Manifestação contra Conspiração Golpista

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Uma das “notícias antes dos fatos” mais risíveis da mídia golpista ocorreu com a divulgação dos números dos manifestantes contra o golpe judicial-parlamentarista em andamento contra o Estado de Direito. Antes de ocorrerem as manifestações dos coxinhas, domingo passado, a SSPSP já anunciava a presença de um milhão de pessoas! Ontem, o Jornal Nacional, depois de uma semana de inédito televisionamento de qualquer pequena manifestação direitista que ocorresse em algum lugar do País, comparou o público de domingo como fosse composto de 6,5 milhões de pessoas (!) com o de sexta-feira, avaliado pela TV Golpe em “apenas” 1,5 milhão (snif, snif). Antes, o locutor tinha dito que a imparcial (sic) SSPSP não apresentara ainda nenhuma estimativa de quantos estavam na Av. Paulista (veja acima uma vista aérea parcial). Ora, ora, o povo não é bobo…

De toda essa manipulação das informações a favor da conspiração judicial-parlamentarista, para dar um pseudo “revestimento de legalidade” ao golpe em andamento contra o Estado de Direito no Brasil, ficam mais claras algumas lições de democracia.

Primeira: manifestações de ruas são importantes, emocionalmente, mas a razão da democracia está na contagem de votos depositados nas urnas depois de um intenso debate livre e em igualdade de condições de comunicação aos eleitores. A democracia exige respeito aos votos vencedores: em 2014, Dilma terminou com 51,64% e Aécio, com 48,36%; ela teve, ao todo, 54.501.118 votos e o tucano, 51.041.155. Essa diferença de 3.459.963 votos tem de ser respeitada, tanto pelo Poder Judiciário como pelo Poder Legislativo, até a próxima eleição em 2018 para o Poder Executivo.

Segunda: qualquer uma dessas inúmeras tentativas midiáticas de “contar a história contra os fatos reais” será desmascarada, seja no presente, seja no futuro, e os nomes seus autores — assim como os de todos os pseudo democratas que conspiram contra o Estado de Direito (entre os quais destacam-se membros pré-julgadores do Poder Judiciário, cínicos do Poder Legislativo, líderes de associações patronais, “autonomistas” do MP e da PF, e jornalistas manipuladores da “opinião pública”) — serão jogados na “lata-de-lixo” da História.

Terceira: essa descarada manipulação da comunicação a favor de uma perseguição política golpista é a razão do ódio popular à “imprensa marrom”. Esta é uma expressão de cunho pejorativo, utilizada para se referir a veículos de comunicação (principalmente jornais, mas também revistas e emissoras de rádio e TV) considerados sensacionalistas, ou seja, que buscam elevadas audiências e vendagem através da divulgação exagerada de fatos e acontecimentos, sem compromisso com a autenticidade e a ética jornalística.

Quarta: quebradas as regras da democracia presidencialista, haverá resistência de todos os eleitores que terão seus votos desrespeitados em aceitar a legitimidade de um governo resultante do Golpe de Estado. Dois plebiscitos, em 1963 e 1993, já vetaram o parlamentarismo no Brasil. Portanto, não é porque a base governista ficou em minoria que se pode golpear a Presidenta da República. Essa resistência democrática questionará de todos os modos possíveis o governo não eleito.  Se este reagir com a violência das armas ou a injustiça, o País descambará para mais uma ditadura. Os golpistas de hoje serão os responsáveis por esse retrocesso histórico e deverão ser punidos quando a democracia renascer.

Dos manifestantes presentes no ato da sexta-feira, 6% afirmaram ser empresários, de acordo com o Datafolha. Cerca de 15% das pessoas que foram defender a democracia, na avenida Paulista, disseram ser funcionários públicos. Na manifestação a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), no domingo, 12% declararam ser empresários e 5%, funcionários públicos. Os servidores públicos têm uma visão muito mais a favor do interesse público do que empresários que só defendem seu interesse privado.

Assim como no protesto contra Dilma no domingo passado, os manifestantes que foram às ruas da capital paulista nesta sexta-feira têm renda e escolaridade superior à média da população de São Paulo. Porém, não de forma tão elitista como os golpistas.

Renda Familiar 18.03.16Não só outras cidades, como também as diversas faixas etárias de adultos estavam mais representadas entre os democratas, enquanto entre os golpistas predominavam os velhos saudosos da ditadura militar, quando eles não tinham a liberdade de expressão para gritar, na rua, os impropérios que gritam hoje.

