Instrução não importa tanto no aumento da produtividade de uma economia

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Ha-Joon Chang, no livro “23 Coisas que não nos Contaram sobre o Capitalismo”, afirma que “mais instrução por si só não tornará um país mais rico”.

O que os neoliberais dizem é que uma força de trabalho instruída é absolutamente necessária para o desenvolvimento econômico. A melhor prova disso é o contraste entre o sucesso econômico dos países do Leste Asiático, com o seu famoso desempenho na área da instrução superior, e a estagnação econômica dos países da África subsaariana, que têm um dos registros educacionais mais baixos do mundo. Além disso, com o aumento da chamada “economia do conhecimento”, na qual o conhecimento se tornou a principal fonte de riqueza, a instrução, especialmente a instrução superior, tornou-se a chave para a prosperidade.

O que os neoliberais não dizem é que existem pouquíssimas evidências que demonstrem que um povo mais instruído acarrete uma maior prosperidade nacional. Grande parte do conhecimento adquirido na escola na realidade não é relevante para o aumento da produtividade, embora isso possibilite que as pessoas tenham uma vida mais gratificante e independente. Além disso, a concepção de que o surgimento da economia do conhecimento tenha aumentado decisivamente a importância da instrução é enganosa. Para começar, a ideia da economia do conhecimento em si é problemática, já que o conhecimento sempre foi a principal fonte de riqueza. Além disso, com a crescente desindustrialização e mecanização, as exigências de conhecimento talvez tenham até mesmo diminuído na maioria das ocupações nos países ricos. Mesmo quando se trata da instrução superior, que se presume seja mais importante na economia do conhecimento, não existe um relacionamento simples entre ela e o crescimento econômico. O que realmente importa na determinação da prosperidade nacional não é o nível de instrução das pessoas e sim a capacidade da nação de organizar pessoas em empreendimentos com uma elevada produtividade.

Educação, educação, educação” — foi como o ex-Primeiro-Ministro britânico Tony Blair resumiu quais seriam as suas três principais políticas de governo durante a campanha das eleições de 1997, a qual levou o seu “Novo” Partido Trabalhista ao poder depois de quase duas décadas afastado.

O subsequente sucesso ou não da política educacional do Novo Partido Trabalhista pode ser questionado, mas o que é indiscutível é que o comentário captou com perfeição a excepcional capacidade do Sr. Blair de dizer a coisa certa no momento certo (ou seja, antes de ele perder a cabeça por causa do Iraque). Muitos políticos antes do Sr. Blair tinham falado a respeito da escolaridade e a defendido com insistência, mas ele estava falando em uma ocasião na qual, depois de presenciar o surgimento da economia do conhecimento a partir da década de 1980, o mundo inteiro estava ficando convencido de que a instrução era a chave para a prosperidade econômica. Se a instrução fora importante para o sucesso econômico nos dias das indústrias das chaminés, um número cada vez maior de pessoas estava ficando convencido de que ela seria tudo na era da informação, quando a principal fonte de riqueza são os cérebros, não os músculos.

O argumento parece óbvio. A maioria das pessoas instruídas parecem mais produtivas, como é evidenciado pelos salários mais elevados que recebem. Portanto, é uma questão de lógica matemática que uma economia “com um maior número de pessoas instruídas será mais produtiva. O fato de os países mais pobres terem um menor suprimento de pessoas instruídas — ou “capital humano” no jargão de alguns economistas — também prova o argumento.

A duração típica da vida escolar gira em torno de nove anos nos países da OCDE, ao passo que não chega a três nos países da África subsaariana. Também bastante conhecido é o desempenho escolar excepcionalmente elevado das economias “milagrosas” do Leste Asiático, como o Japão, a Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Cingapura. O desempenho escolar desses países se manifesta não de um modo quantitativo, mas também nas elevadas taxas de alfabetização ou de matrícula em vários níveis de instrução. A qualidade da instrução também é muito alta. Esses países estão classificados nos primeiros lugares nos testes estandardizados como o Trends in International Mathematics and Science Study (TIMSS) ou Tendências no Estudo Internacional de Matemática e Ciências, para alunos da quarta e da oitava séries, e o Program for International Student Assessment (PISA) ou Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, que avalia a capacidade de jovens com 15 anos de idade de aplicar o conhecimento de matemática a problemas do mundo real.

“Por mais que a importância da instrução no aumento da produtividade de uma economia possa parecer dispensar explicações, existem na verdade muitos indícios que questionam essa sabedoria convencional”, afirma Ha-Joon Chang, no livro “23 Coisas que não nos Contaram sobre o Capitalismo”.

Por que existem tão poucas evidências que respaldem o que parece ser uma proposição tão óbvia, ou seja, que um povo mais instruído deve tornar o país mais rico? Simplificando, é porque a instrução não é um elemento tão importante no aumento da produtividade de uma economia.

