Sem Palavras (por Alessandro Martins)

Viver é desenhar sem borrachaSem palavras

Recebi a seguinte mensagem de Alessandro Martins, compartilhada por Claudemir Massami Takahashi:

Olá,

diante de tudo o que temos testemunhado acontecer no Brasil, fico sem palavras, na verdade.

Poderia falar de:

  1. o Estado cada vez menos laico,
  2. os sete investigados que ganharam foro privilegiado nos ministérios,
  3. o fim do Ministério da Cultura (pra que cultura, né?),
  4. o ministro que era advogado do PCC e que maquiava dados da criminalidade em São Paulo,
  5. o presidente que, além de ficha suja, é mau poeta (como a múmia do mesmo partido, que tinha bigode),
  6. como eles, durante esses seis meses temporários farão tudo parecer ótimo, sabe lá a custa de que conchavos, para arrochar quem já está arrochado, quando se tornarem permanentes,
  7. como os projetos que precisavam ser votados no legislativo para não estarmos na atual situação começarão a ser votados num passe de mágica e acordos espúrios,
  8. como dirão, pela frente, de pés juntos, que a investigação continua e, por trás, farão tudo para que acabe (e conseguirão),
  9. como o tal juiz é amiguinho do empresário pré-candidato à prefeitura paulistana,
  10. como farão para os que não têm trabalho hoje aceitem trabalhos em piores condições amanhã porque, afinal, é a lei da oferta e da procura,
  11. como a sensação de impunidade sumirá mas a impunidade não,
  12. como a primeira coisa privatizada foi a opinião pública, nas mãos de uma imprensa vendida,
  13. como O Mercado, feliz, não está disposto a matar a fome de ninguém, apenas na medida para que as pessoas continuem a se vender barato,
  14. a maior ilusão da democracia, o voto, enquanto não houver uma reforma política decente que não será feita por políticos indecentes,
  15. como a representatividade do executivo, do legislativo e do judiciário é tudo menos a cara dos brasileiros.

De muitas outras coisas eu poderia falar e também de como não reconheço o atual governo como meu. Mas tudo isso seria falar com eles e eu quero falar com você.

Por isso, digo: Continue reading “Sem Palavras (por Alessandro Martins)”

Evolução Histórica da Desigualdade no Tempo e no Espaço

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Leia: Informe Oxfam 210 – A Economia para o um por cento – Janeiro 2016 – Relatório Completo

Thomas Piketty, em seu livro “A economia da desigualdade” (Rio de Janeiro;  Intrínseca; 2014 – original de 1997), pergunta: “será que poderíamos considerar desprezíveis as diferenças de salário ou de renda de um a três ou de um a quatro entre o limite superior dos 10% mais pobres e o limite interior dos 10% mais ricos vivendo no mesmo momento num mesmo país se comparadas à desigualdade que separa um ocidental de 1990 de um ocidental de 1900 ou de um indiano de 1990?“

A Tabela acima retrata os poderes de compra médios de um operário e de um alto executivo na França de 1870 a 1994, mensurados em francos de 1994, isto é, levando em conta a evolução do custo de vida.

É evidente que esses números devem ser vistos com precaução: à medida que retrocedemos no tempo, a própria ideia de um índice sintético do custo de vida torna-se problemática, tendo em vista as mudanças nos estilos de consumo. Em contrapartida, as ordens de grandeza podem ser consideradas significativas: entre 1870 e 1994, o poder de compra de um operário foi multiplicado por aproximadamente oito. Continue reading “Evolução Histórica da Desigualdade no Tempo e no Espaço”