Idade 18.03.16

Leia maisPerfil dos Manifestantes Democratas

Datafolha Manifestacao SP_13_03_2016

7 thoughts on “Manifestação contra Conspiração Golpista

  1. Prof° Fernando,

    Gostaria de saber qual a sua opinião a respeito da crônica abaixo.

    “O maior de todos os tupiniquins

    Estava refletindo sobre a importância de Luiz Inácio Lula da Silva – qual o seu lugar na História do Brasil? A título de comparação, fui puxando pela mente alguns nomes, tais como:
    Aleijadinho, o maior escultor barroco de todos os tempos;
    Tiradentes, o herói da Inconfidência Mineira; Zumbi dos Palmares, o líder negro de todas as raças…

    Personagens antigos, dos quais ouvimos falar no ginásio; continuei indo, puxando outros nomes, agora da História mais recente, são eles:
    Getúlio Vargas, o pai dos pobres;
    Pelé, o rei do futebol;
    Heitor Villa-Lobos, o grande expoente da música modernista;
    Santos Dumont, o pai da aviação;
    Euclides da Cunha, autor de Os Sertões;
    Joaquim Barbosa, juiz de cor que recentemente assombrou o STF, entre tantos outros.

    Porém, por mais que medisse e comparasse e calculasse e puxasse, o resultado era sempre o mesmo: Lula foi o maior de todos.

    Não há, no Brasil, pessoa que tenha sacudido tanto a História quanto ele. O primeiro presidente vindo da classe operária em 500 anos, o semianalfabeto capaz de dar discursos “pra inglês ver”, o retirante da seca que colocou um país em desenvolvimento no centro das coisas, o torneiro mecânico responsável pelo maior milagre social do século XXI, o cara que quitou a dívida com o FMI, o doutor honoris causa de mais de uma porção de universidades…

    Não há, em importância, ninguém que seja ou que tenha sido tanto quanto esse homem; senhoras e senhores deste meu Brasil varonil, estamos diante do maior personagem de nossa História.

    É algo do tipo “dai a César o que é de César”. Os opositores e os de má-fé irão dizer que “nunca leram uma besteira tão grande”, irão citar o sítio de Atibaia e o tríplex do Guarujá e sentenciarão “um pilantra não pode ser o maior da nossa História” (querendo dizer mais: “um pobre”, “um sem dedo”, “um comunista”, “um nordestino”).

    A classe branca dominante não quer que o Brasil seja “um país de todos”;
    a classe branca dominante só quer aumentar o seu padrão de consumo;
    a classe branca dominante só pensa em Range Rover, no celular da Apple, na camisa da Lacoste, na viagem pra Florida;
    a classe branca dominante (e eu, apesar de ser branco, não me incluo nela) só enxerga o próprio nariz;
    a classe branca dominante – que adora cerimônias – é capaz de “pisar no pescoço da mãe” pra subir na vida;
    a classe branca dominante odeia o retirante da seca pelo simples fato d’ele ser uma realidade imperfeita, sabe.

    E vamos supor que Lula tenha realmente se corrompido e surrupiado um sítio de R$ 800 mil e um tríplex de R$ 2 milhões, e daí?

    Isso é um “palitinho de dente” perto do que ele fez em prol do desenvolvimento socioeconômico do país.

    Uns vão dizer “roubo é roubo”, eu sei, não quero justificar o fato, mas, se formos pegar um parâmetro, Fernando Collor de Mello e Paulo Maluf, sujeitos da pior espécie, posam de Lamborghini e Ferrari compradas com dinheiro do povo e nem por isso a mídia dá ampla cobertura para que as pessoas saíam às ruas. Porque?

    A classe branca dominante, a casta, só se mobiliza pelo que lhe apetece: divulga manchetes sensacionalistas, grampeia autoridades, divulga delações antes de estarem homologadas, permite que Eduardo Cunha (um investigado) abra um processo de impeachment, articula um Golpe de Estado com a calma de quem vai ao shopping fazer compras…

    Muitos dos seguidores desta classe branca dominante – os que enchem o boneco inflável do Lula vestido de presidiário – são sujeitos que dizem coisas do tipo “não vamos deixar o Brasil se tornar uma Venezuela”, “Che Guevara era um estuprador de criancinhas”, “o que o PT fez em 12 anos não compensa o que ele deixou de fazer em 2015” e outras tantas idiotices que só alguém que “nunca abre um livro” poderia dizer.

