Temer O Golpista

Temer Golpista

Bem disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão, a respeito da figura cínica e sinistra acima. Está claro que eventual governo de Michel Temer vai barrar a investigação das denúncias de corrupção: este é a base do acordo entre os parlamentares acusados do PMDB e do PP. “Muitos alimentam a ideia de que o combate à corrupção que vem sendo feito implacavelmente há de continuar, mas o combate à corrupção será interrompido, barrado. Isso é um dos motivos que eles escondem atrás do golpe”.

Falcão disse que o golpe é “comandado” pelo vice-presidente, que “além de conspirar, trai a própria companheira de chapa”! Esse quinta-coluna não reconhece que foi por causa dos votos dela que ele se tornou vice-presidente

“Ele também é comandado por alguém que é réu por vários crimes no Supremo Tribunal Federal”, em alusão ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

São cúmplices do golpe também parlamentares do PSDB, “que perdeu a eleição pela quarta vez, e agora tenta derrubar a presidente, através da força disfarçada em legitimidade parlamentar”.

Mas não se imagine que haverá estabilidade política. O PT e seus aliados democráticos não reconhecerão “qualquer governo no Brasil que nasça de golpes e não tenha a soberania do voto popular”.

“É um erro acharmos que teremos paz, quem não respeita o voto popular vai mergulhar o país no caos e na instabilidade“, advertiu Falcão.

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tabloide

Para entender a sociedade brasileira, é necessário tomar conhecimento da estratificação social da riqueza financeira, considerando as médias per capita de aplicações financeiras em Depósitos de Poupança, Fundos e Títulos e Valores Mobiliários em dezembro de 2015:

  • 67.415.660 depositantes de poupança com menos do que R$ 100,00;
  • 66.583.725 clientes do varejo tradicional: R$ 12.343,00;
  • 5.044.615 clientes do varejo de alta renda: R$ 112.971,00;
  • 109.894 clientes de Private Banking: R$ 6,483 milhões.

Desconsiderando os depositantes de poupança, eram apenas 9.557.985 investidores em dezembro de 2015: os 6.323.376 clientes do Varejo Tradicional (66%), 3.124.715 clientes de Varejo de Alta Renda (33%), e 109.894 clientes de alta fortuna (1% do Private Banking). Aliás, era um número próximo ao dos 9.601.162 profissionais com Ensino Superior Completo registrados no Censo Demográfico de 2010.

No fundo, o que está em jogo é a continuidade da desenfreada caça à riqueza da casta dos empresários-golpistas, que aprofunda  essa desigualdade social. Tudo mais que eles dizem é discurso “prá inglês ver” (ou “boi dormir”) e justificar o golpe parlamentarista na aliança eleita entre a casta dos trabalhadores-sindicalizados e a casta dos sábios-tecnocratas! A casta dos guerreiros, por ora, só observa o cenário, embora a PF (Polícia Federal) esteja ativa no processo do golpe em andamento, assim como estão os sábios-sacerdotes e os sábios-juristas. Os trabalhadores-criativos resistem, democraticamente, contra o golpe.

Os empresários industriais não apreciaram a tendência à queda da taxa média de juros (Selic-mercado) entre agosto de 2011 e dezembro de 2012. Quando a quebra de oferta de produtos agrícolas por seca virou motivo de ataque alarmista na mídia conservadora, devido ao terrorismo econômico realizado a partir do início do ano pré-eleitoral de 2013, houve súbita reversão da taxa de juros no mercado. A consequente marcação-a-mercado da renda fixa prefixada levou à perda de riqueza por parte de muitos desses investidores mais abastados. Para esse “povo” da FIESP, dor-no-bolso é maior do que dor-no-coração…🙂

Os empresários se voltam contra o governo quando acaba o dinheiro. Isso não é ideológico. Eles mudam mesmo de lado quando acabam as benesses. Simples assim. A Dilma assinou o seu destino quando quis reduzir os juros e o spread bancário. Foi ali que começou. A indústria já estava sofrendo, mas é quando ela mexe com os bancos que a campanha contra que a campanha contra ela começa”, avalia uma empresária (Valor Fim-de-Semana, 15/04/16).

Ela é contra o impeachment, embora considere que a situação do país chegou a tal desgaste que é preciso fazer algo e por isso defende novas eleições, antes que a recessão se aprofunde ainda mais. Na sua avaliação, Dilma é mais estatizante e menos maleável do que Lula, o que também contribuiu para que se formasse opinião negativa sobre a Presidenta de personalidade forte. Para a empresária, Dilma é boa técnica.

Segundo ironia de um economista que já teve trânsito no governo, tipo Delfim Neto, o kaiser do regime ditatorial militar, “o mal da Presidenta foi acreditar que o Datafolha era a voz de Deus”. Nos dois episódios em que Dilma interveio, forçando a queda dos juros e a queda da tarifa de energia, “ela se deixou levar pela visão de curto prazo da sociedade e adotou medidas populistas”. Ora, ora…

“Você pode baixar os juros quando as condições fiscais permitem”, lembra ele. Contraditoriamente, reconhece o governo ter feito um correto ajuste fiscal em 2011, quando se iniciou a “cruzada da Dilma” contra os juros altos.

