Análise de Discurso de Analistas da Conjuntura Econômica

Dívida Pública em 2015

Há muito tempo “perdi o saco” de ficar acompanhando a conjuntura econômica pelos jornais com costumeira parti-pris. Prefiro interpretar a boa estatística, pois os analistas de O Mercado se transformaram-se em leitores das entrelinhas do que o Banco Central desmente nas linhas! São pseudo analistas de discursos “maquiavélicos”…

Por exemplo, Lucinda Pinto e Sérgio Lamucci (Valor, 22/01/16) justificaram que foi “a mudança repentina do discurso do BC e a opção por estabilidade da taxa Selic levaram a uma reação negativa dos ativos financeiros, capaz de piorar as condições de financiamento: os juros futuros de longo prazo e o dólar dispararam, ao mesmo tempo em que a inflação embutida nos títulos públicos passou por uma nova rodada de deterioração. [Culpa de O Governo endemoniado e não de O Mercado virtuoso!] Elementos que elevam o custo de financiamento, nublam o cenário para quem vai assumir decisões de longo prazo e, portanto, podem ser contracionistas”.

Aí os jornalistas “imparciais” apelam para os economistas midiáticos-tucanos, para legitimar com pseudo ciência a interpretação favorável aos objetivos da oposição: sangrar o governo. “O país [sic, O Mercado] está paralisado pela incerteza. E o Banco Central, que jogava a favor, passou para o outro lado”, afirma Marcio Garcia, professor do Departamento de Economia da PUC-Rio. O economista diz que a mudança brusca do BC encarece ainda mais o custo de refinanciamento das empresas que, em alguns casos, carregam pesadas dívidas. “A ironia é que, se o BC estivesse preocupado com a situação dessas empresas, ele acabou por piorar a situação delas”, diz. Snif, snif…

A alta dos juros de longo prazo, isto é, a resultante das expectativas incertas de múltiplos e diversos agentes desinformados, que tomam decisões sem autoridade ou planejamento central, pode levar para cima o custo de empréstimos. Isto ocorre em um momento em que a demanda de crédito já é restrita pela falta de projetos e de leilões de concessões para as empreiteiras dos cartéis que fazem grandes obras públicas. Quem quer tomar empréstimos quando a preocupação maior é com a criminalização de suas atividades?

Aí, os analistas “inocentes-úteis” (sic) sugerem que “qualquer decisão do BC vai afetar o risco Brasil e o câmbio, pressionando ainda mais índices de preços e expectativa de inflação. Por isso, o aumento da Selic foi apenas adiado e, em algum momento, a taxa terá que subir — aposta que ajuda a explicar o aumento dos juros futuros”. Isto ocorrerá para jubilo geral dos rentistas que se preocupam apenas com a renda de seu capital!

A mudança de rota da política monetária fez o DI com prazo em janeiro de 2021 saltar de 16,46% para 16,80%. Já o dólar disparou para R$ 4,1631, máxima histórica. O Mercado pauta O Banco Central? Ou vice-versa?

O que está no centro da preocupação de O Mercado é que “O BC tenha aberto mão de critérios técnicos para atender à pressão política pela manutenção do juro”. rs, rs, rs… “Situação que coloca em risco o rumo da inflação e sinaliza para a retomada da política econômica heterodoxa do primeiro mandato de Dilma Rousseff.”🙂

“O BC teve várias oportunidades de avisar que mudaria de opinião, e não o fez. Houve incapacidade de demonstrar independência”, afirma Tiago Berriel, professor da PUC-Rio e responsável pela área econômica da Pacífico Gestão de Recursos. Outra cria da Gávea que desponta para pautar com sua jovem sabedoria o que o BC tem de fazer… de acordo com os gestores de fortunas!

Ele chama a atenção para o fato de o juro real [ex-ante]- calculado com base no contrato de swap de 360 dias descontada a inflação projetada para 12 meses – ter caído para 7,60%, menor nível desde novembro de 2015. Só?! Snif, snif… Eu estava satisfeito porque o juro nominal médio de minha carteira de ativos financeiros resultou em 12,12% em 2015, superando a taxa de inflação (IPCA) de 10,67% no ano, ou seja, com um juro real ex-post de “apenas” 1,39% no ano!

