Denúncia Internacional do Golpe na Democracia Brasileira

Miguel Amaral,  o “correspondente europeu” deste modesto blog, enviou-me um link do humorista brasileiro Gregório Duvivier com a sua análise sobre a crise brasileira na televisão portuguesa. Vale a pena ver, pois é muito esclarecedor para os democratas portugueses a respeito do tipo de gente que tomou o Poder Executivo à custa de golpe parlamentarista e da omissão do Poder Judiciário, cuja missão seria defender a Constituição, julgando falso o argumento que houve crime de responsabilidade com “pedaladas fiscais” (sic). Defender o rito de impedimento é apenas defender a falsa aparência, i.é, o invólucro, em vez de condenar o conteúdo golpista contra o voto popular!
Link:
http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-05-12-Humorista-da-Porta-dos-Fundos-diz-que-Michel-Temer-e-um-golpista

Impeachment

Agora, os golpistas a la Paraguai tentarão retomar o programa neoliberal de desmanche do Estado brasileiro a favor de negócios para O Mercado. Pouco se importam com o fato que esse programa governamental foi derrotado nas quatro últimas eleições presidenciais.

Então, cabe à esquerda brasileira “lamber as feridas”, “sacudir a poeira” e “dar a volta por cima”. Para tanto, necessita entre outras tarefas políticas e culturais:

  1. denunciar em todos os fóruns internacionais o golpe contra a democracia realizado pelo vice-presidente e por parlamentares que desejavam que a Presidenta eleita manobrasse para o encerramento das investigações de suas corrupções;
  2. manter a resistência democrática pacífica em sua defesa contra as manobras do TSE (Gilmar Mendes & Cia.) até a eleição de 2018;
  3. analisar profundamente os acertos e os erros cometidos entre 2003 e 2016;
  4. avaliar a carência de recrutamento de quadros de outras gerações, além daquela da “luta armada” dos anos 60, formada inclusive por profissionais de esquerda com ensino superior e pós-graduação;
  5. cessar o “culto à personalidade” do Lula e propiciar a formação de novos líderes em suas áreas de conhecimento com representatividade política e condições de assumir postos de governo;
  6. reforçar as alianças entre os distintos partidos da esquerda democrática, estabelecendo fóruns de debate para reunir o que estava dissociado, em falso conflito, no sentido de conciliar, harmonizar e fortalecer-se em um partido forte eleitoralmente, ou seja, partido representativo de massa popular e não de vanguarda;
  7. ganhar aliados para suas posições, através da direção consensual no âmbito da sociedade civil, exercendo uma hegemonia democrática na base da coesão social;
  8. defender o igualitarismo social no conjunto das organizações responsáveis pela elaboração e difusão das ideologias: o sistema escolar, as igrejas, os partidos políticos, as organizações sindicais e profissionais, os meios de comunicação, as organizações de caráter científico e artístico, etc.;
  9. combater todas as tentativas de desmanche das conquistas sociais da Era Social-desenvolvimentista (2003-2014), destacadamente as ameaças à democracia como as recentes tentativas de parlamentares censurarem, via leis estaduais e municipais, a liberdade de expressão e a liberdade de cátedra;
  10. avaliar a estratégia para viabilizar vitórias eleitorais sem recorrer às táticas corruptas dos adversários — é possível se eleger e governar sem alianças com partidos traiçoeiros de ideologia oposta?!

Este é um dilema para a esquerda brasileira debater profundamente: como evitar a aliança com tanta gente traiçoeira, capaz de atacar ou golpear inopinadamente. Por que tantos trânsfugas, ex-ministros que, em tempo de conflitos políticos, desertaram das suas fileiras e passaram a servir nos partidos inimigos? Esses desertores, que deixaram o partido político a que estavam filiados para filiar-se a outro que era adversário, demonstram como foram equivocadas a formação e a escolha de quadros despreparados para governar.

Cabe também analisar com empatia a razão do ex-companheiro que muda de crença ideológica, que renega seus princípios morais e éticos, que se descuida de seus deveres partidários. A esquerda brasileira deve reconhecer que muitos companheiros se envolveram na prática da corrupção e buscar meios de evitar a repetição desse crime pessoal por parte de filiados e dirigentes.

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