No corte de juros, na desoneração fiscal da folha de pagamentos e na redução do custo da energia, a parte do setor produtivo não beneficiado diretamente, no lugar de aplaudir, criticou. Para uma parcela dos empresários-golpistas, “Dilma e sua equipe avançaram o sinal sobre regras básicas do capitalismo, dando um tom mais estatizante à condução da economia”. Porém, o salvamento anticíclico foi por eles mesmos solicitado…

Na primeira medida, claramente necessária, pois o Brasil tinha taxa de juros muito superior aos demais países, ela teria forçado uma redução na margem de lucro usando os bancos públicos como instrumento de pressão. Ora, ora…

Nas outra medida, ao forçar a diminuição das imensas taxas sobre energia elétrica, criticadas por eles mesmos , hoje eles dizem que “ela quebrou contratos, ao antecipar o vencimento de concessões já firmadas. Ali cresceu a ideia de que o governo Dilma não tinha respeito pelos contratos e regras”. Ora, ora…

O empresariado-golpista não teve nenhum pudor em conspirar contra a democracia brasileira, supostamente em troca da sobrevivência de seu negocinho. As lideranças desses antidemocratas já trabalham nas propostas neoliberais para entregar ao vice Michel Temer (PMDB), se ele realmente assumir a Presidência do país.

Representantes da indústria, da agricultura e do comércio querem emplacar medidas que vão contra o receituário social-desenvolvimentista adotado pela presidente Dilma Rousseff e aprovado nas quatro últimas eleições presidenciais. Querem implementar, assim como o fez o ex-ministro Joaquim Levy, o programa derrotado em 2014! Inclusive convidando “o economista-chefe da campanha do Aécio” — Armínio Fraga — para ministro da Fazenda! 

Entre outras propostas neoliberais, estão na agenda a temer:

  1. enterrar a ideia de recriar a CPMF – leia-se: os golpistas da FIESP não querem pagar nenhum tributo sobre seu “caixa-dois”;
  2. jamais aumentar impostos – leia-se: em teoria quem paga impostos progressivos são os ricos, na prática a tributação é regressiva e os lucros e dividendos são isentos;
  3. flexibilizar das leis trabalhistas – leia-se: cortar direitos dos trabalhadores; e
  4. deixar de controlar o retorno das empresas que vencerem leilões de concessões de serviços públicos – leia-se: liberar geral! Salve o livre-mercado para explorar serviços públicos sem travas!

A indústria quer que as negociações trabalhistas sejam feitas diretamente entre empresas e seus funcionários! Os empresários do agronegócio querem juntar o Ministério da Agricultura com o do Desenvolvimento Agrário, para acabar com essa tal de reforma agrária!

Em um cenário mais abrangente, querem medidas de austeridade fiscal, que eles identificam como uma das principais falhas do governo da presidente Dilma. Leia-se: cortar gastos sociais para os empresários-golpistas não terem de pagar impostos e o governo obter solvência para lhes continuar pagando os maiores juros do mundo!

Os empresários-golpistas pedem redução do número de ministérios e dos gastos públicos com funcionalismo, para desbaratar os sindicalismo de servidores públicos! Com pouca vergonha pedem “racionalização no uso dos recursos destinados a programas sociais”! E, de quebra, estímulo à economia, isto é, a eles próprios!

mafalda si ma vidaNa fase de conspiração para dar o golpe de Estado, a preocupação da equipe que rodeia Temer era evitar a vinculação direta com grandes empresários para não dar margem à interpretação de que seu governo trocaria a agenda social – marca do governo petista – pela do capital. Ora, ora…

Publicamente, Temer já disse que não cortará programas sociais, como o Bolsa Família, mas nos bastidores diz que vai revê-los. Ora, ora…

“Com um cenário político estável, acreditamos que haverá uma retomada rápida da economia”, disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp, que praticamente liderou o lockout, que foi a paralisação da economia realizada pelos patrões com o objetivo de exercer pressões sobre os trabalhadores, visando frustrar negociação coletiva, ou dificultar o atendimento de reivindicações por greves. Fizeram, em protesto contra o governo, um verdadeiro lockout, que é proibido conforme artigo 17 da Lei 7.783/89.

Este líder golpista da FIESP ainda pretende se candidatar a governador em 2018. Se os eleitores paulistas votarem nele, demonstrarão falta-de-vergonha!

“Temos de fazer um novo pacto social para reconstruir a economia”, dizem cinicamente, propondo isso à margem da eleição democrática. Ora, ora…

Depois do lockout empresarial e parlamentar, provocando subitamente a paralisia da economia e o desemprego — veja abaixo as reversões repentinas das curvas —, os golpistas querem ainda impor um pacto social a seu favor?!

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O QUE OS EMPRESÁRIOS GOLPISTAS CONSPIRAM COM TEMER EM TROCA DE UM GOLPE NA DEMOCRACIA:

Empresários-golpistas da Agricultura:

– Garantia de crédito para produção com taxas mais baixas

– Liberação de pelo menos R$ 750 milhões em recursos para o seguro agrícola

– Flexibilização da legislação trabalhista

– Fim de loteamento político na pasta J

Empresários-golpistas da Indústria:

– Evitar a valorização excessiva do real (queda do dólar que rebaixa a inflação)

– Aumento da terceirização

– Negociações trabalhistas serem feitas diretamente entre empresas e seus funcionários

– Enterrar a CPMF e qualquer outra medida que aumente impostos

Empresários-golpistas dos Transportes:

– Acelerar programa de concessões, começando pelas rodovias

– Revisão do modelo de privatização, acabando com o controle das taxas de retorno, e permitindo sistemas mistos de investimento público e privado no caso das ferrovias

Mafalda-e-a-democracia

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