Balanço Comercial de Óleo e Gás

Balanço Comercial de Óleo e Gás 2000-2015

Fábio Pupo e Lucas Marchesini (Valor, 22/01/16) informam que, depois de dois anos registrando valores significativamente desfavoráveis no balanço comercial de petróleo e derivados, o Brasil começa a registrar um cenário de equilíbrio entre a exportação e a importação desses produtos. O ano de 2015 terminou com déficit de US$ 5,73 bilhões, 66% menor que o atingido um ano antes. Para 2016, a projeção do governo é que o Brasil tenha nova redução no saldo negativo, podendo até reverter o quadro e registrar o primeiro superávit em quase 20 anos.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o movimento em direção ao equilíbrio no balanço comercial do petróleo é influenciado principalmente pela queda de demanda interna, causada pela retração da economia.

A menor atividade faz com que empresas consumam menos derivados como combustíveis, diesel, gasolina e nafta. Por isso, a produção nacional tem mais condições de atender à demanda doméstica. Esse cenário fez com que a importação de petróleo, derivados e gás natural caísse 46% no país em 2015, para US$ 22,2 bilhões. Em volume, a queda foi de 11%, para 51,2 bilhões de toneladas.

Desde 1997, quando começa a série histórica do ministério, o Brasil vem registrando mais compras de petróleo e derivados do que embarques ao exterior. O déficit cresceu, sobretudo, nos anos mais recentes, passando de US$ 5,3 bilhões em 2012 para o pico de US$ 20,3 bilhões em 2013. Em 2014, novo resultado negativo: US$ 16,9 bilhões.

De acordo com Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação (Deaex) do ministério, os impulsos que levaram à redução na conta petróleo continuam em 2016. “Com menor demanda interna por conta da menor atividade, preços caindo e produção crescendo, esse movimento de redução do déficit deve permanecer neste ano”, disse Brandão, que não descarta um superávit nessa conta em 2016, apesar de considerar isso “improvável”.

Em menor parte, o movimento do balanço comercial também é influenciado pela produção mais alta de petróleo nos últimos anos em território nacional. A Petrobras, mesmo afetada pelas investigações da Operação Lava-Jato, vem batendo recordes de produção. Segundo dados divulgados pela estatal, a marca de 2,128 milhões de barris por dia atingida em 2015 representa alta de 4,6% em relação a um ano antes. A média anual da produção na camada pré-sal em 2015 também foi a maior da história, atingindo uma média de 767 mil barris por dia, superando a produção de 2014 em 56%.

Apesar dos números positivos, Brandão é cético em relação ao futuro do balanço comercial do petróleo. Para ele, que não vê mudança estrutural, o superávit é fruto de um cenário momentâneo. “Não é uma tendência. No momento em que o país voltar a crescer, o déficit vai voltar de maneira mais forte”, afirma. “Depende muito do ritmo da economia interna. Pode ser momentâneo, não apostaria nisso como tendência futura apesar da exportação continuar crescendo. A importação é muito conjuntural“, explica.

 

A volta de um déficit maior no balanço comercial do petróleo pode ocorrer porque a produção interna não consegue suprir a necessidade doméstica, o que força o país a comprar uma quantidade considerável no mercado externo. No ano passado, o país importou US$ 42,1 bilhões de petróleo e derivados de parceiros comerciais como Nigéria, Estados Unidos e Uruguai.

O problema na autossuficiênciaexclusivamente por conta dos derivados do petróleo. Isso porque, se forem levadas em conta apenas as importações e exportações de petróleo em bruto, o Brasil foi superavitário em US$ 4,4 bilhões em 2015.

Por outro lado, o balanço comercial de derivados foi deficitário em US$ 10,14 bilhões, por conta principalmente do óleo diesel (cuja balanço comercial foi deficitário em US$ 3,3 bilhões), o nafta (deficitário em US$ 1,04 bilhão) e o gás natural, com déficit de US$ 5,3 bilhões.

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