História da África e dos Africanos

História da África e dos Africanos

Durante as férias, li o livro História da África e dos Africanos (Petrópolis; Vozes; 2014), cuja coautoria é de Paulo Fagundes Visentini, Luiz Dario Teixeira Ribeiro e Analúcia Danilevicz Pereira, como preparação para o debate a respeito no meu curso de Economia no Cinema. Desta vez, incluirei a África, além dos conflitos geopolíticos, econômicos e religiosos no Oriente Médio. Pouco a pouco, meus alunos e eu vamos conhecendo o desenvolvimento mundial além do Ocidental.

Foi na África que surgiu o Homo Sapiens, há cerca de 160 mil anos, bem como a primeira civilização, o Egito, há 5 mil anos. A evolução da espécie humana teve início na África Oriental e na Meridional, ponto de partida para a colonização do restante do continente e do mundo.

Essa raça humana foi se adaptando a novos ambientes e, destruindo-os, levaram ao extermínio de outras raças que competiam pelo territórios, tornando-se a única sobrevivente. A cooperação intra grupal levou ao surgimento de núcleos populacionais étnico-linguísticos diferenciados. Mas nosso DNA não se engana: somos todos de origem africana!

Compare as populações de cada um dos continentes (dados referentes ao ano de 2013), sendo que o planeta atingiu, em 2013, a marca de 7,2 bilhões de habitantes:

  • África: 1,111 bilhão de habitantes (15%)
  • América: 953,7 milhões de habitantes (13%) [Norte: 522 milhões; Central: 45 milhões; Sul: 388 milhões]
  • Ásia: 4,427 bilhões de habitantes (61%)
  • Europa: 742,5 milhões de habitantes (10%)
  • Oceania: 40 milhões de habitantes

Ranking dos dez países mais populosos:

1° – China (Ásia): 1.357.380.000 habitantes.

2° – Índia (Ásia): 1.252.139.596 habitantes (ambos representam 36% da população planetária)

3° – Estados Unidos (América): 316.128.839 habitantes

4° – Indonésia (Ásia): 249.865.631 habitantes

5° – Brasil (América): 204.450.649 habitantes (EUA e Brasil representam 7,2%)

6° – Paquistão (Ásia): 182.142.594 habitantes

7° – Nigéria (África): 173.615.345 habitantes

8° – Bangladesh (Ásia): 156.594.962 habitantes

9° – Rússia (Europa): 143.499.861 habitantes

10° – Japão (Ásia): 127.338.621 habitantes

Área (km 2) dos Continentes

  • África: 30.310.000 (20%)
  • América: 42.101.000 (28%) (América do Sul: 17. 819.100 km² [12% da superfície terrestre] [Brasil: 47,8% deste território]; América do Norte: 24.709.000 km²; América Central: 522.760 km²)
  • Ásia: 44.080.000 (30%)
  • Europa: 10.359.000 (7%)
  • Oceania: 8.935.000 (6%)
  • Antártida: 14.200.000 (9%)

O norte e o nordeste do continente africano foram arabizados e/ou islamizados. No restante, houve grande processo migratório, primeiramente do leste para oeste e, depois, em sentido inverso e, por fim, rumo ao sul.

Os sistemas agrícolas eram móveis, adaptando-se ao meio ambiente em vez de o transformarem. O Homem era dependente da fertilidade da natureza. Na África primitiva, o poder estava mais relacionado ao controle de pessoas e rebanhos do que ao domínio permanente de uma porção de terra. Os “impérios africanos” não representava, exatamente, entidades territoriais, com fronteiras definidas, como na Europa. As grandes imigrações africanas se encerraram há pouco mais de dois séculos, ou seja, como impacto da colonização europeia.

O primeiro envolvimento com o mundo exterior em larga escala ocorreu por conta do tráfico de escravos e do comércio de sal, ouro, marfim, algumas especiarias e óleo de palma. Um continente ainda subpovoado foi o grande exportador de pessoas em troca de mercadorias. Hoje, o continente procura superar os efeitos do imperialismo e do colonialismo, característicos do século XIX e XX, que interromperam seu desenvolvimento espontâneo de acordo com a o meio-ambiente natural.

A principal sudivisão da África refere-se às duas regiões que ficam ao norte e ao sul do Deserto do Saara:

  1. África Subsaariana (ou África Negra) e
  2. Magreb (Ocidente, em árabe).

Geograficamente, são três regiões distintas:

  1. o planalto setentrional,
  2. os planaltos central e meridional, e
  3. as montanhas do leste.

Em geral, a altitude do continente aumenta de noroeste para sudeste. O deserto do Saara se estende por mais de ¼ do território africano.

