A Sexta Extinção

Captura de Tela 2016-03-03 às 10.27.34

O livro A Sexta Extinção: Uma História Não Natural (Rio de Janeiro; Editora Intrínseca; original de 2014), de autoria de Elizabeth Kolbert, é vencedor do Prêmio Pulitzer de 2015.

“Houve o surgimento de uma nova espécie de animal humano há mais ou menos duzentos mil anos. A espécie ainda não tem nome ― nada tem nome ―, mas tem a capacidade de nomear as coisas.

Como acontece com qualquer espécie jovem, a situação dessa é precária. Tem poucos membros, que se restringem a uma fatia da África Oriental. A população cresce lentamente, mas é bem provável que logo diminua outra vez ― alguns afirmam que de maneira quase fatal ―, reduzida a apenas alguns milhares de casais.

Os membros da espécie não são particularmente ágeis, fortes nem férteis. Demonstram, contudo, uma engenhosidade singular. Aos poucos, avançam para regiões com climas, predadores e presas diferentes. Nenhum dos obstáculos mais comuns em relação a hábitat ou geografia parece detê-los. Eles atravessam rios, planícies e cadeias de montanhas. Nas regiões costeiras, coletam moluscos; longe do mar, caçam mamíferos.

Em todos os lugares onde se estabelecem, se adaptam e inovam. Ao chegarem à Europa, encontram criaturas muito parecidas com eles mesmos, porém mais robustas e possivelmente mais fortes, que vivem há muito mais tempo no continente. Eles se miscigenam com essas criaturas até, no fim das contas, dizimá-las.”

Este ponto é controverso. O livro de Yuval Noah Harari, Sapiens: Uma Breve História da Humanidade (São Paulo; Editora L± 2015) apresenta a controvérsia entre a Teoria da Miscigenação e a Teoria da Substituição.

“À medida que a espécie amplia sua área de atuação, seus caminhos se cruzam com os de animais duas, dez e até vinte vezes maiores: gatos enormes, ursos imensos, tartarugas grandes como elefantes, bichos-preguiça de cinco metros. Essas espécies são mais poderosas e, com frequência, mais violentas, mas demoram para procriar e acabam sendo extintas.

Embora seja terrestre, nossa espécie ― sempre inventiva ― atravessa o mar. Chega a ilhas habitadas por criaturas remotas da evolução: pássaros que põem ovos de trinta centímetros, hipopótamos do tamanho de um porco, lagartos gigantes. Habituados ao isolamento, esses animais não estão preparados para lidar com os recém-chegados nem com seus companheiros de viagem, principalmente os ratos e seus germes. Muitos também sucumbem.

Aos trancos e barrancos, o processo continua durante milênios, até a espécie, já não tão nova, se espalhar por quase todos os cantos do planeta. A essa altura, várias coisas acontecem mais ou menos ao mesmo tempo para permitir que o Homo sapiens — como essa criatura acabou por chamar a si mesma — se reproduza em uma escala sem precedentes. Em um único século, a população duplica; depois, duplica outra vez, e de novo.

Vastas florestas são destruídas. Os seres humanos fazem isso deliberadamente, com o propósito de se alimentar. De forma menos deliberada, deslocam organismos de um continente para outro, reorganizando a biosfera.

Enquanto isso, uma transformação mais forte e radical está prestes a acontecer. Após descobrirem reservas de energia subterrâneas [carvão, petróleo], os seres humanos começam a alterar a composição da atmosfera. Isso, por sua vez, modifica o clima e a química dos oceanos.

Algumas plantas e animais se adaptam e se deslocam para outro lugar, subindo montanhas e migrando na direção dos polos. Contudo, uma imensa quantidade de espécies ― a princípio centenas, depois milhares e, por fim, talvez milhões ― se vê ilhada. Os níveis de extinção disparam, e a trama da vida se transforma.

Nenhuma criatura alterou a vida no planeta dessa forma, mas, ainda assim, já ocorreram eventos comparáveis. Muito, mas muito de vez em quando, no passado remoto, o planeta sofreu mudanças tão violentas que a diversidade da vida despencou de repente. Cinco desses antigos eventos tiveram um impacto catastrófico o suficiente para merecer uma única categoria: as Cinco Grandes Extinções.

No que parece ser uma coincidência fantástica, mas que provavelmente não é coincidência alguma, a história desses eventos é recuperada bem na hora em que as pessoas começam a perceber que estão provocando mais um. Embora ainda seja demasiado cedo para saber se atingirá as proporções dos anteriores, esse novo evento fica conhecido como a Sexta Extinção.”

A história da Sexta Extinção, pelo menos da maneira como Elizabeth Kolbert, em “A sexta extinção: Uma história não natural” escolheu narrar, tem treze capítulos. Cada um rastreia uma espécie que é de algum modo emblemática ― o mastodonte-americano, o arau-gigante ou uma amonite extinta no fim do período cretáceo junto com os dinossauros.

As criaturas retratadas nos primeiros capítulos já desapareceram. Essa primeira parte do livro se concentra mais nas grandes extinções do passado e na história sinuosa de suas descobertas, a começar pelo trabalho do naturalista francês Georges Cuvier.

A segunda parte do livro se passa principalmente no presente:

  • na cada vez mais fragmentada floresta tropical amazônica;
  • em uma montanha dos Andes que sofre com o aquecimento acelerado;
  • nas extremidades da Grande Barreira de Corais.

Elizabeth Kolbert resolveu viajar para esses lugares específicos pelas razões jornalísticas habituais: porque havia uma estação de pesquisa no local ou porque eu tinha sido convidado para acompanhar uma expedição. As mudanças que ocorrem hoje em dia são tão grandes que ela encontraria indícios delas se fosse para quase qualquer lugar, desde que recebesse orientação adequada. Um dos capítulos trata de uma extinção que está acontecendo mais ou menos no seu próprio quintal.

Se a extinção é um assunto mórbido, a extinção em massa é um assunto muito mais. No entanto, também é fascinante. Em “A sexta extinção: Uma história não natural”, Elizabeth Kolbert tenta ser fiel a estes dois aspectos: a empolgação e o horror das descobertas recentes. Diz: “minha esperança é que os leitores deste livro consigam compreender o momento extraordinário que estamos vivendo”.

One thought on “A Sexta Extinção

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s