Infidelidade Conjugal-Financeira

contrato de casamento

Gosto da definição de casamento civil e/ou religioso: é uma contratação de prestação de serviços por prazo indeterminado. Se fosse bom não seriam necessárias testemunhas!

Os votos de casamento mais conhecidos constituem o inacreditável: “Eu, fulana, te recebo sicrano, como meu marido e te prometo ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da nossa vida, até que a morte nos separe”.

Chris Taylor (Valor, 11/02/16) avalia que, quando o assunto é amor e dinheiro, as perspectivas de harmonia nem sempre dependem do que é revelado. Dependem também do que não é. Basta perguntar à advogada que estava noiva alguns anos atrás, considerava seu noivo evasivo quando ela trazia à baila questões de dinheiro. Ela não sabia nada: quanto ele estava ganhando, quanto ele devia, quais eram suas despesas. A advogada, por ironia do destino, é especializada em Direito Financeiro…

Enquanto a infidelidade física pode envolver flerte com um colega de trabalho ou encontros com estranhos por meio de um site de relacionamentos na rede social, a infidelidade financeira pode envolver trapaças, como a ocultação de contas bancárias ou de faturas de cartão de crédito. “Esse é um dos principais fatores que podem impactar relacionamentos”, diz a advogada, que acabou cancelando o casamento.

De fato, você não saber nada sobre a renda, as dívidas ou as despesas de seu parceiro é um grande e desconcertante sinal de perigo. E, a julgar pelos novos dados divulgados pelo CreditCards.com, é grande quantidade de sinais de perigo por aí.

O levantamento do site detectou que 13 milhões de americanos, ou um em cada 20, têm contas bancárias ou de cartão de crédito ocultas do parceiro. E 19% esbanjaram mais de US$ 500 em um item caro sem contar ao companheiro. Se você está escondendo algum grande segredo financeiro e ele é descoberto, é muito natural que o outro se pergunte: o que mais ele está escondendo?

Qual seria a faixa etária mais tendente a esconder contas financeiras? Os travessos membros da chamada geração Y, também conhecida como Millennials, de 18 a 29 anos.

Talvez não surpreenda que as pessoas de 65 anos ou mais tenham se revelado, na sondagem, as mais transparentes com o outro. Afinal, como diz o ditado: “a mentira tem perna curta”…

Nova pesquisa do Ally Bank, também revela um contingente surpreendente de enganações financeiras. Em seu mais recente levantamento “Love and Money“, entre os consultados que notificaram discussões graves e permanentes sobre dinheiro, 17% disseram que esconder dívidas é um problema fundamental, enquanto 7% classificaram como tal o ocultamento de ativos.

Em vista disso, como os casais podem evitar esse tipo especial de infidelidade e comemorar o Dia dos Namorados com alguma transparência financeira?

A seguir, cinco dicas para o estabelecimento de uma sociedade conjugal não anônima:

  1. Compartilhem números

Não, não números de telefone. Vocês precisam compartilhar seus informes de crédito e suas declarações de patrimônio, sugere a planejadora financeira Kathleen Grace, autora de “Prince Not So Charming“. E isso não só antes do casamento, mas também antes de morar juntos. Se houver pagamentos em atraso, cartões com limite estourado ou dívidas elevadas, é aí que você vai encontrá-los.

 

2. Acesso à conta

Vocês não têm de fundir todos os seus instrumentos financeiros. Muitos casais sentem-se mais à vontade com contas separadas. Mas devem, pelo menos, trocar identificações de usuário e senhas para que as informações financeiras fiquem acessíveis aos parceiros, caso eles queiram visualizá-las. Se sua cara-metade ficar “retraída ou na defensiva” com a ideia, esse será mais um sinal de alarme.

3. Regras básicas

Vai fazer uma compra grande? Fixe um nível a partir do qual você terá de esclarecer a aquisição ou conversar sobre ela com o amado, digamos US$ 100 ou US$ 500. Isso contribuirá para promover a confiança mútua e funcionará como uma barreira natural a aquisições exóticas ou supérfluas das quais você possa vir a se arrepender.

De acordo com a pesquisa do CreditCards.com, 41% dos americanos desembolsaram mais de US$ 100 sem avisar o parceiro. Se houver gastos imprudentes de ambos os lados, você estará plantando a semente da desconfiança, do ressentimento e de possíveis problemas financeiros mais para a frente.

4. Aplicativos de orçamento

Pense em aplicativos como o Mint como um tipo de transparência conjugal forçada. Poder ver a conta em uma tela dificulta a ocultação de números não notificados. Se esse processo trouxer segredos à luz, tudo bem. Segredos podem destruir um orçamento. Simplesmente não há como elaborar um orçamento preciso, significativo, se você não souber exatamente quanto dinheiro está entrando e saindo.

5. Coloque no papel

Providencie um acordo pré-nupcial. Colocar no papel suas expectativas vai tornar claro qualquer descompasso grave em assunto de dinheiro e, quanto antes isso acontecer, melhor. A propósito, isso não significa humilhar ou desgastar parceiros de renda menor. Afinal, poucos casais ganham exatamente o mesmo. Significa apenas reconhecer as realidades financeiras um do outro e calibrar suas expectativas de acordo com elas.

contrato pré nupcial

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