Para começar, nem toda instrução ao menos se propõe aumentar a produtividade. Muitas disciplinas não causam nenhum impacto, nem mesmo indiretamente, na produtividade da maioria dos trabalhadores: literatura, história, filosofia e música, por exemplo. A partir de um ponto de vista rigorosamente econômico, o ensino dessas matérias é uma perda de tempo. Nós as ensinamos aos nossos filhos por acreditar que com o tempo elas enriquecerão a vida deles e também os tornarão bons cidadãos.

Embora essa justificativa para o dispêndio educacional esteja cada vez mais sendo atacada em uma época na qual se espera que tudo justifique a sua existência a partir da perspectiva da sua contribuição para o crescimento da produtividade, ela continua a ser uma razão muito importante — na minha opinião, a mais importante — para investir na instrução.

Além disso, nem mesmo disciplinas como a matemática ou ciências, que são supostamente importantes para o aumento da produtividade, são relevantes para a maioria dos trabalhadores — os banqueiros de investimento não precisam de biologia e nem os figurinistas de matemática para ser competentes no que fazem.

Até mesmo para as ocupações nas quais essas matérias são relevantes, grande parte do que aprendemos na escola ou até mesmo na universidade com frequência não é diretamente relevante para o trabalho prático. Por exemplo, o elo entre a física que um operário da linha de produção de uma fábrica de automóveis aprendeu na escola e a sua produtividade é bastante tênue.

A importância do aprendizado e do treinamento no trabalho em muitas profissões é uma prova da relevância limitada da educação escolar para a produtividade dos trabalhadores. Desse modo, até mesmo as partes da instrução supostamente voltadas para a produtividade não são tão relevantes para o aumento da produtividade quanto imaginamos.

Análises estatísticas realizadas em vários países não conseguiram encontrar nenhuma relação entre a pontuação em matemática dos alunos do país com o desempenho econômico dele.

Mesmo que o impacto da instrução no crescimento tenha sido pequeno até agora, você talvez esteja se perguntando se o recente surgimento da economia do conhecimento talvez não tenha mudado tudo isso. Pode ser argumentado que, com as ideias se tornando a principal fonte de riqueza, a instrução a partir de agora se tornará muito mais importante na determinação da prosperidade de um país.

Contrariando essa hipótese, devo, em primeiro lugar, salientar que a economia do conhecimento não é nenhuma novidade. Sempre vivemos em uma economia assim, no sentido de que sempre foi o domínio do país sobre o conhecimento (ou a falta dele) que o tornou rico (ou pobre). A China foi o país mais rico do mundo durante o primeiro milênio porque ela possuía um conhecimento técnico que os outros não tinham, com o papel, os tipos móveis, a pólvora e a bússola sendo os exemplos mais famosos, mas de modo algum os únicos. A Grã-Bretanha tornou-se o poder hegemônico do mundo no século XIX somente porque passou a liderar o mundo na área das inovações tecnológicas. Quando a Alemanha ficou tão pobre quanto o Peru e o México logo depois da Segunda Guerra Mundial “, não passou pela cabeça de ninguém sugerir que ela fosse reclassificada como um país em desenvolvimento, porque as pessoas sabiam que ela ainda tinha o domínio do conhecimento tecnológico, organizacional e institucional que a tornara uma das maiores potências industriais antes da guerra. Nesse sentido, a importância (ou não) da instrução não mudou no período mais recente.

É claro que o acervo de conhecimento que a humanidade controla hoje coletivamente é muito maior do que no passado, mas isso não quer dizer que todo mundo, ou mesmo a maioria das pessoas, tenha que ser mais instruída do que no passado. Na verdade, a quantidade de conhecimento relacionado com a produção que um trabalhador típico precisa ter diminuiu no caso de muitas ocupações, especialmente nos países ricos. Isso pode soar absurdo, mas Chang explica.

Para começar, tendo em vista o contínuo aumento da produtividade da fabricação, uma maioria da força de trabalho nos países ricos agora trabalha em ocupações do setor de serviços com baixas qualificações, repondo mercadorias nas prateleiras dos supermercados, fritando hambúrgueres em restaurantes fast-food e fazendo faxina em escritórios. À medida que a proporção de pessoas nessas profissões for aumentando, poderemos lidar com uma força de “trabalho cada vez menos instruída, se só estivermos interessados nos efeitos da instrução sobre a produtividade.

Além disso, com o desenvolvimento econômico, uma proporção maior do conhecimento é incorporada às máquinas. Isso significa que a produtividade na economia como um todo aumenta apesar de os trabalhadores entenderem individualmente menos o que estão fazendo do que os seus equivalentes no passado.

