Interações entre Componentes Regionais do Sistema Bancário Nacional

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Resumo:

Neste Texto para Discussão, depois de um breve levantamento das principais hipóteses dos autores pós-keynesianos que estudaram as perspectivas da concentração bancária regional no Brasil antes de 2003, lanço minha hipótese de análise. Em vez de pressupor que “as finanças vêm influenciando a organização do espaço geográfico brasileiro”, minha hipótese é que há retroalimentação: “a organização do espaço geoeconômico brasileiro influencia o crédito”.

Analiso a concentração regional por sedes e redes de agências dos bancos. Depois, apresento os principais traços do modus operandi dos bancos dominantes.

A reação resultante desse processo de realimentação por intermédio do qual uma ação é controlada pelo conhecimento do efeito de suas respostas caracteriza a tendência histórica de concentração bancária regional por captação de riqueza financeira e destino do crédito dirigido pela demanda no caso de bancos privados e por política pública no caso de bancos públicos.

Conclusão:

Apresentei fatos e dados em defesa da tese de que “a organização do espaço geoeconômico brasileiro influenciou o crédito, recentemente, e não ao contrário”. Analistas pós-keynesianos esperavam um processo cumulativo de realimentação da concentração econômica regional, devido à centralização financeira ocorrida entre 1995-2002 por causa de crise bancária, privatização de bancos estaduais, desnacionalização de bancos, e a reestruturação patrimonial dos bancos públicos federais, tendo como contrapartida eles adotarem uma ótica pró-mercado.

Argumentei que essa predição não ocorreu. A desigualdade regional em riqueza financeira pessoal e corporativa determinou a escolha das sedes dos bancos particulares. Porém, a busca de correção dessa desigualdade socioeconômica, entre outras políticas públicas, por meio de transferência de renda compensatória, elevação real do salário mínimo e investimentos em infraestrutura e logística, influenciaram o direcionamento do crédito dos bancos públicos federais após 2003.

Os maiores bancos privados, em termos de escala nacional, com oferta de recursos livres, isto é, não direcionados a priori, responderam à demanda efetiva por crédito. Esta cresceu na região periférica com a ampliação do mercado consumidor interno resultante de políticas públicas.

Em síntese, os pós-keynesianos, devido à teoria da preferência pela liquidez dos bancos, esperavam uma dependência de trajetória com retroalimentação que desigualaria ainda mais as rendas regionais. Porém, inovações como políticas públicas progressistas buscaram contrapor-se a essa trajetória de concentração de renda regional perversa socialmente.

Elas não conseguem determinar, de maneira irreversível, o fim do processo de desigualdade regional. Isto porque depende da manutenção da frágil democracia brasileira a continuidade das políticas sociais ativas que repercutem em ampliação do mercado interno, tanto de consumo, quanto de financiamento.

Para o provocar o debate, testei e falseei a hipótese pós-keynesiana de que sua teoria mono econômica sobre bancos é atemporal e onipresente, isto é, sempre válida em todos os lugares. Para a crítica ser construtiva, colocando uma análise alternativa em seu lugar, em nível de abstração menor, destaquei as características institucionalistas (origens do capital ou tipos de controle acionário) dos bancos como influentes em seus desempenhos.

Deduzi a ideia de que, no Brasil, nem todos os bancos são orientados por expectativas em relação ao mercado ou, nos termos fundamentalistas, por “preferência pela liquidez”. Mais da metade do mercado de crédito brasileiro tem sido orientado por políticas públicas contra as expectativas pessimistas.

Download do TDIE 265:

Interações entre componentes regionais do Sistema Bancário Nacional

AUTOR: Fernando Nogueira da Costa — 3/2016

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