Investidor Brasileiro: média de R$ 28,5 mil em Aplicações Financeiras

Saldo das Aplicações por Domicílio

Número de Investidores com Depósitos de PoupançaNúmero de Investidores sem Poupança

Queda nos Depósitos de PoupançaUm universo de 71,7 milhões de clientes e R$ 2,04 trilhões de saldo total possui, em média per capita, R$ 28,5 mil em aplicações financeiras, distribuídas por títulos e valores mobiliários de renda fixa (34%), fundos de investimento (31,6%), poupança (29,6%) e renda variável (4,8%). Os dados estão em relatório inédito que a ANBIMA lançou no dia 07/04/2016. A publicação permite uma visão integrada do segmento de distribuição. Porém, integrando investidores Private Banking e varejo com depositantes de poupança, através dessa média per capita esconde-se mais do que revela-se a imensa desigualdade de riqueza financeira.

Essas estatísticas abrangem os (71.738.234 – 9.557.985 =) 62.180.249 (48%) “poupadores” com saldo igual ou acima de R$ 100,00, cuja média per capita é R$ 9.707,00. Não inclui 67.415.660 (52%) dos 129.595.909 depositantes de poupança com saldo menor do que R$ 100,00. Logo, a caderneta de poupança não pode ser considerada um “investimento”, mas sim uma quase “conta corrente” onde não se paga tarifas bancárias.

Na verdade, são apenas 9.557.985 os investidores brasileiros, o mesmo número de pessoas pertencentes às castas com formação universitária, que investem nos demais produtos financeiros.

Os 52.050 grupos econômicos do Private Banking têm em média R$ 13.688.377,00. Estes 109.894 clientes resultantes da soma de CPFs e CNPJs dos “super-ricos” têm patrimônio financeiro médio per capita de R$ 6.483.339,00. Isto mesmo, cada um desses indivíduos de grupos familiares super-ricos tem, em média, cerca de seis e milhões e meio de reais em produtos financeiros, sem considerar os ativos imobiliários e automotores! E ainda tem “massa-de-manobra” da classe média estúpida que bate “panela-vazia” por eles…

O varejo responde por 68,1% destes recursos, com destaque para o segmento alta renda, que cresceu 13,4% em 2015, na comparação com o ano anterior. As estatísticas de poupança, que foram incorporadas pela primeira vez, indicam o peso desta modalidade de investimento no varejo tradicional (64,7%). No Private Banking, os fundos continuam respondendo pela maior parcela das aplicações, com 48,4% do segmento. No varejo alta renda, os títulos e valores mobiliários de renda fixa foram a principal destinação dos recursos, respondendo por 45,1% do total.

O varejo tradicional — média per capita de R$ 12.343,00 da classe média de baixa renda — possui como característica investimentos de baixa complexidade e por isso a poupança ainda se mantém na liderança. No varejo alta renda média per capita de R$ 112.971,00 –, os fundos de renda fixa e os títulos mobiliários, como CDB e os produtos isentos (LCI e LCA), estão na preferência do investidor de classe média de alta renda. Ambas as situações refletem um perfil de cliente mais conservador e avesso ao risco.

No Private Banking, os fundos continuam respondendo pela maior parcela das aplicações, com 48,4% do segmento, com destaque aos fundos multimercados, com R$ 176,5 bilhões, e aos fundos de renda fixa, com R$ 85,3 bilhões. Embora com uma participação menor nas carteiras, de 8,6%, os Fundos de Previdência têm registrado expansão contínua desde 2009 pela preocupação dos investidores com a questão sucessória. A ANBIMA, aparentemente, não considera esses Fundos de Previdência entre os investimentos do varejo. Eles têm importância para a classe média de alta renda que faz DIRPF com modelo completo.

O crescimento das aplicações em títulos e valores mobiliários de renda fixa está relacionado ao aumento dos investimentos em ativos isentos de imposto de renda, com lastros imobiliário e agrícola, em especial, as letras de crédito imobiliário (LCI) e as letras de crédito agrícola (LCA), emitidas por instituições financeiras. Para todos os segmentos de investidores considerados, o direcionamento de recursos para estes ativos foi crescente em 2015 e, somados, alcançaram R$ 387,3 bilhões, valor superado apenas pela poupança no período. Alterações regulatórias, efetuadas em meados do ano passado, no entanto, devem restringir a oferta de lastros das LCA e LCI, e, portanto, a maior emissão desses ativos.

A região Sudeste responde pela maior parte dos investimentos, com R$ 1,4 trilhão, correspondente a 68,3% de participação. O Sul possui R$ 326,7 bilhões e 16% de participação, seguido pelo Nordeste com R$ 190 bilhões e 9,3% de participação, o Centro Oeste com R$ 97 bilhões e 4,7% de participação, e o Norte, com R$ 33,7 bilhões e 1,6% de participação.