O exemplo mais impressionante é o fato de que a maioria dos balconistas nos países ricos nem mesmo precisa saber somar — habilidade de que outrora os seus equivalentes decididamente precisavam — já que as máquinas de leitura do código de barras fazem isso para eles hoje em dia. Outro exemplo é que os ferreiros nos países pobres provavelmente sabem mais a respeito da natureza dos metais no que diz respeito à fabricação de ferramentas do que a maioria dos funcionários da Bosch ou da Black & Decker. Um terceiro exemplo é o fato de que as pessoas que trabalham nas pequenas lojas de eletrônica espalhadas pelas ruas dos países pobres conseguem consertar muito mais coisas do que os funcionários individuais da Samsung ou da Sony.

Grande parte disso se deve ao simples fato que a mecanização é a maneira mais importante de aumentar a produtividade. No entanto, uma influente escola de pensamento marxista argumenta que os capitalistas deliberadamente “reduzem a qualificação” dos seus funcionários usando as tecnologias de produção mais mecanizadas possíveis, mesmo que não sejam as mais econômicas, a fim de tornar os trabalhadores mais facilmente substituíveis e, portanto, mais fáceis de controlar. Independentemente da causa exata do processo de mecanização, a consequência é que as economias mais desenvolvidas tecnologicamente podem na realidade precisar de um número menor de pessoas instruídas.

Se não apenas a instrução básica como também a superior não é muito importante na determinação da prosperidade de uma nação, precisamos seriamente repensar o papel da escola na nossa economia.

No caso dos países ricos, a sua obsessão pela instrução superior precisa ser restringida. Essa obsessão conduziu a uma perniciosa inflação de grau e ao consequente investimento excessivo em grande escala na área da instrução superior em muitos países. Não sou contra o fato de que os países tenham uma incidência de matrícula universitária muito elevada — ou até mesmo de 100% — por outras razões, mas eles não devem se iludir achando que isso terá um efeito significativo na produtividade.

No caso dos países em desenvolvimento, uma mudança de perspectiva ainda mais radical se faz necessária. Embora eles devam expandir a escolaridade para preparar os seus jovens para uma vida mais significativa, quando se trata da questão do aumento da produtividade, esses países precisam olhar além da instrução das pessoas e se dedicar mais a construir as instituições e organizações certas para o aumento da produtividade.

O que realmente distingue os países ricos dos mais pobres é bem menos o quanto os seus cidadãos são individualmente instruídos e bem mais a maneira como os seus cidadãos estão bem organizados em entidades coletivas com uma elevada produtividade — sejam as empresas gigantes como a Boeing ou a Volkswagen, ou as empresas menores de nível internacional da Suíça e da Itália.

O desenvolvimento dessas empresas precisa ser amparado por uma gama de instituições que estimulem o investimento e os riscos:

  1. um regime de comércio que proteja as empresas nas “indústrias que estão na infância”,
  2. um sistema financeiro que forneça um “capital paciente” necessário para investimentos a longo prazo que aumentem a produtividade,
  3. instituições que deem uma segunda chance tanto para os capitalistas (uma boa lei de falência) e para os trabalhadores (um bom estado do bem-estar social),
  4. subsídios públicos e uma regulamentação relacionada com a P&D e o treinamento, e assim por diante.

A instrução é valiosa, mas o seu principal valor não reside em aumentar a produtividade e sim na sua capacidade de nos ajudar a desenvolver o nosso potencial e viver uma vida mais gratificante e independente. Se expandirmos a instrução por acreditar que isso tornará a nossa economia mais rica, ficaremos seriamente desapontados, porque o vínculo entre a instrução e a produtividade nacional é bastante tênue e complicado.

O nosso excessivo entusiasmo pela instrução deve ser restringido e, especialmente nos países em desenvolvimento, uma atenção muito maior precisa ser prestada à questão de estabelecer e aprimorar os empreendimentos produtivos e as instituições que os amparam.

3 thoughts on “Instrução não importa tanto no aumento da produtividade de uma economia

  1. Prezado Fernando,

    considero a instrução importante para formar cidadãos consciência, preparados e atualizados para exercerem as atividades produtivas. Mas, a instrução precisa estar alinhada com a atualidade e com as inovações tecnológicas. Um exemplo típico: o fim das lâmpadas incandescentes que dominaram a economia desde a época de sua invenção por Thomas Edison. Hoje não são mais fabricadas e até mesmo as lâmpadas alógenas e a gás ou as fluorescentes estão cedendo lugar para as lâmpadas Leds.

    Outro item que está desaparecendo aos poucos são os computadores: PCs de mesa, notebooks, ultra books, etc. Quem diria que seriam substituídos por tablets e smartphones em curto espaço de tempo.

