Ascensão e Queda do Estado de Bem-Estar Social

Queda do Bem-EstarRecessãoIndústria Extrativa

Saiu o resultado do ano da política econômica levyana, da operação Lava-Jato, do golpismo paralisante do Congresso, da desaceleração da China, da queda dos preços das commodities, da paralisia dos investimentos em petróleo, do prejuízo em extração de minérios, das políticas monetárias mundiais divergentes, do repatriamento de capital, etc. etc.

Todo fenômeno macroeconômico é multicausal. Não cabe apontar uma única causa como “o bode-expiatório”. Nem tampouco reentrar na gana golpista com “caça às bruxas”, típica de gente com inteligência “2 neurônio” (sic): a culpa é do PT, do Lula, da Dilma… É melhor a direita se enxergar — e ver com é feia!

Um sistema complexo resulta das interações de seus diversos componentes, sejam econômicos, sejam políticos. A dependência de trajetória caótica, em que se afasta progressivamente das condições iniciais (pré-2008) adequadas, é uma pista para entender um sistema complexo como é a economia mundial, mas dificulta fazer qualquer previsão com precisão. As fronteiras nacionais são criações arbitrárias face às geoeconômicas ou mesmo as geopolíticas, onde se impõem certas hegemonias hierárquicas de poder tácito.

Saiu-se do círculo virtuoso com a crise mundial e entrou-se em círculo vicioso. Este é um conceito derivado da concepção de Gunnar Myrdal da Escola de Estocolmo, cujos autores foram os mais criativos em metodologia para análise de economia dinâmica, i.é, que varia ao longo do tempo em ciclos de expansão e retração. Myrdal concebeu as decisões ex-ante e a resultante ex-post das interações entre elas.

A causação circular aguça um processo de retroalimentação. Ao círculo vicioso opõe-se o círculo virtuoso, quando, por exemplo, o aumento dos níveis médios de educação viabiliza o aumento da produtividade, e a capitalização da sobra de renda permite o aumento da riqueza, que, por sua vez, caso tributada, permite o aumento dos recursos destinados à educação em um processo sinérgico.

O social-desenvolvimentismo brasileiro (2003-2014) foi a tentativa de implantação aqui de um Estado de Bem-Estar Social, como sempre de maneira atrasada em relação aos norte-americanos e europeus, que adotaram os seus, respectivamente, após a Grande Depressão de 1929 e a II Guerra Mundial. Mais de meio século após, os neoliberais já estavam combatendo, no mundo todo, o que classificam com “Estado assistencialista”. Querem apenas que a arrecadação fiscal seja dirigida para a solvência estatal, ou seja, para garantir o permanente pagamento de juros dos títulos de dívida pública. Quanto ao povo, dizem os idolatras do livre-mercado, que se lixe com o ajuste fiscal recessivo…

Em 2015, PIB cai 3,8% e totaliza R$ 5,9 trilhões

PERÍODO DE COMPARAÇÃO
INDICADORES
PIB
AGROPEC
INDUS
SERV
FBCF
CONS. FAM
CONS. GOV
Trimestre / trimestreimediatamente anterior (c/ ajuste sazonal)
-1,4%
2,9%
-1,4%
-1,4%
-4,9%
-1,3%
-2,9%
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior (s/ ajuste sazonal)
-5,9%
0,6%
-8,0%
-4,4%
-18,5%
-6,8%
-2,9%
Acumulado no ano / mesmo período do ano anterior (s/ ajuste sazonal)
-3,8%
1,8%
-6,2%
-2,7%
-14,1%
-4,0%
-1,0%
Valores correntes no trimestre (R$)
1.531,6 bilhões
49,2 bilhões
295,2 bilhões
969,2 bilhões
256,8 bilhões
976,8 bilhões
342,8 bilhões
Valores correntes no ano de 2015 (R$)
5.904,3 bilhões
263,6 bilhões
1.149,4 bilhões
3.642,3 bilhões
1.072,5 bilhões
3.741,9 bilhões
1.192,4 bilhões
PIB PER CAPITA = R$ 28.876 (-4,6% em volume em relação a 2014)
TAXA DE INVESTIMENTO (FBCF/PIB) no ano de 2015 = 18,2%
TAXA DE POUPANÇA (POUP/PIB) no ano de 2015 = 14,4%

Em relação ao terceiro trimestre, o PIB do quarto trimestre de 2015 caiu 1,4%, levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. É a quarta queda consecutiva nesta base de comparação. A Indústria (-1,4%) e os Serviços (-1,4%) tiveram retração, enquanto a Agropecuária registrou expansão (2,9%). Na comparação com o quarto trimestre de 2014, o PIB caiu 5,9%, a maior queda desde o início da série histórica iniciada em 1996, sendo que o valor adicionado a preços básicos caiu 5,0%, e os impostos sobre produtos recuaram 11,0%. A Agropecuária cresceu 0,6%, enquanto a Indústria (-8,0%) e os Serviços (-4,4%) apresentaram queda.

