a Europa. Por trás do furor sobre o impacto dos mais de 1 milhão de refugiados que chegaram à Alemanha em 2015 há grandes tendências demográficas.

A atual crise migratória é fomentada pelas guerras no Oriente Médio. Mas há também forças maiores em jogo que assegurarão que a imigração para a Europa continuará a ser uma questão controversa por muito tempo após o fim da guerra na Síria.

A Europa é um continente rico e em envelhecimento, cuja população está estagnada. Em contrapartida, as populações de África, Oriente Médio e Ásia Meridional são mais jovens, mais pobres e estão crescendo rapidamente.

No auge da Era Imperial, em 1900, os países europeus perfaziam cerca de 25% da população mundialHoje, os 500 milhões de habitantes da UE representam cerca de 7% da população global. Por outro lado, vivem agora mais de 1 bilhão de pessoas na África e, diz a ONU, até 2050 haverá quase 2,5 bilhões.

A população do Egito dobrou desde 1975, para mais de 80 milhões. A população da Nigéria, em 1960, era de 50 milhões. Hoje está em mais de 180 milhões e deverá superar os 400 milhões em 2050.

A migração de africanos, árabes e asiáticos para a Europa representa a reversão de uma tendência histórica. Na Era Colonial, a Europa praticou uma espécie de imperialismo demográfico, quando europeus brancos emigraram para os quatro cantos do mundo.

Na América do Norte e na Austrália, as populações indígenas foram subjugadas e muitas vezes mortas – e continentes inteiros foram transformados em apêndices da Europa. Os países europeus também estabeleceram colônias em todo o mundo e as povoaram com emigrantes, ao passo que, ao mesmo tempo, vários milhões de pessoas foram forçadas a migrar da África para à América como escravos.

Quando os europeus estavam povoando o mundo, muitas vezes o fizeram através de “migração em cadeia“. Um membro da família se estabelecia em um novo país, como Argentina ou EUA; notícias e dinheiro eram enviados de volta para casa e, em pouco tempo, outros seguiam o mesmo caminho.

Agora, as cadeias migratórias mudaram de sentido: da Síria para a Alemanha, do Marrocos para a Holanda, do Paquistão para o Reino Unido. Mas atualmente o roteiro não é: uma carta enviada para casa seguida por uma longa viagem por mar. Na Era do Facebook e dos Smartphones, a Europa parece próxima, mesmo se você estiver em Karachi ou em Lagos.

Países como Reino Unido, França e Holanda tornaram-se muito mais multirraciais nos últimos 40 anos. Governos que prometem restringir a imigração, como o atual governo britânico, descobriram ser bem difícil efetivar a promessa.

A posição da UE é de que, embora os refugiados possam pedir asilo na Europa, “migrantes econômicos” ilegais devem voltar para casa. Mas é improvável que essa política detenha o fluxo populacional, e por várias razões.

Em primeiro lugar, o número de países atingidos por guerra ou falência do Estado pode efetivamente aumentar; são crescentes as preocupações com a estabilidade da Argélia, por exemplo.

Em segundo lugar, a maioria dos que são considerados “migrantes económicos” nunca, na realidade, deixam a Europa. Na Alemanha, só cerca de 30% dos migrantes cujos pedidos de asilo são recusados deixam voluntariamente o país ou são deportados.

Em terceiro lugar, depois que grandes populações de imigrantes estabelecem-se no novo lar, o direito de “reunião de família” assegura um fluxo continuado. Portanto, é provável que a Europa continue sendo um destino atraente e acessível para as pessoas pobres e ambiciosas de todo o mundo.

Uma reação possível, para a Europa, seria aceitar que essa migração é inevitável – e abraçá-la de coração aberto. As endividadas economias europeias necessitam de uma injeção de juventude e dinamismo. Quem vai trabalhar em seus abrigos de idosos e canteiros de obras, se não imigrantes do resto do mundo?