Luciana Seabra (Valor, 08/04/16) informa que os títulos isentos, que atraiu o investidor nos últimos anos, perdeu vigor no começo deste ano. A oferta de Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) está mais escassa e os prêmios encolheram. Todos os dias têm vencimentos que não se consegue renovar.

A Cetip ainda não tem dados para março de 2016, mas em janeiro e fevereiro as novas emissões de LCIs somaram R$ 26,81 bilhões, R$ 10 bilhões a menos do que no primeiro bimestre de 2015. E as de LCAs ficaram em R$ 10,42 bilhões, uma redução de R$ 6 bilhões em relação a um ano atrás. Na BM&F-Bovespa, que registra a maior parte das operações de agronegócio, o estoque de LCAs era de R$ 137,98 bilhões, R$ 423 milhões menor do que no último dia de 2015.

A desaceleração da atividade econômica e da concessão de crédito reduziu as operações que servem de base à emissão dos papéis e os próprios distribuidores se questionam se o lastro não chegou ao nível máximo. A consequência é uma redução nos prêmios (% de CDI), pressionados pela demanda crescente.

Além da menor demanda por recursos para financiar operações de crédito por parte dos bancos, a exigência regulatória mais forte sobre o lastro pesou para a redução na oferta. Em junho de 2015, o ex-ministro Joaquim Levy impôs prazo mínimo de 90 dias para os papéis e apertou as regras para que a captação com LCAs fosse usada apenas em operações de crédito rural.

Os títulos isentos de baixo risco, emitidos por grandes bancos, que até o fim do ano passado chegavam aos clientes de alto patrimônio com taxa de até 98% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), hoje pagam perto de 93%. Até o ano passado, remunerava-se as Letras sempre em percentuais acima de 90% do CDI. Hoje, o que era piso virou o teto de remuneração nas emissões de banco.

Também no varejo, os prêmios foram cortados em três a cinco pontos percentuais do CDI neste ano. Hoje, os papéis com vencimentos em seis meses pagam entre 89% e 95% do CDI.

A piora na remuneração está mais relacionada ao fraco desempenho do crédito que à falta de lastro. Os bancos já estão muito líquidos e, no crédito, além da falta de operações novas, empréstimos antigos estão sendo quitados sem que haja renovação, pressionando ainda mais a liquidez.

A redução nas taxas das Letras de Crédito visa induzir os clientes a optarem por fundos. O crédito está ainda mais parado do que esperava-se. Então, banco prefere baixar a remuneração das Letras para que o dinheiro vá para fundos. Nos fundos, o banco ganha com a taxa de administração, já que sem crédito, não há previsão de ganhar com intermediação financeira. Aposta-se, no entanto, que os fundos vão cair cada vez mais na predileção dos clientes que passaram a conhecer a extorsão dessas taxas de administração.

Os consultores financeiros também tentam convencer o investidor a olhar para os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Nesse caso, há a isenção, mas não a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), existente para LCIs e LCAs em aplicações de até R$ 250 mil por emissor. O prazo dos CRAs é maior, mas há um mercado secundário mais desenvolvido para vender os papéis, caso necessário, antes do vencimento.

Tem sido difícil convencer os clientes do private banking de comprar títulos com vencimento distante. Hoje, o cliente prefere abrir mão de rentabilidade do que de liquidez. Ele diz: “não vou sair, mas quero enxergar a porta aberta”.

O dinheiro que não encontra mais amparo em LCIs e LCAs tem ido para produtos conservadores, como títulos públicos e fundos de renda fixa.

Os títulos isentos desbancaram todas as formas de aplicações tradicionais para o público de alta renda nos últimos anos, segundo mostra o mapa dos investimentos no Brasil, divulgado pela Anbima (download acima).

As LCAs e LCIs detidas pelos clientes de varejo cresceram 37% somente em 2015, para R$ 226,38 bilhões. Com isso, chegaram perto dos fundos de renda fixa, que somam R$ 292,73 bilhões, e já ultrapassam o montante aplicado em ações, Tesouro Direto, Certificados de Depósito Bancário (CDB) e operações compromissadas somados.

Os títulos isentos estão concentrados nos portfólios dos clientes do varejo de alta renda, atendidos pelo bancos por meio de bandeiras como Prime, Personnalité, Van Gogh, Premier e Estilo, com corte de renda que varia de um banco para o outro, mas fica por volta de R$ 10 mil. Ao fim de 2015, 21,4% do patrimônio investido por esses clientes estavam em LCIs e LCAs. No primeiro nível do varejo, essa fatia era de 12,7%.

No private banking – com corte de patrimônio investido entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões -, a fatia em ativos com lastro agrícola e imobiliário chegou a 22,6% em 2015. Em 2012, essa participação era de 13,2%. A concentração destoa em meio à diversificação do portfólio, ficando atrás apenas dos 24,8% em multimercados. Para se ter uma ideia, os fundos de renda fixa e a renda variável somados são 23,2% da carteira.

Consolidado de Produtos Financeiros dez 2015

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s