23 coisas que não nos contaram sobre o Capitalismo

23 coisas que não nos contaram sobre o capitalismo

Já postei uma apresentação Ha-Joo Chang, autor coreano do ótimo livro “23 coisas que não nos contaram sobre o capitalismo” (São Paulo : Cultrix, 2013). Ele é professor na universidade de Cambridge e autor de best-sellers nesta área de conhecimento. O economista heterodoxo é autor do livro “Chutando a Escada”. Nele, comenta que os países de capitalismo retardatário (EUA, Alemanha, Japão) criticam hoje a adoção de política industrial e protecionista por parte dos países de capitalismo tardio (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, etc.), incoerentemente, quando eles a utilizaram no Século XIX para superar o capitalismo originário da Inglaterra.

Ele é critico do livre mercado. Tem uma capacidade extraordinária de síntese. Vou compartilhar algumas de suas ideias heterodoxas em uma série de posts.

Nesse livro, ele critica as ideias neoliberais em vogas. Por exemplo, no capítulo 13, faz uma avaliação crítica da ideia de que “tornar as pessoas ricas mais ricas não faz com que todo mundo fique rico”.

O que os neoliberais dizem é que “temos que criar a riqueza antes que possamos compartilhá-la. Quer isso nos agrade ou não, são os ricos que vão investir e criar empregos. Os ricos são imprescindíveis tanto para reconhecer as oportunidades de mercado quanto para explorá-las. Em muitos países, a política da inveja e as estratégias populistas do passado colocaram restrições na criação da riqueza aplicando elevados tributos aos ricos. Isso precisa ter um fim. Esta afirmação pode parecer cruel, mas as pessoas pobres só podem ficar mais ricas com o tempo se tornarmos os ricos ainda mais ricos. Quando damos aos ricos uma fatia maior da torta, as fatias dos outros podem se tornar menores a curto prazo, mas os pobres receberão fatias maiores em termos absolutos a longo prazo, porque a torta ficará maior”.

O que os neoliberais não dizem é que essa ideia, conhecida como “economia trickle-down”, tropeça no seu primeiro obstáculo. Apesar da dicotomia usual de “política pró-ricos que estimula o crescimento” e “política pró-pobres que reduz o crescimento”, as políticas pró-ricos têm deixado de acelerar o crescimento nas últimas três décadas. Portanto, o primeiro passo deste argumento — ou seja, a ideia de que dar um pedaço maior da torta para os ricos tornará a torta maior — não se sustenta. A segunda parte do argumento — a opinião que uma maior riqueza criada no topo com o tempo gotejará e cairá sobre os pobres — tampouco funciona. O efeito trickle-down acontece, mas em geral o seu impacto é muito pequeno se o deixarmos entregue ao mercado. Continue reading “23 coisas que não nos contaram sobre o Capitalismo”