As faixas litorâneas baixas, com exceção da costa mediterrânea e da costa da Guiné, são estreitas e elevam-se bruscamente em direção ao planalto. O litoral se caracteriza por extensões contínuas, quase sem reentrâncias e portos de águas profundas e com uma plataforma continental muito exígua, o que limita as possibilidades de pesca e jazidas de petróleo off-shore.

Os rios praticamente não são navegáveis por grandes embarcações, devido a um grande número de corredeiras, dificultando o acesso ao interior do continente. Boa parte dos rios africanos correm para o interior do continente, não atingindo o mar.

A África é riquíssima em recursos minerais. Sua principal atividade econômica refere-se à mineração e/ou à indústria extrativa nas grandes jazidas de carvão, reservas de petróleo e de gás natural, bem com as maiores reservas do mundo de ouro (50% do comercializado internacionalmente), diamantes, cobre, bauxita, manganês, níquel, rádio, germânio, lítio, titânio e fosfato.

Há aproximadamente 66 bilhões de barris de petróleo em reservas ao sul do Saara e inúmeras jazidas de gás natural, mas a maior parte (90%) da energia consumida na África provém da lenha!

A segunda atividade econômica mais importante no continente é a agricultura, praticada de três formas específicas:

  1. a de subsistência,
  2. a permanente, e
  3. a plantation para exportação.

Dentre os produtos agrícolas exportados encontram-se, principalmente, café, cacau, borracha, cana-de-açúcar, algodão, amendoim e azeite de dendê. Verifica-se certa semelhança com a pauta de exportação brasileira, exceto pela soja.

O nível de industrialização africano é bastante baixo, existindo, no entanto, no norte do continente, indústrias relativamente desenvolvidas, especialmente no Egito e na Argélia. No sul, também há industrialização média no Zimbábue e na África do Sul.

A população urbana é de, aproximadamente, 40%. Em decorrência, a rural é de 60%. Em 2011, predominava a urbana só na África do Sul (61,7%), Angola (58,5%), Argélia (66,5%), Cabo Verde (61%), Camarões (58%), Congo RP (62%), Costa do Marfim (50,6%), Djibuti (76%), Gabão (86%), Gâmbia (58,2%), Gana (51%), Líbia (78%), Marrocos (58%), Nigéria (50%), Saara Ocidental (82%), São Tomé e Príncipe (62%), Seychelles (55%), Tunísia (67%).

A concentração demográfica é muito irregular. Ruanda (380 hab/km2) e Burundi (298 hab/km2), devido aos pequenos territórios (26,3 mil e 27,8 mil km2) e populações, respectivamente, de 10 milhões e 8,3 milhões habitantes, destacam-se por estarem entre as mais altas densidades demográficas do mundo. Lá ocorreram genocídios “malthusianos”, em 1994, devido aos discursos de ódio mútuo entre hutus e tutsis, vítimas da imposição histórica de fronteiras que não se adéquam à maneira como os indivíduos veem sua identidade.

Embora o continente africano esteja dividido em cerca de 800 grupos étnicos, cada qual com sua própria língua e cultura, não cabe ver a África como um ambiente “primitivo”, invocando conceitos como “tribalismo” para identificar nos africanos aquilo que é próprio da condição humana, mas que não se deseja reconhecer em si mesmo. A responsabilidade pela violenta experiência colonial e a manutenção de estruturas sociais sufocantes criadas pelos impérios europeus na África são pontos cruciais que se perdem na descrição superficial de “ódios étnicos” ou “tribais”.

Entre os 54 Estados africanos independentes, somente 14 se destacam por possuírem mais de 20 milhões de habitantes (~10% da população brasileira), em 2011, são: África do Sul (49,3 milhões); Argélia (34,9 milhões); Congo RD (66 milhões); Costa do Marfim (21 milhões); Egito (83 milhões); Etiópia (82,8 milhões); Gana (23,8 milhões); Marrocos (32 milhões); Moçambique (22,9 milhões); Nigéria (154,7 milhões); Quênia (39,8 milhões); Sudão (26 milhões); Tanzânia (43,7 milhões); e Uganda (32,7 milhões).

Apenas seis países que possuíam renda per capita, em 2011, igual ou superior à brasileira: África do Sul (US$ 11.000 com 49,3 milhões habitantes); Botsuana (US$ 16.300 com 1,9 milhão); Guiné Equatorial (US$ 19.300 com 677 mil); Líbia (US$ 12.063 com 6,4 milhões); Maurício (US$ 15.000 com 1,27 milhão); Seychelles (US$ 24.700 com 87 mil).

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