Ascensão e Queda do Apoio dos Donos do Poder

CUT 1989-2016Rendimento Real e Desemprego jun 2013-fev 2016B&D 20 SM 2007-2013

A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (SPE-MINFAZ) divulgou, no dia 09/05/2016, o primeiro Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira. O documento foi elaborado com base nos dados da declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) fornecidos pela Receita Federal do Brasil (RFB).

Em sua apresentação, a SPE-MINFAZ destacou que “os números de 2014, declarados pelos contribuintes à RFB em 2015, mostram que o 0,1% mais rico da população brasileira, ou 27 mil pessoas em um universo de 27 milhões de declarantes do IRPF, afirmaram possuir R$ 44,4 bilhões em rendimento bruto tributável e R$ 159,7 bilhões em rendimento total bruto. Eles possuem 6% da renda bruta e 6% dos bens e direitos líquidos do país. Essa parcela mais abastada também aufere uma renda 3.101% superior ao rendimento médio dos declarantes de IRPF e possuem uma quantidade de bens e direitos 6.448% superior à média”.

Em uma primeira análise das tabelas apresentadas, vislumbra-se também que apenas 8,4% (2,268 milhões) dos declarantes na faixa acima de 20 salários mínimos – R$ 14.480 em 2014 e R$ 17.600 em 2016 – receberam em 2014 cerca de 30,4% da renda tributável, 46,4% da renda total e possuíam 59,4% dos bens e direitos totais. É mais uma evidência de como a concentração de riqueza supera em muito a concentração de renda.

Na série temporal de 2007 a 2013, construída a partir das DIRPF, há uma notável estabilidade do percentual de declarantes até 20 salários mínimos: inicia-se e termina-se com 91,6%. Em 2010 e 2011, caiu respectivamente para 90,7% e 90,2%. Em outras palavras, na retomada do impacto da crise de 2008-2009, os mais ricos acima de 20 salários mínimos ganharam proporcionalmente mais rendimentos totais.

Porém, depois houve a “Cruzada da Dilma” contra os juros reais mais elevados do mundo. A Selic começou a cair em 01/09/2011 de 12,5% a.a. a 12%, chegando a 7,25% em 10/10/2012, e permanecendo neste patamar até 17/04/2013, quando se elevou para 7,5% e daí atingiu 14,25% em 29/07/2015, nível que se mantém há sete reuniões do COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central), ou seja, até o golpe contra Dilma.

Em termos de bens e direitos, inclusive ativos imobiliários e automotores em seus valores históricos, a tabela acima sugere o impacto de tal “cruzada” na apropriação de riqueza pelas castas que se situam na faixa de rendimentos acima de 20 salários mínimos: queda de 63,2% em 2011 para 59,4% em 2012 e 2013. Intolerável! Daí a intolerância golpista orquestrada pelo PIG… Continue reading “Ascensão e Queda do Apoio dos Donos do Poder”

Maioria na População = Minoria em Empresas

Minorias em Empresas

Letícia Arcoverde (Valor, 09/05/16) informa que a parcela de pessoas que trabalha nas maiores empresas do Brasil é bastante diferente da população brasileira como um todo, segundo uma pesquisa do Instituto Ethos e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mulheres e negros estão sub-representados em todos os níveis da hierarquia. São poucas as companhias que têm medidas concretas para modificar essa realidade. No geral, os executivos das empresas não têm ao menos a percepção de que essas discrepâncias existem.

Embora sejam maioria da população brasileira, afrodescendentes são apenas 36% do nível operacional das empresas participantes, excluídos aprendizes, estagiários e trainees. O número diminui consideravelmente na medida em que se sobe na hierarquia da empresa: 26% entre supervisores, 6% na gerência e menos de 5% entre executivos e conselho de administração.

Mulheres têm participação parecida a nível operacional (35%), mas uma presença maior nas camadas hierárquicas mais altas. Elas são 38% entre supervisores, 31% das gerências, 14% do quadro executivo e 11% nos conselhos.

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