Essa é minha modesta meta — “coisa-de-pobre”: minha renda do capital (obtida com o que sobra da minha renda do trabalho) superar a taxa de inflação, em todos os anos, para manter o poder de compra das minhas reservas financeiras para aposentadoria

Mas para o esnobe professor da PUC-RJ isso não é suficiente. Daí ele, do alto de sua autoridade, pressiona a Autoridade Monetária, dizendo que esse “jurinho” (ex-ante) não é suficiente por causa, principalmente, da alta das projeções de inflação. “A maneira como isso foi feito introduziu um elemento de tanta incerteza que nem a queda do juro real terá efeito expansionista”, diz. “O canal de expectativas ficou ainda mais incerto, o que impede que qualquer decisão econômica importante seja tomada”, diz. “Nesse cenário, empresas devem adiar ou suspender investimentos e consumidores vão esperar para comprar bens duráveis”, diz. Então, nesse disse-me-disse, será um Deus nos acuda! Credo… liberal.

A inflação implícita das NTN-Bs, títulos atrelados ao IPCA, atingiu 9% para vários prazos, sendo que se aproxima de 9,90% no papel para 2018. Economistas de O Mercado já começam a revisar projeções, para assustar a todos os incautos com o próximo “fim-do-mundo” no Brasil! Ameaçam ao BC que vão elevar a estimativa do IPCA para este ano, atualmente em 8%, se a AM não seguir suas ordens.

Já outro economista-chefe pondera que “não é justo responsabilizar a política monetária por esse quadro negativo desenhado por O Mercado. O que vai corrigir as expectativas é um ajuste fiscal”. Aí repete o lugar-comum de sempre, que quando não culpa o BC, culpa o MinFaz. “Não é possível fazer choque positivo de credibilidade sem isso.” Ele reconhece que houve demora no sinal do BC sobre a estabilidade da taxa Selic. “Mas foi melhor do que não avisar antes da reunião. E o mundo, de fato, piorou muito.” Opa, este não briga contra os fatos que lê nos jornais…

Para o professor do Insper e sócio da SM Managed Futures, João Mascolo [por esta apresentação trata-se mais uma “opinião isenta e imparcial (sic) de um neoliberal” que luta tenazmente contra O Governo], “a sensação que a ação do BC deixou em O Mercado é que o governo está preparando um plano de estímulo à atividade, do tipo ‘voo de galinha’ – de curta duração. Algo semelhante ao que se viu em 2010, no governo Lula. Com o risco de impeachment e às vésperas da eleição municipal, parece que o governo vai tentar interferir na economia [Surprise! Coisa inédita!], como fez no primeiro mandato, o que amplia brutalmente as incertezas”, diz. “O Mercado sabe que não vai funcionar. Se o investimento estava em queda, vai cair ainda mais.” Não cansa este repetitivo jogo de imputar virtudes só a O Mercado e endemoniar O Governo? Cansei… pela esquerda.

Para um analista apressado, afirma que “esse ambiente de pressão contínua por elevar mais os juros improdutivos não impõe, no curto prazo, custo fiscal adicional porque boa parte da dívida mobiliaria — cerca de 40%, considerando também as compromissadas — é pós-fixada”. Como não?!

Argumenta que “a alta dos juros longos afeta a dívida prefixada, mas isso só se concretiza quando os papéis forem renovados”. Mas as condições para a gestão da dívida pioram no longo prazo e o perfil se deteriora desde já, porque nos leilões do Tesouro, atualmente, 75% dos milhões de títulos vendidos são pós-fixados ou vencem em menos de um ano. Isto ocorre porque os investidores são racionais já que preferem a segurança com pós-fixados do que especular sobre o futuro com prefixados.

Pior é quando gente incauta se impressiona com esses economistas midiáticos repetidores de ideologia. E então os leigos erram! Quem mandou seguir com “a postura me engana que eu gosto”?!

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