Antes Tarde que Nunca… Ou Libertas Quae Sera Tamen!

Cunha presidente

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki determinou nesta quinta-feira (5/5/16) o afastamento do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do mandato de deputado federal. Mesmo sendo afastado, Cunha permanece deputado, mas não pode exercer as atividades de parlamentar, deixando, portanto, a Presidência da Casa. Ele continua com a prerrogativa de foro privilegiado, sendo investigado pelo STF.

Relator da Lava Jato, o ministro concedeu uma liminar (decisão provisória) em um pedido de afastamento feito pela Procuradoria-Geral da República, em dezembro. O ministro afirma que “Cunha não tem condições de exercer a Presidência da Câmara diante dos indícios de que pode atrapalhar as investigações contra ele por suposto envolvimento na Lava Jato e também de que sua manutenção fere a imagem da Casa”.

Leia íntegra do documento

A decisão de Teori pelo afastamento foi avaliada como tardia pela equipe da Presidenta Dilma Rousseff e pelo comando nacional do PT.

Minha avaliação é a de que, já que Cunha comandou todo o processo de impeachment da Presidenta, está caracterizada a ilegitimidade do processo e comprovado que foi um Golpe de Estado!

Para auxiliares e assessores da petista, a Suprema Corte demorou para analisar a saída do peemedebista diante das denúncias contra ele, o que, na avaliação do Palácio do Planalto, influenciou na aprovação do processo de impeachment da presidente. A decisão poderia ter sido tomada antes e demonstra que Cunha não poderia ter conduzido o processo contra Dilma.

Não há o que temer, logo chegará a hora de Temer ser impichado! Que se vayan todos!

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O que os neoliberais dizem e o que não dizem

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Ha-Joon Chang, no livro “23 Coisas que não nos Contaram sobre o Capitalismo”, afirma que “os executivos americanos são caros demais”.

O que os neoliberais dizem é que algumas pessoas são muito mais bem pagas do que outras. Especialmente nos Estados Unidos, as empresas pagam aos seus alto-executivos quantias que algumas pessoas consideram obscenas. No entanto, isso é exigido pelas forças do mercado. Considerando-se que o acervo de talentos é limitado, simplesmente temos que pagar grandes quantias para atrair os melhores talentos. A partir do ponto de vista de uma corporação gigante com um volume de negócios de bilhões de dólares, decididamente vale a pena pagar milhões de dólares adicionais, ou até mesmo dezenas de milhões de dólares, para conseguir os melhores talentos, já que a capacidade dessas pessoas de tomar melhores decisões do que os seus equivalentes em empresas concorrentes poderá gerar uma receita adicional de centenas de milhões de dólares. Por mais injustos que esses níveis de remuneração possam parecer, não devemos nos envolver em atos de inveja e despeito, e tentar reprimi-los artificialmente. Essas tentativas seriam simplesmente contraproducentes.

O que os neoliberais não dizem é que os executivos americanos são excessivamente caros em mais de um sentido. Primeiro, eles são caros demais em comparação com os seus antecessores. Em termos relativos (ou seja, como uma proporção da remuneração do trabalhador médio), os CEOs americanos de hoje recebem cerca de dez vezes mais do que os seus predecessores da década de 1960, apesar do fato de estes últimos administrarem empresas que eram muito mais bem-sucedidas, em termos relativos, do que as empresas americanas de hoje. Os executivos americanos também são caros demais em comparação com os seus equivalentes em outros países ricos. Em termos absolutos, eles recebem, dependendo do critério que utilizarmos e do país com o qual fizermos a comparação, até vinte vezes mais do que os seus concorrentes que administram empresas igualmente grandes e bem-sucedidas. Os dirigentes americanos não apenas são caros demais como também são excessivamente protegidos no sentido que não são punidos pelo mau desempenho. E tudo isso não é, ao contrário do que muitas pessoas argumentam, puramente determinado pelas forças do mercado. A classe empresarial nos Estados Unidos obteve um tal poder econômico, político e ideológico, que tem sido capaz de manipular as forças que determinam a sua remuneração. Continue reading “O que os neoliberais dizem e o que não dizem”