Pós-II Guerra Mundial: Era dos Estados-Nações Árabes

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O livro “Uma História dos Povos Árabes”, de autoria de Albert Hourani (704 páginas), lançado em 21/08/2006 pela Companhia de Bolso, conta que a Segunda Guerra Mundial mudou a estrutura de poder no mundo.

Nas duas décadas seguintes, houve o fim do domínio britânico e francês nos países árabes devido a:

  1. a derrota da França,
  2. os ônus financeiros da guerra,
  3. a emergência dos Estados Unidos e da URSS como superpotências, e
  4. uma certa mudança no clima da opinião pública hostil à casta dos guerreiros e a favor da democracia e descolonização.

A crise do canal de Suez em 1956 e a guerra da Argélia de 1954 a 1962 assinalaram as grandes tentativas das duas potências de reafirmar sua posição colonizadora.

Em um lugar, a Palestina, a retirada britânica levou a uma derrota dos árabes quando o Estado de Israel foi criado. Em outras partes, os antigos governantes foram substituídos por regimes comprometidos de um ou outro modo com o aglomerado de ideias que se formou em torno do nacionalismo:

  1. desenvolvimento de recursos nacionais,
  2. educação popular e
  3. emancipação das mulheres.

Eles tiveram de exercer suas políticas dentro de sociedades em processo de rápida mudança:

  1. as populações cresciam rápido;
  2. cidades expandiam-se, em particular as capitais;
  3. sociedades estratificavam-se de modos diferentes; e
  4. os novos meios de comunicação — cinema, rádio, televisão e vídeo — tornaram possível um diferente tipo de mobilização.

A ideia dominante das décadas de 1950 e 1960 foi a do nacionalismo árabe, aspirando a:

  1. uma estreita união de países árabes,
  2. independência do jugo das superpotências e
  3. reformas sociais para uma maior igualdade.

Essa ideia foi encarnada por algum tempo na personalidade de Gamal ‘Abd al-Nasser, governante do Egito.

A derrota do Egito, Síria e Jordânia na guerra de 1967 com Israel, porém, deteve o avanço dessa ideia. Abriu um período de desunião e crescente dependência de uma ou outras das superpotências, com os Estados Unidos em ascensão.

Em outros níveis, os contatos entre os povos árabes tornavam-se mais estreitos: os meios de comunicação, tanto os antigos quanto os novos, transmitiam ideias e imagens de um país árabe para outro. Em alguns deles, a exploração de recursos petrolíferos possibilitou o rápido crescimento econômico, e isso atraiu migrantes de outros países.

Na década de 1980, uma combinação de fatores acrescentou uma terceira ideia às de nacionalismo e justiça social como uma força que poderia dar legitimidade a um regime, mas também podia animar movimentos de oposição a ele.

O que levou ao rápido crescimento de sentimentos e lealdades islâmicas foram:

  1. a necessidade das populações desenraizadas de encontrar uma base sólida para suas vidas,
  2. o senso do passado implícito na ideia de nacionalismo,
  3. uma aversão às novas ideias e costumes que vinham do mundo ocidental, e
  4. o exemplo da revolução iraniana de 1979.

A posição britânica no Oriente Médio parecia inabalada e sob certos aspectos fortalecida no fim da II Guerra Mundial. As campanhas no deserto tinham posto mais um país árabe, a Líbia, sob domínio britânico. Nas partes árabes do Oriente Médio, os Estados Unidos pareciam não ter desejo de substituir a Grã- Bretanha como principal potência, embora houvesse matizes de rivalidade por mercados e pelo controle da produção de petróleo.

O início da Guerra Fria, porém, levou a um maior envolvimento americano. Em 1947, os Estados Unidos assumiram responsabilidade pela defesa da Grécia e da Turquia contra quaisquer ameaças a elas. A implicação disso era que mais ao sul, nos países árabes, a Grã-Bretanha seria a principal responsável pela proteção de interesses políticos e estratégicos ocidentais na nova era de Guerra Fria.

Esse entendimento implícito iria durar mais ou menos dez anos. Durante a primeira parte desse período houve um esforço constante do governo trabalhista britânico a fim de restabelecer suas relações com os países árabes em novas bases.

A retirada inglesa da Índia, em 1947, pode ter parecido tornar menos importante que antes a continuação da Grã-Bretanha no Oriente Médio, mas essa não era a opinião do governo. Investimentos, petróleo, mercados, comunicações, os interesses estratégicos da aliança ocidental, e o senso de que o Oriente Médio e a África continuavam sendo as únicas partes do mundo onde a Grã-Bretanha podia tomar a iniciativa pareciam tornar mais importante a manutenção de sua posição, mas em uma nova base.

A linha geral da política britânica era de apoio à independência árabe e a um maior grau de unidade, preservando ao mesmo tempo interesses estratégicos essenciais por acordo amigável e também pela ajuda no desenvolvimento econômico e na aquisição de capacidades técnicas a um ponto em que os governos árabes pudessem assumir a responsabilidade por sua própria defesa. Essa política apoiava-se em duas suposições:

  1. que os governos árabes encarariam seus grandes interesses como idênticos aos da Grã-Bretanha e da aliança ocidental; e
  2. que os interesses britânicos e americanos coincidiriam de tal modo que a parte mais forte se disporia a deixar a defesa de seus interesses à mais fraca.

Nos dez anos seguintes, porém, as duas suposições mostraram-se inválidas.

Continua em próximo post.

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