Declaração de Voto Boçal: Vergonha para o País

bocalnaroO que eu tenho a ver com isso?

“Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais democratas, eu calei, porque, afinal, eu não era social democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles levaram a mim, não havia mais quem protestasse” (Martin Niemöller).

Boçal é “aquele que é falto de cultura; ignorante, rude, tosco. Por extensão é aquele que é desprovido de inteligência, sensibilidade, sentimentos humanos; besta, estúpido, tapado”. No passado, “esse adjetivo pejorativo foi lançado contra o escravo negro recém-chegado da África, que ainda não falava o português”.

A etimologia da palavra vem do espanhol bozal, como adjetivo referindo-se ao ‘que ainda tem bozo (‘açaimo de boca’), ‘inexperto, bobo’ (1495); como substantivo ‘açaimo de cães; focinheira etc.’ (1570). É uma palavra derivada do substantivo espanhol bozo (‘parte do rosto próxima da boca’) do século XIII.

Segundo Nelson de Sá (FSP, 19/04/16), na mídia televisa brasileira, apenas no “Jornal da Band”, Ricardo Boechat (veja o link) se manifestou e se viu isolado no questionamento ao deputado Boçalnaro por “dedicar o seu voto à memória de um notório torturador. Torturadores não têm ideologia. Torturadores não têm lado. Torturadores são apenas torturadores. É o tipo humano no nível mais baixo que a natureza pode conceber. São covardes, são assassinos e não mereceriam em momento algum serem citados como exemplo.”

A OAB anuncia que vai pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) a cassação do mandato de Bolsonaro. De acordo com tratados internacionais, a tortura é crime contra a humanidade.

Em nota, “a OAB repudia de forma veemente as declarações do deputado, em clara apologia a um crime ao enaltecer a figura de um notório torturador, quando da votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente República Dilma Rousseff. Não é aceitável que figuras públicas, no exercício de um poder delegado pelo povo, se utilizem da imunidade parlamentar para fazer esse tipo de manifestação num claro desrespeito aos Direitos Humanos e ao Estado Democrático de Direito“.

No exterior, o inglês “Guardian“, que já havia dedicado longo perfil ao fenômeno fascista brasileiro, Jair Bolsonaro, noticiou que o impeachment foi aprovado por um Congresso “hostil e manchado pela corrupção”.

“Numa noite sombria, pode-se dizer que o ponto mais baixo foi quando Jair Bolsonaro, o deputado de extrema direita do Rio de Janeiro, dedicou seu voto ‘sim’ a Carlos Brilhante Ustra, o coronel que chefiou a unidade de tortura do DOI-Codi durante a era ditatorial. Rousseff, ex-guerrilheira, estava entre os torturados”, informou o jornal.

Na Alemanha, como relatado pela “Deutsche Welle“, o site da revista “Der Spiegel” publicou a análise “A insurreição dos hipócritas”, dizendo que o Congresso mostrou sua “verdadeira cara” e colocou o “avariado navio Brasil” numa “robusta rota de direita”.

“A maior parte dos deputados evocou Deus e a família na hora de dar o seu voto. Jair Bolsonaro até mesmo defendeu, com palavras ardentes, um dos piores torturadores da ditadura militar.”

E começaram a sair os editoriais. O francês “Le Monde”, citando os processos contra Michel Temer, as contas suíças de Eduardo Cunha e o fato de Lula manter forte apoio popular, vê o Brasil pós impeachment “à beira da ruptura”.

O “Guardian” vê o impeachment com pessimismo, dizendo que, se a intenção da Lava Jato era “purificar a política brasileira, o resultado paradoxal é o oposto. A presidente não foi implicada, mas quase todos que a impediram são suspeitos de corrupção, inclusive Eduardo Cunha”.

E “agora muitos temem que a campanha contra a corrupção vai desvanecer, exceto por uma concentração final de fogo em Lula“. Finalizando, “uma oposição desacreditada vai tomar o lugar de um PT desacreditado. É difícil imaginar um cenário mais sombrio para o Brasil”.

o “New York Times” lembrou que a acusação usada para embasar o impeachment “pareceu uma desculpa arranjada conforme os deputados citavam uma ladainha de queixas antes de aprová-lo sonoramente”. E acrescentou:

“O caso contra Ms. Rousseff é sobre muito mais do que tomar liberdades para equilibrar o orçamento, o que outros governantes no Brasil fizeram sem atrair maior escrutínio. Na essência, é um referendo sobre o Partido dos Trabalhadores, que está no poder desde 2003”.

 Por aqui, os boçais e as hienas sorriem
Singularidades da Hiena

2 thoughts on “Declaração de Voto Boçal: Vergonha para o País

  1. Prezado Fernando, respeitosamente gostaria de saber mais sobre algumas questões que tenho lido e ouvido a respeito das ditas ‘pedaladas’ fiscais. Acredito que ninguém melhor que você, que leio assiduamente, para responder de forma imparcial: Não foi no governo Dilma que essa prática tornou-se abusiva em termos de vulto? Chegaram mesmo a 60 bilhões devido aos subsídios dados a programas sociais? Em outros governos isso também aconteceu?
    Também gostaria de saber a respeito dos crimes de tortura. Não sou a favor da tortura e desconheço os motivos do uso de tais práticas na época da ditadura. Esse instrumento não acaba sendo utilizado pelos seres humanos em todas as guerras a partir de determinado nível de confronto? Daí por diante usam-se dos mais variados motivos para tal prática, desde conseguir informações importantes para definir estratégias até mesmo por puro sadismo. Como isso se deu no Brasil?

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