    Alguém que nunca nem ouviu falar em autores da Esquerda, como Keynes ou Marx, ou mesmo em autores da Direita, como Walras ou Hayek.

    Alguém que pensa que Celso Furtado é argentino.

    Alguém que pensa que veículos como a Rede Globo, a Veja, a Isto É, a Folha de São Paulo, entre outros, são imparciais.

    Alguém que faz da rede social uma espécie de religião.

    Dizer o quê? “Ideologia, eu quero uma pra viver?” Sei lá. Lula não pode ser ministro. Cunha pode presidir impeachment. Maluf pode julgar. Moro pode grampear advogados de defesa. Enquanto me restar um pingo de dignidade, eu vou continuar apostando todas as minhas fichas no maior tupiniquim da nossa História.”

    O Sr° concorda que Lula seja o maior de todos?

    Diego Araújo.

    1. Prezado Diego,
      pessoas públicas, assim como livros e/ou obras de arte, são julgadas mais corretamente pela História, i.é, pelas gerações futuras que não conviveram com elas. O distanciamento histórico, com a morte tanto de seus admiradores quanto de seus detratores, permitirá maior imparcialidade.

      Há vários exemplos disso, depois que pessoas públicas morrem, aí então tornam-se de imediato heróis quando seus feitos são recordados. Depois, quando a paixão da conjuntura é afastada, pesam-se melhor os prós e os contras.

      No caso do Lula, agora há uma campanha golpista de difamação contra ele. Isto porque ele é anunciado como candidato em 2018. Em todos os cenários de pesquisa eleitoral publicada hoje, ele estaria no segundo turno contra outro candidato qualquer. Eu disse isso em meados do ano passado: se Lula anunciasse que não seria candidato em 2018, a crise política se encerraria imediatamente!

      O que posso dizer que Lula foi um líder em momentos chaves da história política brasileira desde 1978-79 com as greves no ABC. Perdeu muitas eleições, ganhou duas, saiu do governo com 85% de aprovação. Sempre teve uma rejeição média em torno de 1/3. Hoje, com toda essa perseguição política sistemática orquestrada pela mídia, pré-julgadores do judiciário, MP e PF “autonomistas”, está com 57%.

      Analistas políticos dividem o eleitorado brasileiro de acordo com a regra dos 3 terços: 1/3 anti-Lula, 1/3 lulista, 1/3 indefinido ou alienado, que navega de acordo com a maré da opinião pública.

      Por isso, a defesa da democracia eleitoral é o fundamental. Só depois de um debate público com igualdade de oportunidade de comunicação se pode votar com maior consciência. E os votos vencedores têm de serem respeitados até nova eleição. Não podem ser negados de acordo com a volatilidade da opinião pública apurada por levianas pesquisas de opinião.

      Imagine se repetisse o episódio de Vargas: dadas as pressões contínuas, Lula suicidasse. A reação popular seria de fúria e tristeza por perdemos, injustamente, um de nossos maiores líderes surgidos na História brasileira. Por toda sua história pessoal, sem dúvida, é o mais autêntico representante do povo brasileiro entre todos eles.
      att.

    2. Prezado Diego,
      uma amiga comentou esse texto da seguinte forma:

      “Gostei do texto, mas eu diria que – revolucionários de fato – com inscrição na história, temos : Tiradentes (a independência), Mauá (a revolução burguesa), Getúlio (a construção da nação, o anti-imperialismo/soberania nacional, e os direitos sociais e trabalhistas), e Lula (direito à comida/vida, educação e inserção social). São etapas cruciais de nossa história.

      Talvez ajude ainda reflexões de Alain Badiou (Em busca do Real perdido), está em francês e traduzo:

      1.Sintoma de nossa sociedade é que o escândalo é em geral um escândalo de corrupção. O escândalo sinaliza o bode expiatório.

      2.Em sociedades que aceitam, quase consensualmente, que o lucro seja o único motor viável que faz funcionar a sociedade, a corrupção fica na “ordem do dia” de maneira quase inevitável. Este é o real do capitalismo globalizado, o escândalo coloca-se como a exceção da realidade. No fundo a lei deste mundo é a onipresença da corrupção

      3.Hoje o esporte é uma grande vitima do escândalo.

      4.Deve-se sempre ter presente. ONDE HÁ MUITO DINHEIRO HÁ CORRUPÇÃO. SEMPRE QUE ESTE CIRCULA LARGA E LIVREMENT, A FLUIDEZ DA CIRCULAÇÃO REQUER QUE ELE SEJA EXTRAVASADO AMPLA E LATERALMENTE.

