Cidades Chinesas Mutantes

Bolha Imobiliária na China

Cláudia Trevisan, em seu livro “Os chineses” (Coleção “Povos e Civilizações”, publicado pela Editora Contexto em 2013), informa que a rápida ascensão econômica levou a uma radical mudança no cenário urbano e na infraestrutura de transportes da China.

Shenzhen, no sul do país, tinha 310 mil habitantes em 1979 quando foi escolhida para ser a primeira Zona Econômica Especial autorizada a receber investimentos estrangeiros e a funcionar fora da economia planificada. Nas três décadas seguintes, teve o mais espetacular crescimento da China e passou a ser o endereço de 12 milhões de pessoas, um aumento populacional de 3.800%.

Mas a imagem que melhor representa a rapidez das transformações é a de Pudong, a Zona Econômica Especial criada em Xangai em 1990, que hoje tem escritórios de quase todas as empresas que frequentam a lista das maiores do mundo da Fortune 500.

Nenhum dos arranha-céus que formam o skyline de Pudong existia em 1990 e a área era basicamente rural, com algumas esparsas construções. O projeto do Partido Comunista era concluir em dez anos a construção do que é hoje a mais moderna região da China. O ritmo foi estabelecido pelo então líder supremo do partido, Deng Xiaoping: “um novo visual a cada ano e profundas mudanças a cada três anos”.

A área de 530 quilômetros quadrados se transformou no maior canteiro de obras do mundo. Em dez anos, foram investidos cerca de US$ 15 bilhões em infraestrutura, que incluíram um aeroporto internacional, linhas de metrô, portos, túneis, pontes, energia, sistema de aquecimento, ruas e o Maglev, o trem mais rápido do mundo, que anda a 430 km/h e é movido por impulsos eletromagnéticos, o que faz com que ele flutue nos trilhos.

Todos esses projetos e a maioria dos arranha-céus que compõem o skyline de Pudong estavam concluídos no ano 2000. Hoje a região tem 1,6 milhão de habitantes e é o centro financeiro e comercial da China. O sonho do governo de Pequim é que Pudong transforme a cidade de Xangai na grande referência econômica da Ásia, à frente de Tóquio e de Hong Kong.

Apesar de concentrado na próspera costa leste, o ritmo frenético de mudança ocorre em todo o país, na medida em que cidades se transformam e o governo investe bilhões de dólares na construção da infraestrutura necessária para sustentar o crescimento anual médio de 10,6% registrado desde 1978.

A partir dos anos 1990, a China construiu uma rede de autoestradas de 53,6 mil quilômetros, que é menor em extensão apenas à existente nos Estados Unidos (67 mil quilômetros). Só em 2008, o governo investiu US$ 50 bilhões em novas ferrovias, o equivalente a mais de dois terços dos US$ 72 bilhões gastos no setor nos cinco anos anteriores. Na avaliação do Banco Mundial, este é o maior programa de ferrovias da história mundial desde o século XIX, quando elas eram o principal meio de transporte.

As viagens aéreas são cada vez mais frequentes e a China vive um boom de construção de aeroportos. Entre 1990 e 2006 foram inaugurados 47. Outros 45 foram levantados até o fim de 2010 e mais 52 serão nesta década. Além disso, dezenas de aeroportos ao redor do país passam por reformas de expansão, enquanto o tráfego aéreo se multiplica em ritmo nunca antes visto na história mundial.

Em 1985, a China tinha 7 milhões de passageiros ao ano, número que equivale à metade da capacidade máxima de Congonhas, o mais movimentado aeroporto do Brasil. Até 1993, as pessoas só podiam comprar passagens aéreas depois de obter autorização de seus empregadores estatais. Com o crescimento econômico, o volume de passageiros explodiu e chegou a 185 milhões em 2007.

Seis meses antes da Olimpíada de 2008, Pequim inaugurou um imenso terminal internacional e já se preparava para construir um novo aeroporto na cidade. Projetado pelo arquiteto britânico Norman Foster, o Terminal 3 de Pequim é um dos maiores edifícios do mundo e sua área supera a soma de todos os terminais do aeroporto de Heathrow, em Londres. Sua fachada tem quase oitocentos metros de largura e seu comprimento chega a três quilômetros.

Voar com os chineses pode ser divertido ou extremamente irritante, dependendo de seu estado de espírito. Como em todas as situações em que estão em grupo, eles tendem a ser ruidosos nos aviões. Não é raro que levem comida a bordo e são absolutamente impacientes. Assim que o avião pousa, já se começa a ouvir o ruído de cintos de segurança sendo desafivelados. Antes que o avião pare, muitos se levantam para pegar a bagagem de mão e ligar seus celulares, para desespero das aeromoças, que gritam para que todos permaneçam sentados. A maioria obedece, mas a autora – que não estranharia tanto se viajasse na Ponte Aérea Rio-São Paulo – reclama que “já peguei voos em que passageiros desafiadores se recusaram a seguir a orientação”!

4 thoughts on “Cidades Chinesas Mutantes

  1. Professor, não me recordo se o senhor já comentou a respeito do documentário. Penso que vale uma mirada.
    “Obsessão Vermelha” (Red Obsession)
    Direção: David Roach e Warwick Ross
    Narração: Russell Crowe
    Nacionalidade: China, Reino Unido e Austrália.
    Gênero: Documentário
    Ano: 2012

      1. Professor, assisti a primeira vez pela HBO, versão legendada. Pelo torrent só encontrei a versão dublada..

      2. Grato, vou procurar. Aliás, ontem baixei Gui Lai [Coming Home], filme chinês de 2014 sobre a Revolução Maoista, mas só achei legenda sincronizada em espanhol. O chato é que há uma leitura simultânea do roteiro em inglês. Dica do melhor site para filmes em 1080p/3D: https://yts.ag/
        att.

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