No ano de 2015, o PIB caiu 3,8% em relação a 2014, a maior queda da série histórica iniciada em 1996. A queda do PIB resultou do recuo de 3,3% do valor adicionado a preços básicos e da contração de 7,3% nos impostos sobre produtos. Nessa comparação, a Agropecuária (1,8%) apresentou expansão, e a Indústria (-6,2%) e os Serviços (-2,7%) caíram. Em 2015, o PIB totalizou R$ 5,9 trilhões (valores correntes). O PIB per capita ficou em R$ 28.876 em 2015, com queda de 4,6%, em volume, em relação ao ano anterior.

A publicação completa da pesquisa do IBGE pode ser acessada aqui.

TABELA I.1 – Principais resultados do PIB do 4º Trimestre de 2014 ao 4º Trimestre de 2015
Taxas (%)
2014.IV
2015.I
2015.II
2015.III
2015.IV
Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior
< Anexo: Tabela 3 >
0,1
-2,0
-2,5
-3,2
-3,8
Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores
< Anexo: Tabela 4 >
0,1
-1,2
-1,7
-2,5
-3,8
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior
< Anexo: Tabela 2 >
-0,7
-2,0
-3,0
-4,5
-5,9
Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal)
< Anexo: Tabela 7 >
0,1
-0,8
-2,1
-1,7
-1,4
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais

Em relação ao 3º tri de 2015, PIB cai 1,4%

Na comparação com o 3º trimestre do ano (série com ajuste sazonal), a Indústria (-1,4%) e os Serviços (-1,4%) tiveram retração, enquanto a Agropecuária registrou expansão (2,9%).

Dentre os subsetores que formam a Indústria, a maior queda se deu na extrativa mineral (-6,6%). A indústria de transformação (-2,5%) apresentou resultado negativo pelo quinto trimestre consecutivo. Já a atividade deeletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (1,7%) e a construção (0,4%) registraram variação positiva.

Nos Serviços, apenas as atividades imobiliárias (0,5%) apresentaram resultado positivo no trimestre. As demais atividades sofreram retração: comércio (-2,6%), administração, saúde e educação pública (-2,0%), transporte, armazenagem e correio (-1,7%), outros serviços (-1,2%), serviços de informação (-0,9%) e intermediação financeira e seguros (-0,2%).

Pela ótica da despesa, a formação bruta de capital fixo registrou o 7º trimestre consecutivo de queda (-4,9%) e a despesa de consumo das famílias (-1,3%) caiu pelo quarto trimestre seguido. A despesa de consumo do governo recuou 2,9%. No setor externo, as exportações de bens e serviços tiveram variação negativa de 0,4%, enquanto que as importações de bens e serviços recuaram 5,9% em relação ao terceiro trimestre de 2015.

PIB cai 5,9% em relação ao 4º trimestre de 2014

Quando comparado a igual período do ano anterior, o PIB sofreu contração de 5,9% no 4º trimestre de 2015, a maior queda desde o início da série histórica iniciada em 1996. Dentre as atividades econômicas, a Agropecuária cresceu 0,6% e a Indústria sofreu queda de 8,0%. Nesse contexto, a indústria de transformaçãoapresentou contração de 12,0%.

A construção e a extrativa mineral também apresentaram redução no volume do valor adicionado: -5,2% e -4,1%, respectivamente. Já a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, por sua vez, registrou expansão de 1,4%.

O valor adicionado de Serviços caiu 4,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com destaque para a contração de 12,4% do comércio (atacadista e varejista) e de 9,0% de transporte, armazenagem e correio. Também apresentaram resultados negativos as atividades de outros serviços (-4,4%), serviços de informação (-3,0%), administração, saúde e educação pública (-1,2%) e intermediação financeira e seguros(-0,4%). As atividades imobiliárias apresentaram variação nula.