      5. O capitalismo real tem um semblante que é também a sua máscara, a democracia. No capitalismo desenrola-se de forma permanente ou recorrente a peça – a democracia imaginária. Um rito, enquanto a peça dura o processo mundializado do capitalismo e da pilhagem imperial vai se desenrolando. A peça encenada induz a percepção de falsas divisões esquerda /direita (…)””

      Acho que ela contribui para o debate necessário sobre corrupção capitalista em âmbito mundial. Por que a corrupção na FIFA/CBF não mereceu a atenção devida por parte da TV Globo e da imprensa brasileira? Algum envolvimento?
      att.

  2. Prezado Fernando, interessante teus posicionamentos, que trazem à baila aquilo que não é divulgado, e que as massas não sabem, ou não procuram saber. Questiono movimentos de massas de manobra e manadas. Temos de ter cuidado, pois nossa democracia ainda é incipiente. Abraços no amigo.

    1. Prezado Alexandre,
      concordo contigo e discordo daqueles que acham que não há risco da volta de ditadura. Nos primeiros 100 anos de República (1889-1988), 40 anos foram de governos ditatoriais.

      Após governo do Marechal Deodoro, que implantou a República com um golpe de Estado, Floriano Peixoto acabou sendo conhecido como o “Marechal de Ferro”. Somente após 6 anos (1889-1894), em 1895, um civil — Prudente de Morais –, representante da oligarquia paulista, viria a assumir a República brasileira. Contam-se mais 15 anos de ditadura Vargas e 20 de ditadura militar.

      Então, a tradição política brasileira é autoritária e/ou elitista.

      Social-desenvolvimentismo, à semelhança da social-democracia europeia, na Suécia a partir da Grande Depressão dos anos 1930, representou uma aliança entre a casta dos trabalhadores (inclusive os “criativos” artistas), organizados em sindicatos e movimentos sociais, com a casta dos sábios (tecnocratas e intelectuais), com um frágil apoio da casta dos comerciantes-industriais-financistas, e isolamento da casta dos guerreiros e dos aristocratas (aqui ex-governantes tucanos e seus apoiadores “coxinhas”). Caracterizei o período 2003-2014 como o de um governo do que chamei de Capitalismo de Estado Neocorporativista.

      Está em andamento mais um golpe de Estado tupiniquim. Estamos vivendo um momento singular da história brasileira: as pessoas têm total liberdade de expressão e muitos usam-na, irresponsavelmente, para combatê-la!

      Assistimos corporações de diversos aparelhos do Estado — MP, PF, BCB, SRF, etc. — reivindicarem autonomia operacional e financeira. Estas corporações não querem ser submetidas a nenhum controle hierárquico — e serem pagas pela sociedade!

      E olha que eu, quando era jovem, defendia autogestão… Esta, sem controle social, vira apenas corporativismo voltado para si.

      Enfim, estamos de acordo. A jovem democracia brasileira passa por gravíssimo risco de ser golpeada.
      att.

  3. Eu moro duas quadras da Av. Paulista e … Apesar deste governo ser indefensável e não entender porque tanta revolta contra – uma vez que a presidenta adota a agenda preconizanada pelo Aécio Neves – FUI, pela legalidada dos resultado da urnas.
    Mas, a pergunta que me permeia é: o impeachmant do Collor, também foi GOLPE, professor Fernando?
    Abs.

    1. Prezado Décio,
      acho que sua pergunta é justa e necessita de uma avaliação histórica mais profunda.

      O ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) usou a tribuna do Senado no dia 28 de abril de 2014 para comemorar a última absolvição no processo a que respondia no STF (Supremo Tribunal Federal) por acusações à época em que era presidente, e questionar: “quem vai me devolver o que me foi tomado?”.

      Collor citou que o “padecimento” por 22 anos que acabaram na declaração de inocência pelos ministros. Collor foi absolvido pelo STF por falta de provas no processo em que era acusado de chefiar um esquema receber propina para facilitar licitações.

      Enfim, por esse julgamento, foi golpe sim. E pior, os parlamentares brasileiros ameaçam a repetir o erro histórico, instigados por seus interesses mesquinhos em nome de levianas pesquisas de opinião e do “clamor das ruas”. Desta vez, ambas mostram a sociedade brasileira dividida.

      Depois do golpe dado no Collor, ele não tinha base de apoio social (e política) para reagir. Agora, a história é diferente.
      att.

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