Reestruturação da Caixa

Lucros dos bancos em 2015

Com o ajuste fiscal implementado pela política econômica levyana, em 2015, houve redução do nível de atividade da economia brasileira e consequente arrefecimento do ciclo do crédito. Apesar da expansão de operações de crédito da Caixa ter sido superior à do mercado, dados os desembolsos das contratações anteriores de crédito imobiliário, o menor aumento de receitas (RIF + RPS + RTB) foi consumido pelo aumento das despesas financeira, administrativa e operacional. Ela apresentou lucro líquido de R$ 7,2 bilhões, em 2015, mantendo-o praticamente estagnado em relação a 2014.

Edna Simão, Lucas Marchesini e Vinícius Pinheiro (Valor, 15/03/16) informam que a Caixa Econômica Federal colocou em marcha uma reestruturação para cortar gastos. Só na primeira leva, cerca de 600 gratificações de trabalhadores do Edifício-Sede, no Distrito Federal, foram extintas e a expectativa é que haja diminuição ainda maior nas Superintendências Regionais espalhadas por todo o país.

A notícia, dada na primeira quinzena de março de 2016, deixou um clima de apreensão entre os funcionários, pois as chamadas “funções” ajudam a melhorar os salários dos funcionários. Além disso, muitos dos trabalhadores terão que ser alocados em outros Estados.

A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa Econômica Federal (CEE/Caixa) se reuniu, na sede da Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa (Fenae), para planejar mobilização contra as medidas de reestruturação. Na avaliação da comissão, as mudanças estão sendo feitas sem diálogo e transparência.

Para o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, o objetivo de imediato foi suspender a reestruturação para que haja uma negociação. “Tudo foi feito em clima muito hostil”, frisou.

O Sindicato de Bancários de Brasília entregou com ação cautelar contra a Caixa. Afirma que a reestruturação impactará inúmeros empregados, sem que tenha havido qualquer negociação coletiva prévia com os sindicatos das bases que serão afetadas. Como parte dessa reestruturação, várias funções e unidades serão extintas e vários funcionários serão transferidos sumariamente para outras unidades e até outros estados, comprometendo a vida financeira e a unidade familiar desses empregados.

Acresce que, em razão da repercussão e da quantidade de empregados atingidos pela medida, esta deveria ter sido precedida de negociação coletiva, com a finalidade de o sindicato acompanhar todo o processo. Aponta, ainda, que a Caixa não presta informações consistentes sobre os critérios que dirigirão esse processo de reestruturação. Requereu e obteve a concessão de liminar para:

  1. sustar a reestruturação, a fim de possibilitar a negociação coletiva prévia;
  2. apresentação de todos os dados referentes à reestruturação, em especial a quantidade de funcionários que serão atingidos pela medida, em quais setores ocorrerão os descomissionamentos, quais unidades serão extintas etc;
  3. determinar a suspensão da reestruturação no que se refere aos descomissionamentos e transferências.

Segundo nota divulgada pela Caixa, a reestruturação tem como objetivo:

  1. tornar a matriz do banco federal mais estratégica,
  2. reforçar suas áreas de apoio operacional e
  3. dar melhores condições para que as agências realizem negócios e aprimorem o atendimento aos clientes.

“A Caixa está compatibilizando as necessidades da empresa com o perfil e experiência de seus empregados. As adequações em sua estrutura vão racionalizar processos, melhorar a gestão estratégica, operacional e negocial do banco”, informou a Caixa.

Em mensagem interna aos funcionários, o banco federal destacou que o ano de 2016 será difícil e desafiador. “Para enfrentá-lo, a Caixa precisa se tornar mais eficiente, mais rentável e fará isso cumprindo o planejamento previsto para o período de 2016-2018”.

Atualmente, a Caixa conta com 97,5 mil empregados concursados, além de 15 mil estagiários e aprendizes. Como visto, o banco divulgou registrou um lucro líquido de R$ 7,2 bilhões em 2015, um aumento de 0,9% em relação a 2014 – a menor variação entre os cinco grandes bancos de varejo. Só no quarto trimestre, o resultado da caixa recuou 64,7%, para R$ 636 milhões.

Enquanto tenta cortar custos, a Caixa recebeu uma advertência da agência de classificação de risco Moody’s. Em relatório irresponsável, onde é leviana a advertência de supostos riscos para inibir a retomada do crédito, a agência afirmou que as medidas anunciadas pela Caixa para estimular o crédito imobiliário aumentarão o risco de qualidade dos ativos do banco em um momento em que a inadimplência na carteira já vem aumentando.