    A própria indústria automobilística já sabe que os veículos com motores a combustão também estão em rápida decadência. Prova disso são as gigantes da tecnologia Google, Apple, Tesla Motors, estarem investindo pesado em carros elétricos autônomos. Até 2030 50% da frota mundial poderá ser substituída por carros elétricos. Recomendo a leitura sobre: vendas de novo carro da Tesla já ultrapassam os R$ 35 bilhões: http://www.tecmundo.com.br/tesla/103200-vendas-novo-carro-tesla-ultrapassam-r-35-bilhoes.htm

    As TVs por assinatura também cederão lugar para as novas empresas NetFlix e Google Youtube. As rádios AM/FM e venda de músicas foram substituídas pelo Spotify que é gratuito. As nossas Teles estão em rápida decadência, juntas já amargam um prejuízo de quase 100 bilhões de reais. Os taxis normais estão sendo substituídos pelo Uber, os cartões de crédito estão se transformando em Apps como o Nubank. A lista é interminável e infelizmente aqui no Brasil a falta de instrução ofuscou a visão de médio prazo tanto das universidades quanto dos empreendedores que não estão sabendo o que fazer diante de tanta inovação disruptiva. No mundo globalizado de hoje as novas tecnologias invadem os países e se estabelecem de forma rápida e impossível de serem controladas.

    Um povo sem instrução e conhecimento regride para os padrões de crença da idade média, é o que está ocorrendo no Brasil, diante da crise, o povo não foi instruído o suficiente para compreender que o futuro é agora e não adianta apelar para o governo ou Deus (impressionante como surgem igrejas em cada esquina).

    Foi a falta de instrução que elegeu os 70% de congressistas semianalfabetos que estão lá gerando custos, rezando e fazendo leis que pouco ou nada contribuem para o nosso progresso.

    Quais seriam as minhas propostas para o sistema educacional no Brasil hoje?

    Planejamento de médio e longo prazo para análise da infraestrutura educacional;

    Estabelecer ensino integral para as crianças da primeira a oitava série;

    Ensino do idioma Inglês obrigatório desde a primeira série do primeiro grau;

    Proibir ensino de criacionismo em todas as escolas;

    Acabaria com o ensino de segundo grau (já não serve para nada), no lugar colocaria avaliação de aptidão para novas matérias focadas no ambiente econômico atual e global, com reforço e provas para avaliação de desempenho focadas no terceiro grau;

    Obrigatório a reciclagem de todos os professores para que possam seguir suas carreiras dentro dos novos planos educacionais;

    Acabaria com faculdades de faz de conta como as que existem hoje e causam uma falsa noção de ensino e ainda usam os poucos recursos destinados ao seu funcionamento;

    Ampliaria o ensino à distância que seja totalmente gratuito e reconhecido, como o Coursera, Stanford/Harvard e a USP fazem hoje;

    Uso intensivo de tecnologias de imersão como os óculos de realidade virtual focados no ensino – já estou usando o óculos VR da Samsung e minha primeira viagem foi ao museu de história natural de New York –, é impressionante como a imersão te faz aprender numa incrível velocidade; ao ler sobre as dimensões de um dinossauro como o Rex você não consegue captar todas as nuanças de estar cara a cara com ele em 3D, para analisar de perto e não somente em cenas rápidas como ocorre nos filmes e documentários. Dez minutos de imersão equivaleria a quase duas horas de leitura, essa foi a impressão que tive, todos os seus sentidos ficam focados na experiência da aprendizagem, é de tirar o fôlego.

    Abs.

    Segue o livro: 23 Coisas Que Não Nos Contaram Sobre o Capitalismo – Ha Joon Chang Epub: https://drive.google.com/file/d/0B-IzSwsM47neMjFfY3A4X09fdjQ/view?usp=sharing

      1. Prezado Fernando,

        concordo plenamente, a educação precisa ter um background (pano de fundo), centrado na democracia, caso contrário não haverá consenso e nem apoio das pessoas. A educação integral é a melhor solução para o nosso sistema educacional ganhar em qualidade e velocidade no preparo dos cidadãos que teriam a oportunidade de ficar mais tempo na escola e eliminar o vício que trouxeram de casa, cujos pais não têm tempo e nem o conhecimento necessário para desenvolver a criança que está começando a descobrir o mundo.

        Na minha opinião nossas crianças estão sendo doutrinadas pelos próprios pais em crenças estúpidas que destroem a imaginação e realizam lavagem cerebral para que a mente fique infectada pelo vírus Deus, está na hora de fazer o seguinte, anulá-lo de uma vez: Deus = Null.

        O vídeo a seguir mostra na prática como isso funciona:

        Quando sinto que já sei: https://youtu.be/HX6P6P3x1Qg

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