Todos os componentes da demanda interna apresentaram queda na comparação do quarto trimestre de 2015 contra igual período do ano anterior. A formação bruta de capital fixo recuou 18,5%, a despesa de consumo das famílias caiu 6,8% e a despesa de consumo do governo caiu 2,9%. Já no setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 12,6%, enquanto as importações de bens e serviços caíram em 20,1%.

Em 2015, PIB cai 3,8% e PIB per capita recua 4,6%

O PIB em 2015 sofreu contração de 3,8% em relação ao ano anterior, a maior da série histórica iniciada em 1996. Em 2014, o PIB havia ficado praticamente estável (+0,1%). Em decorrência desta queda, o PIB per capita alcançou R$ 28.876 (em valores correntes) em 2015, recuando (em termos reais) 4,6% em relação ao ano anterior. Em 2014, o PIB per capita recuou 0,8%.

A queda do PIB resultou do recuo de 3,3% do valor adicionado a preços básicos e da contração de 7,3% nos impostos sobre produtos líquidos de subsídios. O resultado do valor adicionado neste tipo de comparação refletiu o desempenho das três atividades que o compõem: Agropecuária (1,8%), Indústria (-6,2%) e Serviços (-2,7%). O recuo dos impostos reflete, principalmente, a redução, em volume, de 17,1% do Imposto de Importação e de 13,9% do IPI – decorrente, em grande parte, do desempenho negativo da indústria de transformação e das importações de bens e serviços no ano.

A variação em volume do valor adicionado da Agropecuária (1,8%) decorreu, principalmente, do desempenho da agricultura. Alguns produtos da lavoura registraram crescimento de produção: tendo como destaque as culturas de soja (11,9%) e milho (7,3%). Por outro lado, algumas lavouras registraram variação negativa, como, por exemplo, trigo (-13,4%), café (-5,7%) e laranja (-3,9%).

Na Indústria, o destaque positivo foi o desempenho da extrativa mineral, que acumulou crescimento de 4,9% no ano, influenciado tanto pelo aumento da extração de petróleo e gás natural quanto pelo crescimento da extração de minérios ferrosos. As demais atividades industriais registraram queda em volume do valor adicionado. Aconstrução sofreu contração de 7,6%, enquanto que a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana caiu 1,4%.

A indústria de transformação teve queda (-9,7%), influenciada pela redução, em volume, do valor adicionado da indústria automotiva (incluindo peças e acessórios) e da fabricação de máquinas e equipamentos, aparelhos eletroeletrônicos e equipamentos de informática, alimentos e bebidas, artigos têxteis e do vestuário e produtos de metal.

Dentre as atividades que compõem os Serviços, o comércio sofreu queda de 8,9%, seguido por transporte, armazenagem e correio, que recuou 6,5%, outros serviços (-2,8%) e serviços de informação (-0,3%). A atividade de administração, saúde e educação pública ficou estável (0,0%), enquanto que intermediação financeira e seguros e atividades imobiliárias apresentaram variações positivas de, respectivamente, 0,2% e 0,3%.

Na análise da despesa, destaca-se a contração de 14,1% da formação bruta de capital fixo. Este recuo é justificado, principalmente, pela queda da produção interna e da importação de bens de capital, sendo influenciado ainda pelo desempenho negativo da construção neste período. Em 2014, a formação bruta de capital fixo já havia registrado queda de 4,5%.

A despesa de consumo das famílias caiu 4,0% em relação ao ano anterior (quando havia crescido 1,3%), o que pode ser explicado pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo de todo o ano de 2015. A despesa de consumo do governo caiu 1,0% – também desacelerando em relação a 2014, quando cresceu 1,2%.

No setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 6,1%, enquanto as importações de bens e serviços tiveram queda de 14,3%. Entre os produtos e serviços da pauta de exportações, os maiores aumentos foram observados em petróleo, soja, produtos siderúrgicos e minério de ferro. Já entre as importações, as maiores quedas foram observadas em máquinas e equipamentos, automóveis, petróleo e derivados, bem como os serviços de transportes e viagens.

A taxa de investimento no ano de 2015 foi de 18,2% do PIB, abaixo do observado no ano anterior (20,2%). Ataxa de poupança foi de 14,4% em 2015 (ante 16,2% no ano anterior).

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