O banco público tinha anunciado uma série de medidas para incentivar o crédito para a compra da casa própria, incluindo o aumento do limite de crédito para a aquisição de imóveis usados e a reabertura da linha de financiamento para a compra do segundo imóvel. Para a Moody’s, tal como para os golpistas, “quanto pior, melhor”… para o golpe!

A concessão de crédito imobiliário pela Caixa caiu 30% no ano passado, diante da menor demanda dos tomadores da classe média e da limitação de funding em recursos de poupança. Os recursos para os novos empréstimos virão de uma linha de R$ 16,2 bilhões recebida do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

A questão é que embora o financiamento habitacional e o consignado — linhas de menor inadimplência — componham a maior parte do portfólio da Caixa, a qualidade dos ativos do banco piorou em todos os segmentos de mercado ao longo do ano passado, segundo a Moody’s. A piora foi puxada pela maior inadimplência no crédito corporativo e nas linhas de crédito imobiliário e pessoal.

Como consequência, a inadimplência da Caixa subiu de 2,6% no fim de 2014 para 3,6% no ano passado, uma deterioração para um nível baixo, porém mais rápida do que qualquer outro grande banco, de acordo com a agência. “Pela primeira vez desde 2008, a inadimplência da Caixa superou a média do sistema financeiro, que encerrou dezembro em 3,4%, ante 2,9% no fim de 2014”, escreve a analista Ceres Lisboa no relatório.

As despesas com provisão contra calotes da Caixa aumentaram 49% no ano passado, acima da média de 30% dos principais concorrentes, segundo a Moody’s.

Pressionada por um aumento das despesas de captação e provisões contra calotes, a Caixa Econômica Federal registrou lucro de R$ 7,2 bilhões em 2015. O crescimento de 0,9% ante o resultado de 2014 foi o menor entre os maiores bancos brasileiros de varejo ano passado. O retorno sobre o patrimônio líquido médio da instituição foi de 11,4%, também o mais baixo dos grandes bancos em 2015.

Os sinais de deterioração ficaram mais evidentes no quarto trimestre, quando o banco registrou prejuízo operacional de R$ 303 milhões e uma queda de 64,7% no lucro líquido em relação ao mesmo período de 2014, para R$ 636 milhões. A carteira de crédito encerrou 2015 em R$ 679,5 bilhões, com avanço de 11,9%.

Único entre os grandes bancos a conseguir fazer seu portfólio de crédito crescer acima da inflação, a Caixa teve no ano um aumento de 30,5% nas receitas de crédito, somando R$ 88,6 bilhões. Os ganhos da tesouraria também cresceram expressivos 44,9%, para R$ 43,68 bilhões no ano. As duas linhas, porém, tiveram o desempenho corroído por:

  1. o salto nas despesas com provisão para calotes (PDD), que subiram 49,4% no ano para R$ 19,76 bilhões, e
  2. o avanço de 43% nas despesas de captação, na medida em que o banco se viu obrigado a depender menos dos recursos da poupança.

O banco vendeu R$ 13 bilhões em carteiras de créditos vencidos e deve manter essa política neste ano. Essa cessão de carteiras não ajudou a reduzir os índices de inadimplência do banco, pois o impacto foi baixo, porque a maior parte dos créditos negociados já havia sido baixado para prejuízo.

O índice de inadimplência da Caixa encerrou dezembro em 3,55%, com alta de 1 ponto percentual em relação ao fim de 2014. Os índices de atraso na carteira de crédito do banco se manterão em níveis historicamente altos. Parte do aumento das provisões contra calotes no ano passado se deveu a uma despesa prudencial de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões. Parte desse valor foi destinado a cobrir casos específicos, incluindo a Sete Brasil, fornecedora de sondas da Petrobras que está em dificuldades financeiras.

índice de cobertura — relação entre o saldo de PDD e os créditos vencidos há mais de 90 dias — caiu de 173,1% para 140,5%.

A Caixa projeta para este ano uma expansão de 7% a 11% na carteira de crédito, mantendo uma expansão acima da registrada pelos concorrentes por causa da linha de atuação do banco, que possui uma exposição maior em crédito imobiliário. O desembolso de contratações realizadas é feito com defasagem maior do que em outras modalidades de crédito.

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