Mas mesmo esses europeus que defendem a imigração tendem a argumentar que, é claro, os recém-chegados ao continente precisam aceitar os “valores europeus”. Isso pode ser pouco realista, em parte porque muitos desses valores são relativamente novos.

Nas últimas décadas, o feminismo deu grandes passos na Europa, e atitudes em relação aos direitos homossexuais se transformaram. Muitos imigrantes do Oriente Médio e África trazem consigo atitudes bem mais conservadores e sexistas. Será preciso mais que umas aulas cívicas para mudar isso.

Os europeus estão muito confusos sobre como reagir a esses novos problemas. Na Era do Imperialismo, eles justificavam a ocupação de terras estrangeiras com a crença confiante de que estavam levando os benefícios da civilização a regiões mais atrasadas do mundo.

Mas a Europa pós-imperial, pós-Holocausto, sente-se muito mais receosa em afirmar a superioridade de sua cultura. Ela substituiu a crença em sua missão civilizadora e na Bíblia por uma ênfase em valores universais, direitos individuais e tratados internacionais.

A grande interrogação, para as próximas décadas, é como a fé europeia nos valores liberais universais resistirá ao impacto da imigração em massa. Uma batalha entre nativistas e liberais começa a moldar a política.

No longo prazo, antevejo que os nativistas vão perder, não porque suas reivindicações sejam impopulares, mas porque é impossível impô-las. Pode ser possível, para países insulares cercados pelo oceano Pacífico, como Japão ou Austrália, manter controles rígidos sobre a imigração. Isso será quase impossível para uma UE que faz parte de uma única massa de terra eurasiana e separada da África apenas por estreitos trechos do Mediterrâneo.”

Migração clandestina

One thought on “Vingança dos Ex-Colonizados: De Volta Para Europa

  1. Mas a Síria não foi colonizado, é um país bem antigo e está no Velho Cotinente, e os militantes esquerdistas não vão dizer que os descobrimentos e as colonizações foram importantes e que os colonizadores não estavam fazendo as Novas Europas, segundo a História baseada na visão normal de mundo, se não fosse essa dos europeus descobrirem novos territórios e instalar colônias o mundo seria somente o Velho Continente.

    A idéia de que índios não são somente índios é coisa inventada por Franz Boas, mau sabia que a ma esquerda roubaria as suas ideias e as deformassem para criar uma ideologia que condena e substitui a História Normal pela que coisa de que o colonizador é um vilão e não um fazedor de novas nações, o carinha morreu quando o Velho Continente era o centro econômico e cultural do Mundo e que nos texto cheio de discursos marxista cultural, com um baita exagero no politicamente correto e com excesso de indigenismo marxista cultural e não viu a ma utilização do seu marxismo cultural ”adiantado” e feito antes do surgimento de Freud e supondo que se alguém fosse tornar a História empirica para clonar o Franz Boas para esse cientista meio maluco opinar da ma utilização de suas ideias ele diria “roubaram minhas ideias que eu inventei e dependeram dos descobrimentos e das colonizações para eu pudesse ter feito essa ídeia de que os índios não eram somente índios, e agora estão usado para dizer que os colonizadores foram assassinos e bandidos, que as colonizações foram injustas sendo que eu fui contratado por um país que surgiu através das colonizações e seu povo que habita esse país surgiu através de imigrantes vindos do velho continente e foram esses que me contrataram. Os índios estavam lá como criaturas das selvas das Novas Europas e eu ao enxergá-las não enxerguei como índios, enxerguei como pessoas com uma cultura muito fascinante, e os Estados Unidos naquela estavam com sobras de índios e os EUA pensava em exterminar tudo e ai com minha idéia consegui atrapalhar os objetivos do Governo dos Estados Unidos, por roubaram minha ideia e manipularam para dizer que os colonizadores foram os vilões. Pena eu ter não pôde ter visto o que fariam com minhas idéias.”

    Vemos como não podemos refazer em nosso tempo, as pessoas das quais estão usando de forma deturpada as suas ciências. Como foi esse tal do Franz Boas, intelectual brilhante.

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